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Quem é o 'sósia' de Yuri Alberto que chegou a encontrar atacante do Corinthians e ouviu até brincadeira: 'Você é mais bonito do que eu'

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'Sósia' de Yuri Alberto conta bastidores de encontro com atacante do Corinthians: 'Dei muita risada' (1:18)

Juan Tavares concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br (1:18)

O seu nome de batismo é Juan Pablo Vilela Tavares, mas em um piscar de olhos muitos pensaram se tratar de Yuri Alberto. Sim, o atacante do Corinthians! Apresentado como reforço do Santa Cruz no início de janeiro, o lateral-esquerdo de 21 anos viralizou nas redes sociais por conta de sua semelhança com o camisa 9 do Timão.

E ela vai desde o corte de cabelo até a barba. Porém, por trás de toda a brincadeira na internet, existe um menino para lá de sonhador.

Nascido na região metropolitana de Belo Horizonte, Juan se mudou ainda jovem para Brasília ao lado da família. E foi na Região Centro-Oeste aonde começou a subir os primeiros degraus na carreira. Mais especificamente no Goiás, clube que o recrutou após a primeira desilusão que teve na carreira: a dispensa da base do Atlético-MG.

"O Goiás não foi o meu primeiro clube, foi o Atlético-MG. Eu fiquei lá dos 12 aos 14 anos mais ou menos, e aí acabei sendo mandado embora. Depois fiz um jogo contra o Goiás e fui aprovado. O Goiás foi a minha base toda, dos 14 até os 20 anos, foi onde estreei profissionalmente e pude ter oportunidade como atleta profissional. Foi como eu amadureci na base", disse Juan Tavares, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

"Tirei forças da história de muitos outros jogadores, já vimos muitos jogadores que não ficaram no primeiro clube de cara ou que não passaram na primeira peneira ou no primeiro teste, mas mesmo assim perseveraram e conseguiram realizar o seu sonho, que é ser jogador. Quando eu fui dispensado, lógico, foi um momento de tristeza, fiquei muito triste, acho que como toda criança ou adolescente, chorei, fiquei bem chateado, até pensei se isso era para mim ou não. Mas quando a cabeça ficou no lugar, o foco já foi outro. Eu fiz um jogo contra o Goiás por uma escolinha de Brasília, fiz o gol, ganhamos de 1 a 0. Aí me deixaram em um período de avaliação de um mês, e logo depois me mandaram para lá, eu estava aprovado, e me mudei para Goiânia", prosseguiu.

"O motivo de ter sido mandado embora do Atlético-MG? Eles prezam muito pela educação. Lembro que na época eu estava estudando, só que eu não estava indo muito bem na escola. Mas, acho que esse não foi o fator para eu ser dispensado, acho foi porque tinham outros dois laterais, que estavam melhores. Normal entender isso, eu também acho que eu não era um atleta naquela época para estar ali, o Goiás me fez muito bem porque foi onde eu ganhei a minha casca e maturei e foi onde eu realmente pude ser feliz."

No Esmeraldino, o lateral-esquerdo fez a sua estreia como profissional e depois passou por outros clubes como Paysandu e Cuiabá, que ainda detém o seu passe e o emprestou ao Santa Cruz neste início de temporada. E foi no Dourado onde toda a brincadeira sobre a semelhança com Yuri Alberto começou. Tudo "culpa" de ninguém mais, ninguém menos do que o atacante Deyverson, um dos amigos que fez no mundo da bola.

Mas Juan sabe administrar - e muito bem - o "meme" criado em volta da semelhança com o camisa 9 corintiano. E até mesmo reconhece que, de fato, eles se parecem.

"Tudo começou com o Deyverson (risos). Eu lembro que ele postou um stories no dia que eu conversei com ele a primeira vez, o Corinthians tinha jogado no dia anterior, e ele postou um stories meu 'Yuri Alberto, você jogou ontem e já está aqui? Mais um atacante não dá, hein! Vou ter que disputar posição contigo' (risos). Ele postou e aí viralizou, algumas pessoas já começaram a chamar. Eu sei que tem a semelhança, eu sei que parece, tanto é que no jogo Cuiabá x Corinthians, no ano passado, eu fui relacionado, pude conhecer o Yuri, a gente conversou depois do jogo. Creio que ele também não liga, não deve se incomodar muito com isso", disse.

