Manchester City e Inter de Milão decidirão a Champions League no próximo sábado (10) separados por um abismo financeiro de exatos 422 milhões de euros (R$ 2,2 bilhões na cotação atual), diferença de quanto o clube inglês faturou a mais do que sua adversária na última temporada.
Há nem tanto tempo atrás, no entanto, o cenário era bem diferente, com a equipe italiana conseguindo ser mais “rica” mesmo na área do dinheiro do fundo dos Emirados Árabes dono do City.
Quando o sheik Mansour Bin Zayed Al Nahyan comprou o City, em 2008, a Internazionale estava entre os dez clubes mais ricos do mundo, segundo levantamento anual da consultoria Deloitte. Foram 196,5 milhões de euros em receitas na temporada 2008/09, na nona maior arrecadação do futebol. A equipe de Manchester, por sua vez, era só a 19ª, com 102,2 milhões de euros.
Só que por mais dois anos depois disso, a Inter de Milão seguiu ganhando mais dinheiro do que aquele que será seu rival pelo título europeu. Tanto na temporada 2009/10, quanto em 2010/11, os italianos se mantiveram no top 10 dos mais ricos do futebol, faturando, respectivamente, 224,8 e 211,4 milhões de euros. Já o City não arrecadou mais do que 170 milhões de euros nos dois anos.
De 2011 em diante, no entanto, um ano após a Inter se campeã da própria Champions, o City nunca mais faturou menos do que o clube de Milão. A diferença foi crescendo ano a ano até que, na temporada 2021/22, o time de Manchester foi o mais rico do futebol pela segunda vez seguida.
A arrecadação do Citizens foi de 731 milhões de euros (R$ 3,8 bilhões na cotação atual), em valor que não considera a venda de jogadores. Já a Inter ocupou apenas o 14º lugar no ranking elaborado pela Deloitte, com 308,4 milhões de euros em receitas (R$ 1,61 bilhão).
Boa parte da explicação, claro, está na chegada do dinheiro vindo de Abu Dhabi aos cofres do City, mas não só isso. A explosão dos valores recebidos pela venda dos direitos de transmissão aos clubes da Premier League ampliou o abismo existente para as demais ligas da Europa.
Como comparação, em 2010, último ano que a Inter foi mais que o City, 58% de seu faturamento veio de verbas de direitos de transmissão (124,4 milhões de euros) – 26% através de contratos comerciais (54,1 milhões de euros) e 16% do chamado “matchday” (€ 32,9 milhões).
A Deloitte já alertava para os riscos para a Inter, mas também para as demais equipes italianas. "O desafio para os Nerazzurri, assim com os outros clubes italianos que figuram no relatório Money League, é aumentar as receitas de outras fontes para evitar serem deixados para trás".
Naquela temporada, o top 10 dos mais ricos do mundo já tinha maioria inglesa, com quatro clubes (Manchester United em 3º, Arsenal em 5º, Chelsea em 6º e Liverpool em 9º), mas o topo era de Real Madrid e Barcelona, respectivamente; Milan e Inter de Milão apareciam no 7º e 8º lugares e ainda havia a presença de dois times da Bundesliga: Bayern de Munique em 4º e Schalke 04 em 10º.
Já no último relatório divulgado pela Deloitte, referente à temporada 2021/22, seis clubes do top 10 são ingleses (sendo que o City lidera, o Liverpool é 3º, e o United, 4º) e não há nenhum italiano – Real Madrid (2º), PSG (5º), Bayern (6º) e Barcelona (7º) são os únicos "intrusos".
O clube da Itália mais bem colocado em termos de faturamento foi a Juventus, na 11ª colocação, atrás ainda de Chelsea, Tottenham e Arsenal. A Inter apareceu no 14º posto.
Entre os 25 clubes mais ricos do futebol na última temporada no relatório da Deloitte, 16 eram da Inglaterra, em um faturamento somado de 5,82 bilhões de euros (R$ 30,5 bilhões). Somente três eram da Itália, que juntos arrecadaram apenas 973,9 milhões (R$ 5,1 bilhões).
Olhando apenas para o topo da pirâmide do futebol europeu, os cinco mais ricos da Espanha, que somaram 2,1 bilhões de euros (R$ 11 bilhões) e os três maiores faturamentos da Alemanha (1,21 bilhão de euros ou R$ 6,3 bilhões), todos superaram as finanças dos gigantes da Itália.
Se a Inter estará em posição de competir em campo com o City pelo título europeu, no patamar financeiro, o clube que está mais próximo de sua realidade financeira é o West Ham, que faturou 301,5 milhões de euros (R$ 1,58 bilhão) – curiosamente, o clube de Londres também tenta um título da Uefa, nesta quarta-feira (7), contra a Fiorentina, na Conference League, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ às 16h (horário de Brasília).
