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Formação com Guanaes, 'lobby' de capitão por seleção e inspiração em Kane: como brasileiro virou 'sensação' na Bundesliga

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Em alta no RB Leipzig, Rômulo revela paixão pelo Santos e idolatria por Neymar: 'É o cara que me fez apaixonar pelo futebol' (0:21)

Jogador concedeu entrevista à ESPN (0:21)

Rômulo ainda não tem um semestre no RB Leipzig e fez apenas 11 jogos, mas já foi tempo o suficiente para ganhar moral com a torcida e dentro do elenco. Não à toa, o capitão da equipe e lateral da seleção alemã, David Raum, chegou a ‘cornetar’ Carlo Ancelotti e dizer que o companheiro deveria ser convocado pelo Brasil.

“A gente conversa sempre sobre isso, sobre seleção. Ele fala que um dia eu com certeza vou estar lá, para ter paciência, seguir trabalhando. Depois que eu vi a entrevista só confirmou o que a gente sempre falou. Agora minha família é fã número 1 do David Raum, eu sou o primeiro, ele já vem logo depois”, brincou o atleta formado no Athletico-PR e que assinou com o clube alemão até 2030.

Em dez jogos no Bundesliga, Rômulo já tem números chamativos: quatro gols e três assistências. Aliás, estes poderiam até ser melhores, não fosse uma lesão que o tirou de ação das últimas quatro rodadas - ele agora vive a expectativa de retornar contra o Bayer Leverkusen, neste sábado, às 14h30 (de Brasília).

Assim, o brasileiro tem correspondido à expectativa criada por alguém contratado por 20 milhões de euros (R$ 129,4 milhões na cotação atual), após uma passagem de destaque na Turquia. Ele foi ao Göztepe no começo de 2024, quando o time ainda estava na segunda divisão nacional, contribuiu no acesso e teve uma ótima campanha em 2024-25, quando somou 17 gols e dez assistências em 33 partidas.

Porém, mais do que os números, o atacante se destaca pelo jogo sem bola, algo muito valorizado no futebol alemão, ainda mais no RB Leipzig. Para uma qualidade que ele mesmo destaca ao falar de seu estilo de jogo, Rômulo teve um grande mentor na figura de Rafael Guanaes, melhor técnico do Brasileirão 2025 na seleção do Bola de Prata, após levar o Mirassol ao quarto lugar na estreia do clube na elite do futebol nacional.

“Aprendi muito sem a bola com ele, sempre dava os toques do posicionamento, de quando a gente tinha a posse, mas eu estou sem a bola, para me posicionar e para marcar. Todos têm que marcar e se ajudar, ainda mais em uma liga top 5, em que a intensidade é alta. Se a gente lá na frente não está fazendo a pressão boa, com certeza eles vão chegar no nosso gol”, disse o atacante, que trabalhou com Guanaes no sub-20 do Athletico-PR.

“Do tempo que eu tive na base, acredito que foi um ano ou um ano e meio, foi um dos melhores treinadores que eu tive, de ideias, de saber sobre o jogo, a inteligência sobre o jogo, e é um ser humano incrível, é uma pessoa muito boa, tem um coração gigante, é um paizão”.

Além dos ensinamentos absorvidos com o antigo treinador, Rômulo também tem Harry Kane como modelo. Não só pelos gols, mas também no posicionamento e na entrega quando seu time não tem a posse.

“Outro dia eu até brinquei com o meu empresário que a gente estava vendo o documentário do Tottenham e tem a situação que o Mourinho fala que o Harry Kane treina todo dia como um leão. Aí eu brinquei com ele: 'se o Harry Kane treina assim, eu não vou treinar?' Então tem que se inspirar nesses caras, que são o top do mundo, e fazer o melhor”.

Autor de 114 gols em 120 jogos pelo Bayern de Munique, Kane é só mais um exemplo de centroavante que tem brilhado na Bundesliga nos últimos anos, como foram os casos de Robert Lewandowski, Erling Haaland, entre outros. Isso, inclusive, foi um ponto determinante no meio de 2025, quando Rômulo decidiu qual seria o passo seguinte em sua carreira.

“Para ser bem sincero, teve muitas propostas, de todas as cinco grandes ligas, mas o que fez abrir os olhos para cá foi como eles desenvolvem centroavantes, essa formação, o tanto de transferência que tem daqui para a Premier League, que hoje acho que é o top 1 do futebol”.

“Teve o Fulham que foi interessante, mas conversei com minha família, minha esposa e achamos que não era o momento lá agora, e acho que vir para cá foi a escolha certa”.

A torcida do Leipzig e o seu capitão, definitivamente, também gostaram da escolha.

O jornalista viaja à Alemanha a convite do RB Leipzig.