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Corinthians fecha balanço de 2024 com receita recorde de R$ 1,1 bilhão; dívida alcança R$ 2,56 bilhões

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A diretoria do Corinthians enviou no início da noite desta sexta-feira (18) ao Conselho de Orientação (CORI) os números referentes ao balanço financeiro de 2024.

Os dados expostos como Demonstrações Financeiras, aos quais a ESPN teve acesso, também foram ao repassados Conselho Fiscal e ao Conselho Deliberativo e registraram aumento recorde na receita bruta do clube, que alcançou R$ 1,115 bilhão no último ano, um acréscimo de 19% em relação a 2023.

Por outro lado, a dívida alvinegra alcançou R$ 2,568 bilhões. Gerencialmente, no entanto, a diretoria alega tratar o endividamento global na casa de R$ 2,418 bilhões por conta do adiantamento de R$ 150 milhões, feito em agosto de 2024, como parte do acordo firmado com a LFU pelos direitos de transmissão de TV por cinco anos.

As despesas do Corinthians também registraram aumento 14% de acordo com o balanço enviado aos órgãos internos, chegando à casa de R$ 716 milhões.

Quanto ao endividamento bruto, aquele que considera a relação entre os passivos menos as contas receber, a operação de 2024 apresentou crescimento de 5%, ou R$ 88 milhões, passando de R$ 1,781 bilhão para R$ 1,869 bilhão.

O balanço de 2024 do Corinthians ainda registrou um valor na ordem de R$ 349 milhões em juros, considerando o acordo com a Caixa pelo financiamento da Neo Química Arena, outras dívidas do clube e bloqueios judiciais.

Ainda assim, a gestão Augusto Melo comemora nos bastidores um resultado operacional no azul, na casa de R$ 293 milhões.

Ainda segundo apurou a ESPN, divergências sobre dívidas tributárias referentes a 2023 na ordem de R$ 191 milhões foram adicionadas ao exercício de 2024. O tema gerou atrito e divergências políticas no Parque São Jorge entre membros da atual diretoria e representantes da gestão Duilio Monteiro Alves.

“A gente fez ajustes gerenciais muito importantes no balanço de 2024. A gente estava com uma decisão muito grande aqui, estudamos até a possibilidade de reabrir o balanço de 2023. Mas, pelo bem do Corinthians e da instituição, decidimos manter o balanço de 2023 como ele estava e adicionar algumas coisas em 2024, mas que eram referentes ao balanço de 2023. E daí vem a questão gerencial desse efeito também. A gente fez isso na apresentação do balanço, um balanço também gerencial para destacar esses pontos que não deveriam estar computados como resultado da gestão Augusto Melo", disse Pedro Silveira, diretor financeiro do Corinthians, à ESPN.

"O que isso quer dizer? Por causa desses ajustes, são R$ 191 milhões. Deles, por tudo o que a gente apurou e até pelos pareceres técnicos que a gente tem, R$ 86 milhões deveriam estar no balanço de 2023 e não estavam. A gente está colocando esses R$ 86 milhões no balanço e fazendo o ajuste gerencial dele para mostrar o que é a gestão Augusto Melo, que esse vai ser o tom das próximas discussões aqui: a responsabilidade financeira dessa gestão”.

“A gente pegou esses R$ 86 milhões, mais R$ 76 milhões referentes ao parcelamento de ISS (Imposto Sobre Serviços) que também é de gestões passadas. Não foi causado pela gestão Augusto Melo, isso é importante destacar. Era uma dívida do passado que virou uma realidade no balanço de 2024. É uma dívida de gestões passadas”.

Em contato com a ESPN através de sua assessoria, Wesley Melo se manifestou sobre os dados que foram vinculados às contas de 2023 do Corinthians, período em que ocupava o cargo de diretor financeiro.

“As demonstrações apresentadas pela gestão atual e suas supostas conclusões exigem uma análise técnica, à luz da legislação contábil, o que demanda tempo e, principalmente, relatórios e documentos a que precisamos ter acesso - o que já foi requerido.

Manifestamos ainda nossa plena confiança nos processos auditados e aprovados dos balanços anteriores em todos os órgãos competentes. Não vamos tolerar manobras que tentem mascarar o evidente estouro de orçamento, visível a olho nu, ao qual nem o Cori, com maioria de membros eleitos pela atual gestão, tem sucesso em analisar dentro dos prazos.

A entrevista do Diretor Financeiro falando dos números, antes mesmo de os órgãos competentes do clube terem acesso aos dados, também demonstra que a gestão continua disposta a ignorar procedimentos a fim de sustentar narrativas unilaterais e, como vimos no passado, incorretas.”

O documento foi enviado ao órgão presidido por Miguel Marque e Silva. Entre membros natos e trienais, o CORI conta com nomes como os ex-presidentes Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves, Mario Gobbi e Roberto de Andrade.

Ainda que registrando um aumento na dívida bruta do clube, a operação de 2024 foi comemorada nos bastidores do Parque São Jorge por conta do encaminhamento de acordos jurídico-financeiros que deram respiro ao caixa alvinegro como o firmado com a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, e o avanço na Justiça com o REC (Regime Centralizado de Execuções).

“Na janela de janeiro deu para perceber a nossa responsabilidade financeira. O Corinthians foi o time que menos contratou e que menos gastou entre os 20 clubes das Série A. Em 2024 a gente se reforçou um pouco mais e mesmo assim mantivemos uma relação super saudável em buscar agentes livres. Esse é um mote dessa gestão. E outras coisas que nós temos feito, acompanhamento orçamentário com metas agressivas para 2025, de que a gente precisa reduzir essas despesas. A ideia é que elas caiam em 2025. Acompanhamento diário de fluxo de caixa do clube. A gente reconquistou a confiança do mercado financeiro de volta. Bancos, fundos e parceiros estão mais próximos da gente e estamos conseguindo boas coisas com eles”.

“A gestão, quando assumiu o clube, tinha 8 ou 9 meses de direitos de imagem atrasados. O direito de imagem, como todo mundo sabe, é pelo menos metade do salário dos atletas. De agosto de 2024 até o presente momento eu tive um atraso apenas, que foi no dia 5 de janeiro e por causa desse grande bloqueio que eu tive no final do ano”.

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