"Fizeram uma matéria nossa, foram para as ruas e colocaram a minha foto e a dele, a galera tinha que falar quem era. Ele falou que viu a matéria, que deu risada, que achou bacana. Pude tirar uma foto com ele, foi super receptivo, é um cara que trabalha bastante. Eu acho tranquila a brincadeira, realmente parece", prosseguiu.

"Só que tem um limite (risos). Eu lembro que na minha estreia pelo Santa Cruz, eu entrei no intervalo, eu fiz uma jogada boa e escutei na arquibancada 'Ah, Yuri Alberto!' (risos). Eu sonhei com os caras chamando o meu nome, e eles me chamando de Yuri Alberto (risos). Mas vamos lá, pelo menos estão falando de mim (risos). Eu entendo a brincadeira, realmente parece, é saudável, não tem maldade nenhuma, acho tranquilo".

'Você é mais bonito do que eu'

O lateral do Cobra-Coral ainda contou os bastidores de como foi o encontro com Yuri, em 2023, e revelou, em primeira mão, o que ouviu do atacante do Corinthians que o deixou surpreso. Juan Tavares ainda revelou de onde surgiu a "inspiração" para o visual, que diferentemente do que muitos possam pensar, não tem qualquer relação com o camisa 9 corintiano.

"É a primeira vez que eu vou falar isso. O Deyverson já tinha falado 'vou marcar um encontro, você vão tirar uma foto juntos'. E eu falei 'deixa o cara' (risos). Acabou o jogo, a gente sempre vai ali cumprimentar a rapaziada que jogou, eu acabei não entrando no jogo, e quando ele me viu ele falou 'pô, moleque, está de sacanagem, você é mais bonito do que eu' (risos). Eu dei muita risada porque o Yuri é um grande jogador, eu ainda estou buscando crescer. Ver que me tratou assim logo de cara já quebrou um gelo tremendo. Eu falei 'muito obrigado pelo carinho, a gente pode tirar uma foto?'. E ele na hora aceitou, desceu comigo abraçado e tirou a foto. Eu o agradeci por ter me recebido bem ali, conversado bem, essa atenção que ele me deu faz ele ser o atleta que ele é", contou.

"Eu gostava de raspar a cabeça na máquina zero todo o ano, aí ano passado eu deixei. O meu cabelo cresceu, eu sempre tive barba, aí começaram a falar 'você se parece muito com o Yuri'. E aí eu até diferenciei um pouco o corte, fiz um moicano, deixei crescer atrás para não ficar sempre essa fala. Só que realmente parece, não tem como fugir (risos). Ele até descoloriu o cabelo agora (risos)... Não, não (penso em descolorir o cabelo). Eu não tento parecer com ele, eu realmente só pareço. Eu nunca busquei falar 'corta o meu cabelo igual ao do Yuri' ou 'vou deixar a minha barba crescer igual a do Yuri'. Realmente parece, é o estilo que eu gosto de usar, que ele gosta, o nosso rosto é um pouco parecido. Não tem para aonde correr (risos)".

E a semelhança com Yuri Alberto também já rendeu histórias engraçadas e boas risadas. Até mesmo durante as férias, quando viajou até Caldas Novas, em Goiás, junto da família. Assim como no dia a dia, em Recife, onde Juan não passa despercebido pelos torcedores do Santa.

"Como agora deu essa viralizada, eu acho que não confundem mais. Tanto que já peguei o elevador para chegar em casa, aí um cara olhou para mim e falou 'você que é o Yuri Alberto do Santa Cruz, né?', e eu falei 'sim, sou eu' (risos). Confundir aqui em Pernambuco eu acho que não confundem, mas eu estava e férias com a minha família em Caldas Novas, e estava tendo um campeonato de crianças lá, eu fui assistir. O que eu tirei de foto das pessoas achando que eu era o Yuri Alberto (risos). No começo, nas três primeiras crianças, eu falava 'não sou ele não'. Aí chegou na quarta, na quinta, na sexta, e eu falei 'é o Yuri Alberto, pode tirar a foto, vai (risos). Eu estava dando risada, achando engraçado, meus pais também, dão muita risada disso porque realmente parece".

