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De 'algo a mais' por ganhar do Palmeiras a Corinthians como 'melhor decisão da vida': Garro abre o coração à ESPN

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Garro diz que vitória do Corinthians contra o Palmeiras foi 'algo a mais' na briga contra o rebaixamento (1:51)

Meia argentino falou em entrevista exclusiva para a ESPN (1:51)

'Gracias por ser diferente'. Ainda desconhecido por grande parte dos torcedores quando foi anunciado, em janeiro, Rodrigo Garro encerrará neste domingo (08) sua primeira temporada pelo Corinthians com um espaço reservado no time titular... e no coração alvinegro. Dono da camisa 10, a qual teve ‘aval’ do ídolo Cássio para envergar, o meia justificou em campo todo esforço para sua contratação após uma verdadeira novela com o Talleres (ARG).

Autor de 13 gols e 14 assistências em 2024, o argentino se tornou praticamente um símbolo da resiliência da equipe no ano, principalmente por ter atravessado em campo uma das fases mais complicadas e turbulentas da história recente do clube.

“Sinto que foi a melhor decisão que tomei na minha vida”, afirmou o meia à ESPN, na primeira entrevista exclusiva a um veículo de imprensa desde que chegou ao Brasil.

Aos 26 anos, Garro completará o 27° aniversário no dia 4 de janeiro, às vésperas da reapresentação do Corinthians para a temporada 2025. Depois de desafiar as estatísticas e garantir uma vaga na fase preliminar da CONMEBOL Libertadores, além da Copa do Brasil, o time terá calendário cheio pela frente.

Mais adaptado ao Brasil e atuando nos bastidores como uma liderança do elenco alvinegro, o meia recebeu a reportagem para uma conversa no “blindado” CT Dr. Joaquim Grava.

Agora mais adaptado ao futebol brasileiro, Garro revelou que não teve dúvida sobre a decisão que deveria tomar quando decidiu deixar o Talleres para dar próximo passo na carreira.

“Quando encerrei minha temporada passada com o Talleres, alguns diziam que era o melhor jogador do futebol argentino. Fiz um ano bom, classificando à Libertadores com um clube que sempre queria estar em cima, brigando. Era meu momento de sair. Nas férias meu empresário me chamou e comentou os clubes que haviam [procurado]. Quando me disse do Corinthians, não tinha comparação. Ainda mais com o que eu queria para a minha carreira, que é crescer”.

“Todos os outros clubes que eu tinha para escolher eram clubes muito bons, mas o Corinthians manteria meu sonho. Corinthians me ajudou a me mostrar mais, a poder sonhar em estar mais perto da seleção argentina. Quando me disseram do Corinthians, em nenhum momento eu duvidei”.

Mas para além dos gols e assistências, o argentino ganhou espaço no coração dos torcedores com uma mensagem nas redes sociais no momento mais turbulento da temporada. Nos dias em que o Corinthians vivia dias de incerteza com a rescisão de contrato com a VaideBet, um post do camisa 10 mexeu com os alvinegros. “Vai ficar tudo bem”.

“Esse talvez tenha sido o momento mais difícil do Corinthians em muito tempo. Os torcedores estavam insatisfeitos, o que era totalmente compreensível, a equipe não dava resposta. Nós perdíamos fácil e contra rivais que não eram melhores do que nós. Não subíamos na tabela. Como na vida, quando as coisas vão bem você está cercado de gente. Mas quando as coisas vão mal é que você se dá conta de quem são aqueles que merecem estar na boa”, disse Garro sobre a mensagem escrita nas redes sociais.

“Nesse momento do Corinthians, em que não conseguíamos dar um passo à frente, eram todos passos atrás, coisas negativas, senti que os torcedores, meus companheiros, o técnico que estava naquele momento, o presidente, e eu senti uma energia de: ‘Bom, nós vamos sair dessa situação. Não é tudo tão ruim. Não somos a pior equipe e nem estamos tão mal’. Sim, o momento era ruim, mas iria passar. Confiava muito que iria passar, as pessoas que estavam trabalhando estavam fazendo tudo de uma boa maneira. Acabei dando essa mensagem”.

“Havia acontecido muita coisa nesses dias. Invadiram o CT, invadiram a sede [do clube], se falava de uma saída do presidente, do patrocínio. Como jogador isso também te golpeia. Pensei em dar uma mensagem de alento, uma mensagem positiva. Mas não disse no sentido de ‘quero que as pessoas gostem de mim’. Disse, acima de tudo, por sentir que as pessoas do clube estavam vendo tudo mal, mas não era tudo tão ruim”.

A “casca” de uma temporada turbulenta, mas que agora termina em alta e com direito até a sorrisos no último treinamento de 2024 no CT, ajudou Garro a criar conexão com torcedores.

E isso passa por gestos silenciosos, como uma foto ou autógrafo a cada porta de hotel nas cidades em que o time viaja para atuar como visitante.

“Desde que cheguei, eles [torcedores] sempre foram 100% fieis comigo. Em todo os momentos”, afirmou o meia, que não escondeu a própria insatisfação com o gol perdido cara a cara com Gabriel Arias, goleiro do Racing, na partida que marcou a eliminação do Timão na semifinal da CONMEBOL Sul-Americana.

