O goleiro da Sérvia é nascido na Espanha e foi campeão mundial sub-20 sobre o Brasil
Após ser castigado pelo Brasil - com dois gols de Richarlison - na estreia da Copa do Mundo, Vanja Milinkovic-Savic busca ajudar a Sérvia a conseguir a primeira vitória e se manter viva na competição. A equipe do goleiro enfrentará Camarões, nesta segunda-feira, às 7h (de Brasília).
Com 2,02m, o arqueiro de 25 anos é filho de um ex-meio campista de carreira discreta e de uma ex-jogadora de basquete. Nascido na Espanha, pois seu pai atuava no futebol espanhol, ele morou depois em Portugal e na Áustria até mudar-se para a Sérvia, em 2006.
Durante a infância, Vanja alternou entre os dois esportes e gostava de ser atacante, tendo como ídolo Zlatan Ibrahimovic. No entanto, foi para o gol por não gostar de correr.
O jovem estudou design gráfico no ensino médio, mas começou a levar o futebol de forma mais séria quando entrou na base do Vojvodina, sendo considerado um arqueiro muito promissor. Tanto é que no meio 2014 foi contratado pelo poderoso Manchester United por quase dois milhões de euros.
O problema é que o sérvio não conseguiu a autorização de trabalho no Reino Unido e nunca defendeu a equipe inglesa. Ele precisou voltar à Sérvia por empréstimo ao Vojvodina, pelo qual estreou profissionalmente com apenas 17 anos.
Em 2015, ele era reserva da seleção que venceu a final do Mundial sub-20 em cima do Brasil, que tinha Gabriel Jesus e Andreas Pereira. O principal craque da competição foi justamente seu irmão, Sergej.
Depois de um ano e meio de contrato com o United, Vanja rescindiu o vínculo com a equipe inglesa e foi para o Lechia Gdansk, da Polônia, no começo de 2016. Com boas atuações, chamou atenção de Ajax e Benfica, mas foi contratado pelo Torino.
"Era muito alto mesmo e forte. Ele era um cara mais na dele e fechado quando chegou à Itália. Conversava mais com os sérvios", disse Carlão, ex-zagueiro do time italiano, ao ESPN.com.br.
O goleiro chegou para ser reserva de Salvatore Sirigu, mas caiu nas graças do técnico sérvio Sinisa Mihaijlovic, que o ajudou a desenvolver ainda mais o jogo com os pés, uma de suas marcas registradas.
"O treinador batia muito bem na bola e cobrava falta muito bem no Vanja. Ele aprendeu com isso".
Tanto é que o goleiro resolveu cobrar uma falta de 30 metros de distância durante o fim do segundo tempo da vitória do Torino por 2 a 0 contra o Carpi pela Copa da Itália em 2017. Ele quase marcou um golaço com um chute venenoso, porém, a bola explodiu no travessão.
"Nos treinos ele batia pênaltis com muita força e brincava de cobrar falta. Ele bate muito bem na bola e com muita força. Nunca achei que ele iria levar à sério e cobrar uma falta durante um jogo (risos)", disse Carlão.
Como atuava pouco, Vanja foi emprestado nas temporadas seguintes para Spal, Ascoli e Standard Liège, mas pouco atuou. De volta ao Torino, o sérvio precisou esperar mais um ano no banco até receber a chance que tanto almejava.
Com a saída de Sirigu, Vanja virou o titular, mas sofreu com muitos altos e baixos. Em janeiro do ano passado, ele fez gol na decisão por pênaltis contra o Milan durante as oitavas de final da Copa da Itália. O arqueiro chutou forte e no alto, mas a equipe de Turim foi eliminada após a derrota por 5 a 4.
Na atual temporada, porém, se firmou no Torino e ganhou espaço na seleção, mesmo tendo uma forte concorrência, pois o treinador da Sérvia chamou oito goleiros nos últimos anos.
"Pela altura, ele sai muito bem do gol. Quando chegou, não tinha tanta mobilidade, mas hoje evoluiu muito. É um goleiro de muita potência. O lançamento dele saía com muita força", finalizou Carlão.