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Lateral do Santa Cruz conta como ex-Palmeiras o fez virar 'meme' por semelhança com Yuri Alberto: 'Postou e viralizou'

Juan Tavares concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br

Fase de Yuri Alberto e grande sonho da carreira

Aos 22 anos, Yuri Alberto vive um dos momentos mais complicados da carreira no que diz respeito à artilharia e só marcou um gol em seis jogos em 2024. E lá de Pernambuco, Juan Tavares acompanha os passos do atacante e torce pelo seu sucesso, ciente de que esta é apenas uma fase que será superada em breve.

"(Torço) demais, demais. Eu sei das críticas que ele tem recebido, lógico, mas eu nunca vi uma matéria ou alguma publicação dele reclamando, dizendo que estão errados ou algo do tipo. Sempre ficou calado, dentro de campo pelos jogos que eu assisto, ele sempre se entrega ao máximo, nunca falou um 'a' contra isso. Creio que possa ser só uma fase, ele vai voltar a ser o atleta que é. Não é à toa que ele é um atleta novo e tem passagens por Santos, Inter, Zenit, Corinthians", disse.

Juan também abriu o seu coração e disse que, apesar de toda a brincadeira sobre ser "sósia" de Yuri, o seu sonho e crescer na carreira com as próprias pernas - e não por conta disso. E revelou quais são os seus principais objetivos de vida.

"Foi um meio muito bacana para que as pessoas pudessem olhar 'quer saber quem é esse Yuri Alberto do Santa Cruz'. Só que o Yuri já fez o nome dele, eu estou buscando fazer o meu. Eu não quero crescer na minha carreira nas costas do nome do Yuri. Viram quem que era, e eu fiz uma boa estreia, então começou a ser falado. É uma brincadeira que pegou, que virou até 'meme' uma época, fiquei sabendo que estava bombando nas redes sociais. Se foi um meio para que pudesse ser visto, beleza, mas eu não quero crescer com isso, quero crescer com o meu futebol", disse.

"São duas coisas (que eu sonho). Eu não posso isentar a parte da minha fé. Eu creio que o Senhor colocou algo dentro de mim, um talento, e colocou uma qualidade dentro de mim, que eu tenho que aprimorar todos os dias. O Senhor me chamou para isso, para estar no meio do futebol. A minha motivação maior é realmente cumprir e viver aquilo que o Senhor colocou dentro de mim, e o futebol está inserido nisso. A outra motivação é sonhar em ser um grande jogador, sonho em deixar um legado. Eu não quero ser só mais um, não quero ser aquele que não conseguiu. Eu sei que muitas pessoas tentaram e não conseguiram, eu quero todos os dias me firmar no futebol, quero todos os dias vencer, todos dias ganhar. Eu sou um cara que não gosta de perder. Não gosto de ser segundo colocado, não gosto de não ser o cara que está ganhando. Na época de base eu era muito difícil de lidar com isso, quando eu perdia um jogo era uns dois, três dias para alguém me mandar uma mensagem porque já sabia que eu não estava legal. Eu sempre fui um cara obcecado pela vitória, por vencer. Entrei nessa para vencer, espero vencer como atleta de futebol, quero deixar um legado e cumprir com tudo aquilo que o Senhor colocou dentro de mim".

Parceria com Pedro Raul e Raniele, do Corinthians

Apesar da pouca idade, Juan Tavares já passou por várias experiências na carreira e, ao mesmo tempo, compartilhou vestiário com nomes conhecidos. Dois deles, hoje, também estão no Corinthians, assim como Yuri Alberto.

O primeiro deles é Pedro Raul, que conheceu talvez no melhor momento da carreira do atacante, em 2022, quando foi vice-artilheiro do Brasileirão pelo Goiás. E Juan lembrou do período ao lado do centroavante e prevê uma disputa saudável entre ele e Yuri Alberto no Parque São Jorge.

