Dorival freia euforia no Corinthians após título sobre o Flamengo: 'Não podemos achar que 2026 será melhor que 2025'

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Corinthians melhor no Brasileirão? Dorival diz que clube pode correr riscos: 'Não podemos achar que 2026 será melhor que 2025' (1:39)

O técnico Dorival Júnior, do Corinthians, concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira (4), dias após a equipe conquistar a Supercopa do Brasil diante do Flamengo. O comandante, no entanto, manteve os pés no chão e freou uma possível euforia da equipe por conta do troféu.

"Se nós não estivermos atentos, não focarmos na melhora do nosso grupo, você vai correr risco, pois é um campeonato (Brasileirão) complicado e perigoso. O próprio Paulistão é assim. Não podemos achar que tudo está resolvido. Não podemos achar que 2026 será melhor do que 2025", afirmou.

"Futebol é dinâmico e precisa ser monitorado para que não perca os seus caminhos. Temos obrigações de estarmos ligados e querendo melhorar a todo momento, buscando tudo o que possa ser feito em torno do CT. Vamos insistir e mostrar as carências que temos, para futuramente termos um grupo mais forte para brigar por algo maior e melhor", completou.

O treinador, que no ano passado conquistou a Copa do Brasil, também respondeu sobre críticas e montagem do elenco.

"Era uma situação que vinha incomodando todos nós. Toda semana a primeira notícia era relacionado ao Corinthians de forma negativa ou pejorativa. Vinha incomodando todos nós. Começamos alterar o padrão de comportamento. Sempre preciso passar ao torcedor o que seja o correto e de maneira mais clara possível. Estamos em um processo de montagem do nosso elenco. Não está completo", disse.

"Precisamos ter mais atletas, qualificarmos o nosso grupo. Quando você tem uma boa equipe, você briga por taças. Quando você tem um grande elenco, você consegue poder brigar por algo maior. É um momento que o Corinthians tem que se definir. Ou daremos um passo um pouco melhor, ou manteremos ese trabalho", seguiu.

"Não é simples compor um elenco. Temos 13 jogadores da categoria de base. Gosto de desenvolver. Tenho paciência com essa situação. Nos deram uma boa resposta. Valorizar esses jovens, mas é bom ter mais elementos para melhor capacidade da nossa equipe", concluiu.

Leia outras respostas de Dorival Júnior

  • Exigência do Paulistão

"Calendário difícil para todos, não é confortável. Tivemos depois do jogo da Ponte, que foi difícil, mais clássicos: Bragantino, Santos e São Paulo e agora Palmeiras. Um campeonato que está exigindo muito das equipes. Está sendo difícil para administrar, com o Brasileirão em andamento. Estamos aprendendo a conviver essa nova situação. Precisamos de um elenco mais preenchido para podermos competir de igualdade com as demais equipes. Precisamos ter uma decisão daqui para frente. Vamos continuar o trabalho independente do que aconteça, com todos que aqui estão, buscando qualificar a capacidade de cada um para ganhar coletivamente."

  • Carreira

"Eu nunca planejei muito a minha vida. Ouço falar muito de planejamento e desenvolvimento de carreira. Eu sempre deixei que as coisas acontecessem. Estudei, me preparei. Apanhamos muito no dia a dia na nossa formação. Nunca tivemos um curso específico para determinada função. Você sendo um professor estaria apto para ser treinador. Eu nem sabia se seria um atleta profissional. Eu tentei me preparar muito e fui fazer educação física, que era um curso que me abriria portas. Se não fosse atleta, poderia estar no meio de uma comissão técnica. Minha carreira foi levada para esse lado de atleta. Depois de 19 anos, tive a oportunidade de ser treinador. Um anos antes fui executivo. Eu sempre prestei atenção nas reações dos meus treinadores, melhorava alguns treinamentos na minha visão. Tive minha estreia em um clube da Série A, que era o Figueirense. Dirigi muitos clubes brasileiros e foi uma satisfação enorme. O reconhecimento dos atletas. Jogadores do Flamengo indo me cumprimentar. Lancei o Filipe Luís e hoje é treinador. Esse reconhecimento é maior do que uma simples conquista. Acabou o jogo e eu já estava pensando na próxima semana. A vida não é simples. O título foi um alívio momentâneo."

