Equador estreia na Copa do Mundo 2022 neste domingo (20), às 13h (de Brasília), contra o Qatar
Neste domingo (20), a Copa do Mundo 2022 começa de forma oficial com a partida entre Qatar e Equador, às 13h (de Brasília), no Estádio Al Bayt, em Al Khor.
Antes da bola rolar, porém, as redes sociais estremeceram nos últimos dias com uma "notícia" bombástica: o Qatar teria oferecido um suborno de US$ 7,4 milhões (R$ 39,83 milhões) a oito atletas equatorianos para que eles perdessem a partida de propósito, levando um gol no 2º tempo e saindo derrotados por 1 a 0.
A "bomba" foi disparada no Twitter por Amjad Taha, que, em seu perfil @amjadt25, se descreve como "Especialista em assuntos políticos estratégicos" e "Chefe regional do Centro Britânico de Estudos e Pesquisa do Oriente Médio".
Rapidamente, a "notícia" tomou proporções assustadoras, sendo repercutida primeiramente por vários veículos de imprensa europeus.
Na sequência, o "escândalo" também ganhou as páginas de alguns dos principais jornais sul-americanos, especialmente no Equador.
Os textos foram se tornando cada vez mais rocambolescos. Alguns citavam o diário britânico Daily Mail como fonte da informação. Outros afirmavam que o autor do furo era o jornalista (o que ele não é) qatari (o que ele também não é) Amjad Taha. E alguns ainda falavam em "especialistas em Oriente Médio", mas sem dar nomes concretos.
Horas depois, porém, foi constatado que não passou de uma "boa" e velha fake news...
Como mostrou Marc Owen Jones, professor-adjunto da Universidade HBKU, do Qatar, Amjad Taha (que na verdade é do Bahrein) é uma espécie de influencer que se notabilizou nos últimos anos por espalhar boatos e causar desinformação nas redes sociais.
Ele costuma divulgar em suas redes, nas quais possui milhares de seguidores, mensagens pró-Israel e contrárias principalmente à Palestina e ao Irã.
Desde 2021 para cá, ele "noticiou", por exemplo, o falso assassinato de um ativista dos Emirados Árabes em Londres pelo grupo "Irmandade Muçulmana", uma série de "golpes de Estado" no Qatar (na qual usava vídeos de incêndios), e um suposto pouso de avião do grupo fundamentalista islâmico Hamas em um aeroporto no Afeganistão.
Nada disso, porém, aconteceu de fato.
"Sobre essa história do suborno do Qatar ao Equador, tudo começou com uma conta conhecida pela desinformação, que gerou milhares de retuítes", escreveu Owen Jones, em suas redes sociais.
"Esses rumores jamais devem ser levados à sério. Até porque boatos de manipulação de jogos podem deixar tudo nebuloso para todos os times envolvidos. E o fato das pessoas terem reportado mostra que a estratégia [de espalhar fake news] funcionou", seguiu.
"Então, faço um pedido aos jornalistas: não reportem boatos. Ao fazerem isso, vocês estão legitimando o rumor e caindo na estratégia de quem está por trás das coisas. Reporte isso como uma campanha de desinformação e sem credibilidade", completou.
"A internet é um lugar perigoso"
A tuitada de Amjad Taha enfureceu os treinadores de Qatar e Equador antes do jogo de abertura da Cop.
No último sábado (19), o comandante da seleção qatari, o espanhol Félix Sánchez, foi perguntado sobre as fake news envolvendo o duelo contra os equatorianos e fez forte discurso contra elas.
"Há um monte de desinformação sendo divulgada. A internet é uma coisa muito boa, mas também é muito perigosa, quando olhamos de um certo ponto de vista", afirmou.
"Por muitos e muitos anos, a gente não fez nada além de treinar e se preparar (para a Copa). Esse time está junto, unido, forte e coeso, e ninguém vai conseguir nos desestabilizar com essas coisas. Então, não seremos afetados por isso", prometeu.
O treinador ainda disse que aconselhou seus jogadores a não lerem notícias sobre o suposto suborno oferecido ao Equador.
"Estamos focados apenas no jogo, em controlar nossas emoções e não levar nada mais em conta. A melhor coisa que pode acontecer a um time ou a um jogador é se manter calmo, fugir de todo tipo de boato e ruído ao redor e focar", ensinou.