“Também senti a raiva do torcedor no momento em que perdemos a partida contra o Racing. E como disse depois do jogo contra o Palmeiras, eu também sofri. Eu também sou um torcedor da equipe onde estou. Me doeu como jogador, como companheiro e como torcedor. Mas além da raiva por esse dia, da partida contra o Racing, contra o Palmeiras a torcida me ovacionou, as pessoas seguiram sendo fieis à minha pessoa, ao meu futebol, à maneira de enfrentar as partidas”.

“Às vezes as coisas saem, às vezes não saem. Mas se me virem jogando nesses 11 meses, podem ter a certeza que, desde que cheguei ao clube e até o dia de hoje, vivo para jogar no Corinthians. Graças a Deus a torcida se dá conta de que eu vivo dessa maneira e me retribuem da maneira mais linda que é a ovação em um estádio como é a arena, e em uma equipe como o Corinthians. Não é fácil. Se espera muito de um camisa 10, e é um desafio. Sinto que foi a melhor decisão que tomei na minha vida”.

A resposta após a queda na Sul-Americana aconteceu em campo. Em um Dérbi. E com Garro como protagonista. Cinco dias depois de deixar a Argentina com o gosto amargo da derrota, e eliminação, diante do Racing, o Corinthians encarou o rival Palmeiras em uma lotada Neo Química Arena.

Além de um golaço no primeiro tempo, o meia ainda descolou uma assistência mágica para Yuri Alberto fechar o placar na vitória alvinegra por 2 a 0. Aquela foi a 2ª vez que o argentino marcou diante do maior rival do Timão, tendo marcado um golaço de falta no encontro entre os times pelo Campeonato Paulista.

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Garro relembra momento conturbado no Corinthians e explica mensagem à torcida de 'tudo vai dar certo'

Meia argentino falou em entrevista exclusiva para a ESPN

“Quando jogava no Talleres, eu adorava jogar dérbi contra Instituto e contra Belgrano. Fiz gols em todos os jogos. Quando cheguei aqui o meu primeiro dérbi foi contra o Palmeiras. E fiz um gol, e agora também, contra o Palmeiras. Pessoalmente eu gosto [de jogar clássicos]. É uma energia linda jogar um clássico. Sabemos o que significa fora do campo”.

“Pessoalmente esse clássico que passou foi o mais lindo para mim. Nós tínhamos que ganhar para sair desse momento. Foi a primeira vez que nós começamos uma partida fora da zona de rebaixamento. Se empatássemos nós seguiríamos fora depois de dez meses. Não foi só ganhar do Palmeiras. Foi algo a mais. Claro que ganhar um clássico por 2 a 0, fazer um gol e uma assistência é sempre algo fantástico. Mas nós tínhamos que ganhar para sair da zona. Não foi coincidência que depois daquilo nós ganhamos outras partidas mais”.

Embalado pela sequência de oito vitórias seguidas e garantido na Libertadores, o Corinthians colhe agora os frutos de uma temporada de resiliência em campo. Além de Garro, o momento vivido por Yuri Alberto exemplifica o “renascimento” do time na temporada.

A fase do camisa 9, inclusive, não tem surpreendido o meia.

“Não conheço um atacante como o Yuri. Disse isso a ele quando esteve numa fase ruim, mas ainda assim sendo nosso artilheiro em todos os campeonatos. Nunca vi um jogador que, a cada vez que eu tenho a bola, ele faz sete movimentos. Para mim é muito mais fácil, para ele eu sinto que é muito mais fácil”, disse Garro, que também destacou a parceria com Memphis Depay no ataque corintiano.

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Garro rasga elogios e diz que nunca viu um jogador como o Yuri Alberto: 'Para mim é muito mais fácil'

Meia argentino falou em entrevista exclusiva para a ESPN

“Estamos o tempo todo nos procurando em campo. Trato de fazer movimentos para que ele receba, ele faz movimentos para que eu receba. Nos entrosamos de uma boa maneira. Mas eu também quero ressaltar que não é apenas o trio de ataque, mas todo o grupo que está fazendo um bom trabalho. Jogadores que sempre entram como Ángel [Romero], Igor [Coronado], que mantém o nível de concorrência para que ninguém nunca esteja relaxado. Sinto que formamos um bom ataque”.

Apontado por muito como um dos principais destaques do Brasileirão de 2024, Rodrigo Garro não esconde que tem como sonho defender a seleção da Argentina. E mesmo admitindo que concorre com os principais nomes do grupo justamente em sua posição, o meia mantém viva a chama da esperança.

“Esse é o motivo pelo qual me levando, pelo qual penso em melhorar, em fazer o melhor que pode fazer um jogador. Não só dentro de campo, mas também fora. É um sonho a cumprir. Mas tenho que ser humilde e reconhecer que é uma seleção onde estão os melhores jogadores do mundo, justamente na minha posição. Tenho muito respeito àqueles que representam a seleção hoje”.

“Esse chamado ainda não chegou, então talvez há algo a mais que ainda possa fazer, algo mais em que possa melhorar. Essa é a gasolina na qual me agarro para seguir crescendo, para me sentir mais perto do que esse sonho. Tomara que em algum momento chegue. Claro que para mim, como jogador, é o máximo que posso alcançar na carreira, representar seu país”.

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