Beto Pereira, Deputado Federal pelo PSDB (MS), convocou a realização de uma audiência pública para discutir os entraves a respeito da criação de uma liga no futebol brasileiro.
Em documento, o político convidou Alessandro Barcelos, presidente do Internacional e da FFU (Futebol Forte União), Silvio Matos, CEO da Libra, os presidentes do Grêmio e do Sport, além de representantes da Série B, da CBF e do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A justificativa para a convocação da audiência pública é o excesso de polêmicas envolvendo a FFU e a Libra, dois blocos responsáveis pela venda dos direitos de transmissão dos clubes, e que foram criados com a esperança de que houvesse uma união entre as equipes para que uma liga no Brasil finalmente saísse do papel.
No documento, o deputado cita a polêmica envolvendo o Sport Recife e a FFU, na qual o clube acusa o bloco de “aprisionar” os times em uma relação jurídica “desigual” e que fere a Lei Geral do Esporte. Além disso, outros 18 times da Série B teriam demonstrado “profunda insatisfação” com a FFU por conta da condução das negociações comerciais.
De acordo com o manifesto dos clubes, o bloco tem uma “centralização excessiva das decisões e o distanciamento da liderança em relação às demandas da Série B exigem uma reformulação imediata”, além de terem preocupação com “o fato dos Investidores da FFU e a agência nomeada (LiveMode) manterem participações societárias entre si e com um canal próprio(...) o que gera dúvidas quanto à imparcialidade das decisões e à efetiva defesa dos interesses dos clubes.”
Já no caso da Libra, o deputado aponta a crise envolvendo o bloco e o Flamengo, que travam na justiça uma “batalha” após o clube carioca pedir o bloqueio em repasses milionários aos demais times do bloco. O entrave financeiro tem gerado problemas internos e manifestações de saídas de clubes como Vitória, Atlético-MG e Grêmio.
O Flamengo entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ/RJ) pedindo o bloqueio do repasse de R$ 77 milhões aos demais times do bloco, entendendo que a divisão da parte da verba distribuída pela Libra por audiência era injusta.
O cálculo rubro-negro é que, no modelo proposta pela Libra, o Flamengo receberia cerca de 10,41% da receita proveniente dessa variável, enquanto considera que detém 47% da torcida dos clubes do bloco. Na interpretação carioca, por tanto, o time estaria recebendo menos do que tem direito.
O imbróglio impactou diretamente em clubes que, com necessidades maiores, contavam com esse dinheiro e gerou desgaste com o Flamengo. O incômodo é com a intransigência do clube na mesa de negociação, principalmente com relação a valores.
A ESPN trouxe na última sexta-feira (27) uma reportagem completa a respeito de como o comportamento do Flamengo nos bastidores, somado à necessidade financeira dos clubes, tem gerado problemas para a Libra, que tenta se organizar neste meio tempo e promover novas receitas aos times do bloco.