  • Processo de mercado

"Estamos usando muita criatividade, pois não temos uma condição favorável para fazer investimentos como outras equipes. Procuramos filtrar o máximo possével as informações dos atletas. Temos uma equipe especializada nisso. Os nomes passam por diversos setores até chegar na frente para finalizar o processo. Analisamos os mais viáveis. Após uma reunião final, chegamos em um determinado nome. Todo nomes passa por várias pessoas para errar o mínimo possível. Jogador não tem certificado de garantia, mas é um fato que temos que errar o mínimo possível."

  • Supercopa contra o Flamengo

"Jogo muito interessante não só por parte do Corinthians, mas para o Flamengo. Teve muita alternância tática. Tínhamos que antecipar o que o Filipe pensava. Tivemos variações interessantes. Fizemos uma marcação individualizada, correndo o risco. Deixamos três jogadores contra três atacantes do Flamengo, que são excelentes. Nossa equipe estava determinada e sabendo do que poderia acontecer. Um erro provocava uma correção. O primeiro tempo foi em cima disso. Finalizando com aquela jogada exaustivamente ensaiada e pensada para que a gente pudesse chegar a esse resultado. Foram várias situações. Temos uma equipe que levanta todos os dados possíveis. Temos mudado nossa forma de jogar constantemente e dos jogadores também. Raniele fez múltiplas funções. Precisamos apresentar tudo o que tem no nosso alcance para facilitar para os atletas, pois eles que resolvem os jogos."

  • Time alternativo contra Capivariano

"Nós não temos outro caminho. Não tem como finalizar o mês jogando com a mesma equipe. Precisamos tomar decisões e passam pelas necessidades e importância da partida. Vamos estar em campo com jogadores com as melhores condições. Pois dois dias depois vamos disputar um clássico. Entende o motivo da gente necessitar de um elenco composto e preenchido, justamente para que termos a possibilidade de manter o ritmo. Em Rio Claro, fizemos um jogo difícil, disputado, mas o Corinthians tomando a iniciativa. Esse é o objetivo que queremos."

  • Sobre ainda não ter conquistado o Brasileirão

"Não é algo que me incomode, mas é natural que queremos resultados. Tivemos dois vices, um com o Flamengo e um com o Santos, brigando até as últimas rodadas com Palmeiras e Flamengo. Perdendo jogadores entre julho e agosto para seleção olímpica em 2016, Thiago Maia, Zeca e Lucas Lima, e para a seleção na Copa América centenária, Ricardo Oliveira, Lucas Lima e Gabigol. Quando eles voltaram, tivemos a perda do Gabriel vendido para a Inter e a lesão do Gustavo Henrique e Luiz Felipe, que era o outro zagueiro. Mesmo assim, fomos vice. Enquanto tive equipes de qualidade, eu também conheço o caminho, eu sei como se chega. Na grande maioria, eu tive equipes de composição. Ou peguei grandes equipes que estavam na zona de rebaixamento. Em 2022, eu pego o Flamengo na 16ª colocação e fomos vices em determinado momento, quando precisei dar atenção maior para o mata-mata. Me deem um grupo com condições que vou lutar por coisas boas. Temos um grupo que está se mostrando forte. Se vier mais alguns elementos, não tenho dúvida que podemos fazer um campeonato diferente. Para isso, precisamos nos recompor rapidamente. O campeonato está em andamento."

