Newcastle e Barcelona abrem o confronto pelas oitavas de final da Champions League nesta terça-feira (10), no norte da Inglaterra, em uma partida que aconteceu só cinco vezes em toda a história.
Os clubes, porém, serão eternamente ligados por uma transferência que não existiu e beneficiou ambos os lados.
Para entender a história, é preciso voltar ao verão europeu de 1996. Bobby Robson, inglês que na época dirigia o Barcelona e tinha o português José Mourinho como auxiliar fixo, vasculhava o mercado atrás de um atacante. A meta era preencher uma lacuna aberta desde a saída de Romário para o Flamengo, no ano anterior.
Robson, então, apontou o predileto para a função: Alan Shearer, camisa 9 da seleção inglesa e também do Blackburn, que havia acabado de conquistar o título da Premier League. O Barcelona buscou informações e ouviu do clube que a chance de negócio era zero, então partiu para o plano B: Ronaldo.
"Sir Bobby assinou com ele [Ronaldo], mas quis me contratar antes", revelou o próprio Shearer, em um programa na BBC de Londres. "Bobby me contou a história quando treinou o Newcastle".
"Ele me disse: 'Fui em você primeiro, mas o Blackburn disse que não estava à vontade, mas duas ou três semanas depois você foi para o Newcastle. Como eles disseram enfaticamente que não te venderiam, fomos atrás do Ronaldo'", continuou o ex-atacante inglês.
Muito antes de ganhar o apelido de "Fenômeno", que o acompanharia pelo resto da vida, Ronaldo era um garoto de 19 anos que fazia imenso sucesso no PSV e despertava interesse nos maiores times da Europa. O Barça se antecipou e topou pagar as 13 milhões de libras esterlinas que os holandeses pediam.
O curioso da história é que, dias depois de Ronaldo desembarcar no Barcelona, Shearer mudou de clube: trocou o Blackburn pelo Newcastle por mais dinheiro (15 milhões de libras). Arrependimento? Não para os dois lados.
A única temporada de Ronaldo no Barça foi avassaladora: 47 gols em 49 jogos do brasileiro, com direito aos títulos da Copa do Rei, da Supercopa da Espanha e da Recopa da Uefa. O desempenho garantiu ao craque o prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa, em 1996, e também a Bola de Ouro da France Football, em 1997.
Enquanto isso, bem longe dali, Shearer construiu uma história inesquecível pelo Newcastle. Foram dez anos pelo clube alvinegro até a aposentadoria, em 2006, com direito a 206 gols em 405 partidas. A idolatria rendeu ao artilheiro até uma estátua de bronze em frente ao St. James Park, casa dos Magpies.
"Deu tudo certo no fim. Ele contratou o cara certo", admitiu Shearer, após ouvir a história pela primeira vez.
