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Ronaldo fala sobre convulsão na Copa do Mundo de 1998 e alerta para importância da saúde mental: 'Talvez não tivesse acontecido'

Ronaldo e Zagallo após a derrota do Brasil na final da Copa do Mundo 1998 Getty Images

'Fenômeno' sofreu com o problema horas antes da final contra a França e fala que se preocupou com a opinião pública para não 'amarelar' e entrar em campo


Uma das maiores polêmicas da história da Copa do Mundo foi assunto na entrevista de Ronaldo no programa Podpah. O 'Fenômeno' não se esquivou sobre o episódio da convulsão sofrida horas antes da decisão entre Brasil e França, e jogou luz sobre a questão da saúde mental.

O artilheiro do penta alertou para a importância de acompanhamento psicológico e afirmou que a situação poderia não ter acontecido quase ele tivesse o conhecimento sobre o assunto que tem hoje.

"Queria nessa época entender muito mais sobre saúde mental, porque teria me tratado e teria sido muito bom pra mim. Talvez o episódio de 98 não tivesse acontecido se tivesse um tratamento e um acompanhamento psicológico diário ou semanal. Acho que a única explicação que tenho sobre o episódio de 98 é esse estresse emocional absurdo que é uma Copa do Mundo" ponderou Ronaldo.

O ex-atacante contou que a forma como a psicologia era tratada dentro do esporte e na sociedade era muito diferente há duas décadas e que nem mesmo os profissionais eram preparados para atender os atletas.

"Sempre tentava me isolar do mundo e tentar fazer meu melhor nos treinos, me isolar dos holofotes, porque era inevitável. Eu tinha que manter a minha concentração, meu foco. E não entendia absolutamente nada sobre saúde mental, que não era um assunto comentado na época. Tinham psicólogos nos clubes, mas eram mais motivacionais, não pra tratar uma pressão em cima de um atleta em um momento crucial como a Copa do Mundo".

Ronaldo também disse que não poderia perder aquela final de maneira nenhuma. O medo era passar a imagem de 'amarelão' ou 'pipoqueiro' para o mundo. Algo que não estava preparado para enfrentar com apenas 21 anos e já com todo o peso de ser o atual melhor do mundo nas costas.

"Como chega numa final da Copa do Mundo e não vai jogar. O que as pessoas vão falar de você? Que pipocou. Não! A única coisa que eu ter naquele momento era a certeza que minha vida não corria risco. Eliminei esse risco indo no hospital fazendo todos os exames e a partir dali tava me lascando pra qualquer outra coisa. Queria jogar. Ia jogar. Tinha que jogar. E mostrar que estava ali, não estava fugindo de p**** nenhuma e ia enfrentar. Essa dúvida sobre amarelar não queria correr de jeito nenhum", refletiu.

O 'Fenômeno' afirmou que estava bem na hora do jogo e tinha 90% das condições para atuar e disse que a França "atropelou" o Brasil. Ele também minimizou o efeito que a convulsão pode ter tido nos outros jogadores da seleção, mas que todos se esqueceram de tudo isso quando a bola rolou.

Dentro de campo, a França venceu por 3 a 0, com dois gols de Zidane e um de Petit, e se sagrou campeã do mundo pela primeira vez na história.