  • Legado

"Eu sempre deixei as coisas acontecerem para eu dar passos cada vez maiores e fiz isso com muita segurança. Eu sempre valorizei muito as categorias de base. Quando a gente fala em legado a gente fala nisso. Temos garotos promissores. O Corinthians poderá ter um retorno muito bom. Temos garotos que voltaram a ser observados e com possibilidade de estarem de estar na seleção brasileira. Matheuzinho, Bidon, Hugo, Yuri. O Corinthians está começando a ressurgir. Deixamos o clube em uma condição de quando nós chegamos. Eu voltei três vezes ao Flamengo, duas ao Vasco, São Paulo, Santos, pois fizemos coisas positivas. Me sinto lisonjeado por ser reconhecido pelos atletas e satisfeito do que aconteceu até hoje, mas com muita lenha para entregar aos clubes. Você não tem como saber o que vai acontecer, mas preparação é fundamental para buscar esses resultados."

  • André e venda de jogadores

"André vinha entrando aos poucos, encontrando o caminho, está nos passando uma segurança. Cabe a gente administrar as oportunidades para termos ele sempre bem e seguir nesse processo de evolução. Daqui alguns meses o Corinthians precisa se preparar para saber quem nos vamos vender e não de outra forma. Amanhã estamos dispostos a vender determinado atleta, pois já nos entregou e agora segue o caminho para dar outro tipo de retorno. Temos que atingir esse momento para solidificar essa mudança dentro do nosso clube."

  • Auxiliar

"Lucas está comigo desde 2010, quando sai do Santos para Atlético-MG. Ele vem em evolução. Ele trabalhou como observador técnico. A partir do momento em que ele passou a integrar a comissão, teve um desenvolvimento muito rápido. Ele executa muitas funções, pela montagem de desenvolvimento dos treinamentos. Temos uma equipe muito bem composta com cinco analistas que buscam todos os dados dos adversários. Nossa forma de jogar muda a todo momento. Nosso adversário é sempre bem estudado para que os jogadores possam estar mais seguros em cada partida, conhecendo contra quem está jogando. Isso passa por nossa equipe, que passa muito pelo Lucas. Eu fico transitando de um campo para outro. Lucas e Pedro dividem as funções. Lucas mais ofensivo, Pedro mais defensivo. A gente fica até as 20h para estudar para que amanha, no vídeo final, a gente possa passar coisas ainda mais positivas, para que nosso time saiba todos os detalhes dos adversários.

Ele (Lucas) foi preparado dentro do campo. Não foi apenas em observação ou leitura. Foi no dia a dia. Eu sinto ele muito bem preparado. Ele vai ter um caminho mais tranquilo do que eu tive. Que ele possa ser muito melhor do que eu fui até então. Tudo é uma questão de tempo e oportunidade. Nos últimos cinco clubes, ele recebe três convites para continuar após minha saída. Daqui a pouco uma decisão ele vai ter que tomar, não sei se no final da minha carreira ou antes, mas que aconteça no momento certo."

  • Matheuzinho e Bidu

"São jogadores promissores e que merecem ter atenção para que futuramente possam estar brigando por uma possibilidade na seleção. Estão sendo observados pelo aquilo que estão rendendo. Bidu vem muito bem desde o ano passado. Jogador puramente técnico e centrado de seus compromissos. Matheuzinho totalmente regular. Não tínhamos jogadores de velocidade. Eram pelos lados de campo, por isso concentrávamos por dentro para explorar as laterais e melhorar a saída de bola pelos lados."

  • Reconhecimento

"Eu cruzo com todo tipo de torcedor e eu não deixo de frequentar o shopping, independente de perder ou ganhar e sempre encontro um feedback positivo. No modo geral, o comportamento é positivo. Espero deixar aqui dentro uma história nesse sentido, mas em razão do meu trabalho e não só de resultados. Estamos na hora de avaliar futebol pelo trabalho e não só resultados, pois os trabalhos são variáveis de uma equipe para outra. Seríamos contestados se não tivéssemos vencido o Flamengo. Temos obrigação de nos preparar e corrigir tudo o que vem acontecendo aqui dentro para ficar no mesmo nível das equipes. O Corinthians vai conseguir alcançar o objetivo, pois está fazendo um trabalho sério em todos os setores do clube. Reconhecimento é pelo trabalho e não apenas por um ou outro resultado que aconteça, ou não."

