Dentre os milhões de torcedores do Banco de Loucos do Corinthians, um deles fez questão de honrar tal apelido. Trata-se de Rodrigo Parente, ou Mano Língua, como é conhecido nas redes sociais.
O corintiano fanático percorreu mais de 10 mil quilômetros de moto do Rio de Janeiro até Quito, no Equador, durante 16 dias, para marcar presença no duelo decisivo na CONMEBOL Libertadores contra o Independiente del Valle nesta quarta-feira (7), às 19h (de Brasília), na altitude de 2.850 metros acima do nível do mar.
''Fiz isso porque eu acredito muito no clube e na classificação. Viver o Corinthians é isso. A gente faz loucuras porque temos que honrar o apelido de banco de loucos e eu sou um deles'', disse Mano Língua em entrevista ao ESPN.com.br.
Mano colocou o pé na estrada em 20 de maio e passou por Brasil, Argentina, Bolívia e Chile até finalmente chegar em Quito, capital do Equador.
E, como não podia ser diferente, perrengues não faltaram ao longo do caminho. Na Argentina, o torcedor encarou temperaturas abaixo de zero. Depois, ainda tentou passar pelo Salar de Uyuni, na Bolívia, conhecido por ser maior deserto de sal do mundo, mas não conseguiu e teve que dar meia volta.
''Eu comecei a entrar no Salar, e os guias me pararam falando que a minha moto não era adequada e que eu não ia conseguir atravessar com aquela moto. Eu acabei voltando e dei uma volta de mais de 500 quilômetros para não ter que passar por lá'', afirmou.
Só que o pior ainda estava por vir. Ao chegar no Chile, os dois pneus da moto de Mano Língua furaram. Sem conseguir encontrar um borracheiro para resolver o problema, o torcedor pediu ajuda nas redes sociais. E, para sua sorte, um outro corintiano o salvou.
''Eu postei que precisava de ajuda na cidade de Iquique, que fica no litoral do Chile. Quando eu estava lá um corintiano me salvou. Ele estava passando levando caminhões de Curitiba para Lima. Ele estava passando bem no momento que eu fiz a postagem e me salvou quando me ajudou a comprar o pneu. Ele me levou até a cidade que estava a minha moto, botamos a moto em cima do caminhão e andamos mais 270 quilômetros até a divisa do Chile com o Peru, onde eu consegui um borracheiro para trocar o meu pneu'', contou.
Apesar de todos esses percalços, Mano só pensou em desistir apenas uma vez: quando foi surpreendido por um terremoto ainda no Chile.
''Na hora do terremoto eu chorei muito. Naquele momento ali me deu vontade de desistir, mas como estouraram meus pneus eu não tinha como desistir. Eu não tinha sinal de celular, não pegava internet e não tinha o que fazer, mas o corintiano não desiste nunca'', lembrou.
''Enquanto há 1% de chance, ele acredita e é por isso que eu estou aqui hoje. Eu acredito nesse clube e acredito que nós vamos passar'', completou.
Rodrigo Parente nasceu em Ribeirão Preto, mas mora no Rio de Janeiro desde 1999. E, mesmo de longe de São Paulo, nunca deixou de acompanhar as partidas do Timão, já que distância nunca foi pedra no caminho (pelo contrário).
Corinthians 'reage'
O esforço do torcedor chamou atenção do próprio Corinthians. O clube publicou um vídeo de Mano Língua nas redes sociais com a seguinte mensagem: "20 dias de moto, do Brasil até o Equador, só pra ver o Coringão! O Mano Língua representou demais a Fiel!''.
2️⃣0️⃣ dias de moto, do Brasil até o Equador, só pra ver o Coringão!
— Corinthians (@Corinthians) June 6, 2023
O Mano Língua representou demais a Fiel! 🌎⚫️⚪️#VaiCorinthians pic.twitter.com/jwH7ZUnkGq
O corintiano, por sua vez, ficou emocionado com tal ''reconhecimento'' e afirmou que espera inspirar muitos outros ''loucos'' do banco.
''Eu fico feliz porque ele está reconhecendo o que eu faço pelo clube e o que eu quero é que daqui há uns 30 anos, alguém conte essa história ou alguém se inspire em mim e fale: ‘Há 30 anos atrás tinha um coringão louco que pega a motinho velha dele e saia para ver o Corinthians jogar''', disse.
''E que também não faça igual porque o que eu fiz é loucura, mas que faça algo parecido, que honre essa camisa e acredite sempre. O mais importante é acreditar porque o verdadeiro corintiano acredita até o fim'', concluiu.