"O Pedro aquela época estava surreal, todo jogo já esperávamos que ele fosse fazer algum milagre, tirar algo da cartola. Lembro do jogo contra o Cuiabá, eu tinha jogado de titular, saí no segundo tempo, estava no banco, 0 a 0, era um jogo de 6 pontos e tínhamos que ganhar. Do nada o Dieguinho cruzou, o Pedro Raul de fora da área, de primeira, gol. Eu falei 'irmão, que fase é essa desse cara'. Todo o sucesso para o Pedro no Corinthians, espero que também possa desempenhar um futebol ainda melhor do que ele desempenhou no Goiás e que seja uma disputa sadia entre ele e Yuri para ver quem vai jogar."

E também, no Cuiabá, jogou com Raniele, recém-contratado pelo Corinthians e que se destacou com a camisa do Dourado na temporada passada. E o lateral foi só elogios ao meio-campista.

"O Raniele é muito gente boa. Ele também tinha essa brincadeira do Yuri Alberto, ficava pegando no meu pé. Aí eu pegava no pé dele, como eu cortei o cabelo moicano, ele também usava, e eu falava 'não, Raniele, eu estou parecido com você, você é a minha inspiração' (risos). Aí ele ficava p da vida, ficava bravo (risos). Recentemente ele me mandou uma mensagem, o meu cabelo está grande e ele mandou 'tem barbeiro aí em Recife, não?' (risos). Eu dei risada. O Raniele é um trabalhador, a força dele dentro de campo, os arranques que ele dá. Pessoalmente falando, o Raniele foi o melhor jogador do Cuiabá no ano passado, foi o que realmente e destacou. O grupo todo foi muito bem, tanto é que foi a melhor campanha na história da Série A, mas o Raniele eu ficava assustado com ele dentro de campo porque ele estava jogando muita bola. Tenho certeza que no Corinthians não vai ser diferente, tenho certeza que ele vai conseguir desempenhar ainda mais o que ele desempenhou no Cuiabá. Toda a sorte para ele, que Deus o abençoe, fico feliz de ver ele no lugar que ele merece."

Quem também marcou a sua carreira, porém, não veste a camisa do Timão, é o próprio Deyverson. No Cuiabá, o atacante foi um dos responsáveis por recepcioná-lo no profissional e, muito além da brincadeira de "sósia de Yuri Alberto", mostrou ser um de seus grandes amigos fora das quatro linhas.

"Eu cheguei no Cuiabá e a princípio fui para o sub-23. Surgiu um dia uma oportunidade de treinar no profissional, e aí no dia que eu fui, lógico, a semelhança com o Yuri Alberto foi onde ele começou 'caraca, o Yuri Alberto' (risos). Eu achei um máximo aquilo, dei risada porque é o Deyverson. Só que ele não só puxou brincadeira. Eu lembro que depois do treino, eu estava pedindo o meu Uber para voltar, e ele estava esperando a esposa dele chegar para buscá-lo. A gente começou a trocar uma ideia sobre a vida, e eu falei 'cara, o Deyverson está conversando comigo de igual para igual, de jogador para jogador, não está me tratando de uma forma diferente'. O Deyverson até constrange a gente um pouco porque ele é um cara de coração muito puro. Ele não tem maldade nenhuma no coração, te trata tão bem que você fica até constrangido. Tanto que quando eu vim para o Santa Cruz, ele foi um dos únicos atletas que me ligou, me desejou boa sorte, me desejou uma ótima passagem por aqui, me disse como ele estava, me contou das férias dele, eu falei como eu estava", disse.

"Puder criar uma relação muito boa com o Deyverson no Cuiabá, foi um dos meus amigos enquanto eu estive lá. Momentos de concentração ou até pós-treino e pré-treino, quando conversávamos, gostávamos muito de conversar sobre a nossa fé, sobre no que a gente acredita, que é no Senhor Jesus, e gostávamos de trocar bastante ideia sobre isso. Eu estava vivendo um sonho de estar com um atleta daquele nível, falando sobre o melhor que poderíamos estar falando. Fazer um amigo que foi muito importante. Quando ele me liga ou me manda alguma mensagem, eu fico 'mano, não acredito Deyverson que é você'. Ele é um grande amigo para mim, uma inspiração, alguém que dentro de campo sempre consegue responder. As pessoas sempre me perguntam 'o Deyverson é daquele jeito fora de campo ou é um personagem?'. Ele não é um personagem, é aquele cara engraçado, só que eu acho que as pessoas confundem um pouco ele por conta disso, pelo jeito que ele é. É um atleta muito focado, leva a sério o futebol dele, e é o jeito dele. Os números e os resultados são inquestionáveis, o Deyverson é um artilheiro nato."

