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Rico PSG tem um novo patrocinador: Ruanda, um dos países mais pobres do mundo

O Paris Saint-Germain anunciou, na última quarta-feira, seu novo patrocinador: o governo de Ruanda. O país africano tentará promover o turismo e para isso pagará milhões para aparecer em camisas de aquecimento e placas de publicidade do time masculino, além da manga do time feminino .

De acordo com o jornal parisiense Le Figaro, os valores estão na casa dos 10 milhões de euros (cerca de R$ 46 milhões) por três temporadas.

Dessa forma, um dos países mais pobres do mundo agora patrocina um dos clubes mais ricos do mundo. O PSG, inclusive, é propriedade do governo do Catar, terceiro país com maior produto interno bruto por habitante (PIB per Capita) do planeta.

Ruanda, por outro lado, está apenas em 165º na lista feita pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em 2015. O país africano é também o 158º de 189 países no ranking de desenvolvimento humano (IDH).

Mas como isso aconteceu?

O Rwanda Development Board, órgão do governo responsável pelo desenvolvimento, acredita que investindo em marketing, o pais poderá aumentar seu faturamento.

E o futebol não é um alvo novo. Em 2018, o país já havia fechado acordo de três anos e 35 milhões de euros (cerca de R$ 162 milhões) com o Arsenal para estampar a manga do uniforme de jogo.

Presidente 'torcedor'

Os investimentos foram alvo de críticas na Europa, principalmente pelo fato de que Ruanda ainda recebe ajuda externa de organizações internacionais. Pouco menos de 20% do orçamento do país vem de auxílio internacional.

Parte desse dinheiro, agora, ajuda a sustentar os salários milionários de PSG e Arsenal.

Há ainda controvérsias quanto à governança de Ruanda. O presidente Paul Kagame está no cargo desde 2000. O ex-militar, líder das forças rebeldes que acabaram com o genocídio no país em 1994, foi reeleito em 2017 com quase 99% dos votos num pleito criticado por irregularidades.

Kagame também é um assumido torcedor do Arsenal – clube que seu governo patrocina – e costuma comentar os jogos do clube nas suas redes sociais, assim como Clara Akamanzi, CEO do Rwanda Development Board.

A responsável pelos investimentos no futebol, contudo, garante que nada têm a ver com sua preferência pelos Gunners.

“Quem critica nosso acordo com o Arsenal argumentando que Ruanda é pobre e receptor de ajuda, ou deseja que Ruanda seja perpetuamente pobre ou não entende que em qualquer negócio os gastos com marketing são um componente chave dos investimentos da empresa”, afirmou Akamanzi, à época, em suas redes sociais.

“Para os que perguntam se os fundos de promoção do turismo deveriam ser usados para água ou eletricidade, deixe que eu os explique: as infraestruturas são importadas. O turismo é nossa fonte número um de renda. Quanto mais ganhar Ruanda com o turismo, mais poderemos investir em nossa gente”, justificou.

Concordando ou não, a frase “Visite Ruanda” estará visível, em inglês, nos jogos de PSG e Arsenal, assim como outras ações de marketing, como o oferecimento de chá e café ruandeses no Parque dos Príncipes, ou a viagem do zagueiro brasileiro David Luiz para conhecer gorilas no país.