Manchester United divulgou a ‘rescisão amigável’ com o craque português de 37 anos nesta terça-feira (22)
Cristiano Ronaldo entrará para um seleto time nesta Copa do Mundo. O astro de Portugal teve a rescisão de contrato anunciada pelo Manchester United nesta terça-feira (22) e se junta a outros jogadores como um dos ‘desempregados’ a disputar o Mundial.
Atletas sem contrato durante o torneio foi algo até comum nas primeiras três edições da Copa nos anos 1930, em uma época ainda de transição do futebol amador para o profissional, mas se tornou cada vez mais raro com o passar dos anos.
Alguns deles tiveram papeis de destaques nos Mundiais. Tem campeão do mundo, melhor jogador da Copa e até ídolo do futebol inglês na lista. Os motivos são diversos: final de contrato, boicote, renovação complicada, volta de aposentadoria... houve até universitário que ainda não podia jogar profissionalmente com nenhum clube, mas esteve em um Mundial.
Alberto Tarantini é um dos casos mais famosos. Em 1978, o lateral-esquerdo foi titular da Argentina na conquista do primeiro título do país e marcou um gol na vitória contra o Peru, mas vivia um imbróglio no Boca Juniors. Sem assinar a renovação de contrato e sofrendo um boicote de outras equipes argentinas por pressão do Boca, acabou jogando o torneio sem estar vinculado a nenhum time.
Já Andre Ooijer não conseguiu ser outro 'desempregado' a levantar a taça. Já com 36 anos na época, o defensor da Holanda fez parte do elenco em 2010 mesmo após deixar o PSV. Ele ficou no banco na final contra a Espanha, mas atuou os 90 minutos na vitória contra o Brasil, por 2 a 1, nas quartas de final.
Frank Lampard passou pelo mesmo em 2014. O ídolo do Chelsea deixou o clube dias antes do início do Mundial e participou do vexame da Inglaterra, lanterna de seu grupo naquele ano. Acertou com o New York City mais de um mês depois.
Outro que acabou liberado pelo Chelsea e disputou uma Copa do Mundo logo depois foi Tony Cascarino. O atacante da Irlanda não teve o contrato estendido antes do torneio de 1994, nos Estados Unidos, e só acertou sua situação com o Olympique de Marselha depois do final da participação de sua seleção - ele só ficou 16 minutos em campo no torneio.
O caso de Zinedine Zidane diferente um pouco dos dois anteriores. O capitão da França em 2006 havia anunciado que se aposentaria depois da Copa e seu vínculo com o Real Madrid havia se encerrado com o fim da temporada europeia. 'ZiZu' foi eleito o craque daquela edição e se despediu dos gramados antes da hora: foi expulso pela famosa cabeçada no zagueiro italiano Marco Materazzi já na prorrogação da final.
Bobby Moore levantou a única taça conquistada pela Inglaterra como o capitão do time em 1966. O feito só foi possível por ele ter assinado a renovação com o West Ham momentos antes do início daquela Copa. Sem contrato, ele estaria inelegível para atuar - e teria entrado nesta lista. Com medo de perder seu líder, o técnico Alf Ramsey o convenceu a resolver a situação com o clube.
O caso mais curioso dos anos modernos é de Cha Du-Ri. Com 21 anos em 2002, foi escolhido por Guus Hiddink para estar no elenco da Coreia do Sul, a grande surpresa daquela Copa. Ele foi registrado apenas como jogador da Universidade da Coreia, O jogador foi titular na semifinal contra a Alemanha e entrou em outros três jogos. O atacante versátil foi transformado em lateral-direito e se transferiu para o Bayer Leverkusen na sequência.
Há ainda mais casos. Em sua primeira participação na Copa, o Canadá teve seis 'desempregados' em 1986, entre eles o capitão da equipe Bruce Wilson. O zagueiro Gary Breen deixou o Coventry antes de defender a Irlanda em 2002 e teve certo destaque. Juventus e Barcelona se interessaram pelo atleta e ele chegou a acertar com a Inter de Milão, mas não passou nos exames médicos e caiu no esquecimento.
Jogar sem clube também foram os casos de Tony Meola e Alexi Lalas, dois dos mais famosos jogadores dos Estados Unidos em 1994, mas eles não estavam desempregados. A Federação dos EUA contratou 12 atletas para treinar somente com a seleção na preparação para o campeonato em casa.
Mais jogadores 'desempregados' na Copa: Pat Jennings (Irlanda do Norte, em 1986), Akwá (Angola, em 2006), Kelvin Jack (Trinidad e Tobago, em 2006) Simon Elliott e David Mulligan (Nova Zelândia, em 2010), Craig Moore (Austrália, em 2010) e Jay DeMerit (EUA, em 2010).