  • Garro e Bidon

"Era a mesma dúvida quando comandei o Flamengo com Gabigol e Pedro. Grandes jogadores se entendem. Posso jogar com dois meias, três atacantes. Grandes jogadores se encontram. Não há problema nenhum de jogarem juntos. É tudo questão de tempo. Garro vem voltando as suas melhores condições. É tudo questão de tempo para ter esse jogador decisivo em sua chegada, quando foi considerado o melhor meia do futebol brasileiro."

  • Torcida

"Só confirmou aquilo que eu esperava. Espetáculo que a torcida proporciona e vem proporcionando. O que eu vi desse movimento da ida dos torcedores a Brasília de quase 200 ônibus das organizadas e aqueles que foram de Kombi, carona, vendendo carro para poderem ir. O esforço que as pessoas fizeram mexeu com todos nós. Hora que finalizaram o poropopó, podíamos sair do estádio, pagar o ingresso e voltar. O que fizeram foi impressionante. Atuar ao lado dessa torcida é marcante para todo profissional. E eu fico muito feliz de estar passando por isso. É algo muito diferente."

  • Martínez

"Atrapalha bastante pois é um jogador escasso, temos uma alteração para o meio de campo. Caso não aconteça contratações, continuarei dando o meu melhor. A gente não administra resultados, vamos continuar trabalhando e entregando. Nem sempre teremos os melhores em condições. A equipe reunida é forte. Um campeonato de longevidade, precisamos de um elenco forte.

Todos nós temos problemas. Eu tenho um passaporte que vou precisar renovar. Aconteceu um fato que ninguém esperava no seu país, precisamos entender. No momento que ele chegar, vamos ver a explicação e esperar o que será decidido pela comissão e diretoria."

  • Futuro

"É muito importante a função do atleta com grandeza no coração para dividir o conhecimento com os jogadores da base. Até hoje me deu uma paz relativa. A partir de amanhã, o que passou já foi. Vamos construir uma nova história, não tem outro caminho. No futebol voce não vive com o que já fez."

  • Diferença financeira entre os clubes

"Méritos dos clubes que se preparam antecipadamente e vivem uma condição onde um atleta pode ser comprado do futebol europeu, há muito tempo isso não acontecia. O jogador estava em evidência e com possibilidade de ser revendido internamente. É um ponto altamente positivo e temos que reconhecer. Se prepararam para viver esse momento. Estamos desenhando uma situação semelhante em termos de competição. Mas esses times estão na frente e terão possibilidade maior de se manter nessa posição. Os demais precisarão trabalhar muito para encontrar regularidade e ter um caminho traçado. Eventualmente acontecerá de uma equipe com dificuldade e de menor expressão chegar, mas nem sempre isso vai acontecer. Entendendo o futebol, as grandes equipes, estabelecidas e com regularidade financeira, têm vantagem muito grande."

  • Gestão de jogadores

"Eu tomo decisões desde quando acordo. Em muitos momentos vou tirar o atleta e ele entenda que não mereça sair. Não é demérito de ninguém, não há desperezo. O André foi campeão da Copa do Brasil e não jogou esse jogo por características, o mesmo aconteceu com o Garro. Temos que ter cuidado e lealdade digna para que o atleta acredite no que você fala. Eu sempre agi dessa maneira e não vou mudar. Sempre fui muito correto, pois amanhã são esses jogadores que vão dar resposta."

  • Reforços

"Eu não quero falar por posições, mas em todos os compartimentos nós precisamos, no mínimo, de mais um elemento."

Próximos jogos do Corinthians: