Neste sábado (10), Inter de Milão e Manchester City se enfrentam na grande final da Uefa Champions League, às 16h (de Brasília), em Istambul.
Esse será apenas o 2º encontro entre os clubes em toda a história, e o 1º considerado "oficial".
Anteriormente, Inter e City se encontraram somente em uma partida amistosa, realizada em 1º de agosto de 2010, em Baltimore, nos Estados Unidos, como parte de uma turnê de pré-temporada.
À época, os "papéis" dos times no futebol europeu eram muito diferentes.
Os italianos eram os atuais campeões da Champions, vindo de triunfo sobre o Bayern de Munique na grande decisão de 2009/10, e possuiam um dos elencos mais fortes e recheados do continente (apesar da saída do técnico José Mourinho, que foi substituído por Rafa Benítez após ir para o Real Madrid).
Já os ingleses haviam sido comprados pelos petrodólares de Abu Dhabi, mas ainda não tinham dado início à sua dinastia de taças. Antes da temporada 2010/11, o clube começava a solidificar o elenco que ganharia uma série de títulos nos anos que viriam, mas os troféus ainda não passavam de sonhos.
Essas situações ficaram claríssimas no amistoso daquele agosto de 2010.
Mesmo jogando com um mistão, com apenas Javier Zanetti, Esteban Cambiasso, Christian Chivu e Goran Pandev de titulares, a Inter de Milão passou o carro e massacrou por 3 a 0. O jogo ainda marcou a estreia do brasileiro Philippe Coutinho pelos nerazzurri.
O que acabou ajudando bastante o time de Milão foi que o City jogou praticamente toda a partida com 10 em campo, já que o veterano Patrick Vieira levou vermelho direto após acertar uma cotovelada em Marco Materazzi, logo aos 24 minutos de jogo.
O nigeriano Victor Obinna, aposentado desde 2018, fez os dois primeiros dos interistas, em boas tramas de ataque. Mas o último tento seria o mais bonito.
Aos 29 do 2º tempo, o brasileiro Mancini bateu escanteio e achou o jovem lateral Cristiano Biraghi, de apenas 17 anos, que havia acabado de ser promovido ao elenco principal da Inter.
O garoto, que estava iniciando sua carreira, acertou um chute simplesmente maravilhoso, na gaveta do goleiro Shay Given, e fechou o placar do amistoso com uma pintura (assista aos gols no vídeo acima).
Na comemoração, Biraghi chorou muito e foi abraçado por seus companheiros, ficando visivelmente emocionado ao anotar seu 1º gol como profissional.
O lateral, portanto, carrega até hoje o "título" de ter sido o último jogador da história da Inter e ter balançado as redes do Manchester City, há 13 anos.
Por onde anda Biraghi?
Apesar de ter se destacado naquele amistoso contra o City, Biraghi recebeu pouquíssimas chances na Inter durante a temporada 2010/11, em que a equipe ganhou três títulos: Mundial de Clubes, Copa da Itália e Supercopa da Itália.
Ao longo de toda a temporada, o prata-da-casa entrou em campo apenas duas vezes com a camisa azul e preta, em partidas da fase de grupos da Liga dos Campeões.
"Ele jogava muito pouco, porque era muito jovem na época. Além disso, nossa linha defensiva era a mesma da temporada anterior", lembrou o ex-meia-atacante Mancini, em entrevista à ESPN, citando nomes como Maicon, Lúcio, Zanetti, Walter Samuel, Chivu e Materazzi, todos campeões da "Tríplice Coroa" em 2009/10.
Com isso, a Inter decidiu emprestar Biraghi para ele ganhar rodagem. E, pelo tanto que ele rodou, a experiência veio...
Entre 2011 e 2017, ele passou por Juve Stabia, Cittadella, Catania, Chievo, Granada e Pescara antes de chegar à Fiorentina, clube pelo qual finalmente conseguiu se firmar na carreira.
Atualmente com 30 anos, o atleta é titular absoluto da ala esquerda da Viola, vindo de temporada espetacular: 3 gols e 12 assistências em 51 partidas até agora.
Na próxima quarta-feira (7), aliás, ele estará em campo na finalíssima da Uefa Conference League, contra o West Ham, às 16h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Na atual temporada, Biraghi ainda foi vice-campeão da Copa da Itália, sendo derrotado na decisão justamente pela Inter de Milão, clube que o formou para o futebol.
Mancini torce por "surpresa" da Inter
Companheiro de Biraghi na Inter de Milão de 2010/11, Mancini admite o favoritismo do City na final da Champions League.
No entanto, ele ressalta que os nerazzurri também possuem méritos em alcançar a decisão continental.
"Vou torcer para a Inter, mas vejo o City como grande favorito ao título. Por ser partida única, é um jogo que tudo pode acontecer, mas o favoritismo total é do City", argumentou.
"O City tem um time melhor, tem os melhores jogadores individualmente e taticamente também é melhor. A Inter melhorou muito nos últimos tempos e evoluiu no esquema de três zagueiros do (técnico Simone) Inzaghi", observou.
"Vai ser um jogo duro, mas espero que a Inter possa surpreender. O time tem condições de brigar. Não chegou a uma final de Champions à toa. Teve méritos e, na semi, ganhou do Milan duas vezes no clássico. Espero que, acima de tudo, seja uma final divertida de se ver", encerrou.