Momento no Santa Cruz

Aos 21 anos, Yuri Tavares precisou tomar uma das principais decisões da carreira e deixou o Cuiabá rumo ao Santa Cruz. E o defensor contou que, muito além de qualquer objetivo pessoal, o seu desejo no futebol pernambucano é ajudar o Tricolor a se reerguer, uma vez que o clube no momento está sem divisão no futebol nacional e fora da Copa do Brasil, disputando apenas o Estadual na atual temporada.

Yuri também exaltou a apaixonada torcida cobra-coral e falou sobre como é a atmosfera de jogar em pleno Arruda, com toda a pressão e festa vindas das arquibancadas. E lembrou de sua estreia pelo clube pernambucano.

"Eu estava no Cuiabá, ainda tenho contrato, e surgiu a oportunidade de um empréstimo. Eu não estava esperando que fosse ter esse empréstimo, achei que eu jogaria o Campeonato Mato-Grossense, mas um pouco antes do Natal fui informado que o clube buscava o meu empréstimo, e aí surgiu a opção do Santa Cruz. Eu sabia que o Santa Cruz era um time grande, um time de massa, que aqui seria um lugar muito bom para amadurecer, crescer. Eu não vim só pensando nos meus interesses, vim pensando no clube, que sempre soube que é um clube grande. Eu sabia que poderia a ajudar o Santa Cruz a voltar a ser o que era. Por mais que o meu contrato aqui seja curto, eu acho que demonstrar para a torcida que o Santa Cruz ainda é esse time grande, demonstrar para nós mesmo dentro de campo, eu acho que esse foi o meu maior desafio, foi porque eu topei vir, para amadurecer, crescer dentro de campo e mostrar a grandeza desse time", disse.

"Fui muito bem recebido pelos atletas e pela comissão técnica, graças a Deus. Também pude fazer uma boa estreia, então fui muito bem recebido pela torcida. Confesso que, de torcida, foi o maior clube que eu já joguei. Lembro do primeiro jogo no Arruda, quando eu vi a torcida eu fiquei 'caraca, esse time é muito grande mesmo'. A adaptação foi ótima, eu poder chegar, fazer amigos, me soltar mais, porque na transição que eu tinha de base-profissional, quando eu ficava treinando e voltando, eu lembro que não consegui me soltar muito com os atletas, ser eu mesmo, porque por mais que eu fosse novo, sempre tive uma mentalidade diferente dos meninos da minha idade, sempre gostei de ser mais sério, mais tranquilo, brinco na hora que tem que brincar. O bom da minha chegada aqui é que não me trataram mais como um menino. No Goiás, na época da base para o profissional, eu ainda era visto como um menino da base. Aqui eu cheguei já como um atleta profissional, não tinha essa diferença quanto à minha idade. Ser tratado dessa forma para mim foi ótimo, eu pude amadurecer mais e fazer amigos. Foi ótimo para mim", prosseguiu.

"Torcida sempre é bom, tem pressão de ganhar jogo, de comandar o jogo quando estamos jogando em casa, só que eu me sinto confortável com eles lá. Para mim é até um gás a mais quando vejo a torcida gritando, pulando, quando eu vejo que os caras realmente vivem o Santa Cruz. Eu lembro de um jogo contra o Sport, fomos para a Arena Pernambuco, e foi a primeira vez que eu peguei um ônibus em que a torcida fechou o ônibus, os caras batendo no vidro 'Vamos, Santa Cruz!'. Eu quase chorei de verdade porque eu estava vivendo um sonho. Eu gosto muito de ver o Arruda daquele jeito, gosto de subir para o aquecimento e ver que a torcida já está está lá, eles jogam junto com a gente", finalizou.