<
>

Brasil x Argentina não teve torcida dividida mesmo com alerta de risco; entenda 'jogo de empurra' entre PM e organizadores

A partida entre Brasil e Argentina, nesta terça-feira (21), válida pela 6ª rodada das eliminatórias para a Copa do Mundo, acabou tendo seu início atrasado em 30 minutos por conta de briga entre torcedores e polícia nas arquibancadas. E um 'jogo de empurra' aconteceu entre as partes envolvidas na organização, principalmente por conta da 'torcida mista'.

No dia 16 de novembro, houve uma reunião organizada pela FERJ - praxe para jogos no estado - onde foi alertada a bandeira vermelha de risco, devido à rivalidade entre torcidas e potenciais confusões no evento. A CBF não levou essa ata em conta e não buscou a FERJ para ajudar na organização, preterindo a federação do Rio de Janeiro.

No dia seguinte à reunião, a FERJ avisou as autoridades competentes sobre esse risco, "lavando as mãos" em cima do caso. A Confederação Brasileira de Futebol, no entanto, diz que a organização da partida é de responsabilidade do consórcio que administra o Maracanã, que recebe R$ 250 mil da entidade para a organização. Por sua vez, o consórcio buscou a Polícia Militar do Rio de Janeiro para definir a logística de segurança.

Em nota, a PM-RJ disse que a decisão de não dividir a torcida foi da organização do jogo, sem especificar quem seria o responsável no caso, o Maracanã ou a CBF.

"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que na noite desta terça-feira (21/11), policiais militares do Batalhão Especial de Policiamento em Estádios (BEPE) atuaram em uma confusão entre torcedores, durante a realização da partida entre Brasil e Argentina válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo, no Estádio do Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao todo, oito pessoas foram conduzidas ao Juizado Especial Criminal. De acordo com o comando da unidade, a confusão teve início durante a execução do hino nacional da equipe visitante", diz a nota.

"Cabe ressaltar que, não havia divisão entre torcidas nos setores do Estádio do Maracanã, por conta da venda de ingressos sem diferença entre as torcidas, o que foi definido pela organização do evento. Os agentes do BEPE atuam nos casos em que a situação não é prontamente controlada pela equipe de segurança particular, de acordo com protocolos estabelecidos pela organização da competição", completou a PM.

Segundo apurou a ESPN, os organizadores do evento (Maracanã e CBF) entendem que jogo de seleção não se divide torcida. E utilizaram o protocolo da Fifa como base para a partida do Maracanã. A CBF atribui também responsabilidade à PM.

"Só pra deixar claro pra todo mundo, a CBF não tem um ser na organização da partida. Nós contratamos o consórcio Maracanã que opera o Maracanã 70 vezes por ano. Toda operação era do consórcio. A PM participou de todas as reuniões, sabia como ia ser. Todos os jogos de seleções não têm divisão. Eles têm que considerar se há risco. Se eles determinam que há risco, eles têm que fazer o trabalho que eles fazem. Ninguém viu bandeira vermelha. A gente não faz policiamento, quem tem que medir o risco não é a CBF", isse Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF, na zona mista.

"A gente não participou da operação do jogo com ninguém. A gente está pagando pra jogar no Maracanã e a operação toda é do Maracanã e a segurança é da polícia. Se não daqui a pouco sai briga na rua e a culpa é nossa", completou.

O que a CBF disse sobre a confusão em comunicado oficial?

A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL vem prestar os seguintes esclarecimentos sobre os incidentes ocorridos no jogo Brasil x Argentina, realizado nesta terça-feira 21/11/2023, no Maracanã, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 2023.

É importante esclarecer que a organização e planejamento da partida foi realizada de forma cuidadosa e estratégica pela CBF, em conjunto e em constante diálogo com todos os órgãos públicos competentes, especialmente a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Todo o planejamento do jogo, em especial o plano de ação e o de segurança, foram sim debatidos com as autoridades públicas do Rio de Janeiro em reuniões realizadas entre as partes.

Os planos de ação e segurança foram aprovados sem qualquer ressalva ou recomendação pelas autoridades de segurança pública presentes (Polícia Militar RJ, SEPOL, Ministério Público, Juizado do Torcedor, Guarda Municipal, CET-RIO, Subprefeitura, Concessionária Maracanã, SEOP, etc.), dentre as quais a Polícia Militar do RJ, na primeira reunião realizada na sede da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), no dia 16 de novembro de 2023, às 11:00h. Além dos planos de ação e segurança, os participantes da reunião trataram também de toda a montagem da operação da partida, contando com a participação de todas as partes diretamente envolvidas e responsáveis pela organização da partida e autoridades públicas.

Na segunda (20), o plano operacional para o jogo foi igualmente aprovado sem qualquer ressalva ou recomendação na reunião realizada no Estádio Maracanã, com a presença da CBF, representantes da CONMEBOL, da Polícia Militar RJ, das empresas responsáveis pela operação do Maracanã, e que operam mais de 70 jogos no estádio por ano, e outras autoridades públicas.

A realização da partida com torcida mista sempre foi de ciência da Polícia Militar do RJ e das demais autoridades públicas, pois é o padrão em competições organizadas pela FIFA e CONMEBOL, como ocorre nas Eliminatórias da Copa do Mundo, na própria Copa do Mundo, Copa América e outras competições. Outros jogos entre Brasil e Argentina, até de maior apelo, como a semifinal da Copa América de 2019, também foram disputados com torcida mista. Não se trata de um modelo inventado ou imposto pela CBF.

Ou seja, todo o plano de ação e segurança foi elaborado e dimensionado já considerando classificação do jogo como vermelha e com a presença de torcida mista, tanto que atuaram na segurança da partida 1050 vigilantes privados e mais de 700 policiais militares da Polícia Militar RJ.

Portanto, a CBF reafirma que foram cumpridos rigorosamente o plano de ação, de segurança e operação da partida, tal qual foram aprovados pela Polícia Militar RJ e demais autoridades.

Por fim, a única recomendação recebida pela CBF de qualquer autoridade pública ao longo de todo o período que antecedeu a partida entre Brasil e Argentina, foi uma recomendação do Ministério Público, da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Ordem Urbanística da Capital, para que “NÃO realizem partidas de futebol no ano de 2023 com o formato de disponibilização da carga total de ingressos através de um tíquete eletrônico apresentado mediante exibição do aparelho de telefonia celular, tal como ocorrido na partida da final da Copa Libertadores no dia 04 de novembro de 2023” e que “Exijam no ano de 2023 dos torcedores que se aproximem das catracas a exibição de evidência física (tíquete de papel e/ou cartão de sócio torcedores) de que o torcedor possui um tíquete de ingresso para se aproximar das catracas do Estádio Mário Filho – Maracanã, de modo a evitar a invasão de torcedores que não possuam ingressos para assistir à partida.”

Entenda a briga

As cenas lamentáveis aconteceram antes mesmo do início do jogo. Torcedores das duas seleções entraram em confronto, e a polícia entrou em ação de forma violenta.

Na confusão, além de socos trocados, cadeiras foram destruídas e arremessadas de um lado para o outro. Policiais no local utilizaram cassetetes de contra os torcedores envolvidos na confusão.

A partida acabou tendo o início paralisado. Jogadores das duas equipes foram perto do local com o intuito de pedir calma. No entanto, o clima agressivo seguiu prevalecendo entre argentinos e policiais.

Diante de todo o cenário, os jogadores da argentina, liderados por Lionel Messi, se recusaram a jogar diante do ocorrido e voltaram para o vestiário. Depois da situação ter sido controlada, com torcedores presos e indo parar no hospital, o jogo enfim começou 30 minutos depois.

Próximos jogos do Brasil:

Próximos jogos da Argentina: