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Flamengo no topo, mas não sozinho: quais clubes mais usaram jogadores da base no Brasileirão?

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O Campeonato Brasileiro novamente foi palco, em 2025, para o surgimento e a maturação de diversos novos talentos. Em meio ao calendário extenso e às inevitáveis baixas por lesões, a presença de jovens revelações nas equipes foi destaque, sendo oito os times que utilizaram pelo menos dez atletas oriundos das categorias de base.

Nesse recorte, os clubes que mais se destacam são o Flamengo e o São Paulo, ambos com 17 jogadores formados no clube utilizados ao longo da competição. O clube rubro-negro, inclusive, foi com um time repleto de jogadores do sub-20 contra o Mirassol no jogo final, após a confirmação do título na rodada anterior. Já no caso tricolor, em que pese também a presença de nomes experientes como Lucas Moura e Oscar nessa lista, o predomínio é para jovens como Matheus Alves, Lucas Ferreira e Ryan Francisco, esses três todos tendo subido para o profissional neste ano.

Na sequência, vem o Corinthians, com 13 crias da base em campo, sendo o volante Maycon o mais experiente de todos, e logo depois o Santos (12) e o Palmeiras (11). No Peixe, o mais experiente é Neymar, que retornou ao clube nesta temporada. Cruzeiro, Internacional e Vasco vêm logo na sequência, com 10 crias da base acionadas em cada clube. No caso da Raposa, as principais ressalvas são os casos de Fabrício Bruno, Lucas Silva e Dudu, todos próximos à casa dos 30 anos e que retornaram ao clube após carreira consolidada.

Historicamente conhecido pela sua formação, o Santos revelou, em 25 anos, duas gerações marcantes: “Robinho e Diego, Neymar e Ganso” e nomes importantes como Rodrygo e Gabigol. “O futebol tem uma razão especial, que é a ação social. Meninos e meninas buscam nas grandes equipes uma oportunidade de vida, e nós temos o dever de oferecer isso. É um erro um clube planejar suas divisões de formação apenas pensando no placar. O Santos tem que continuar sendo referência em revelar talentos para transformar vidas”, afirma Marcelo Teixeira, presidente do clube.

Já no caso do Internacional, o diretor geral das categorias de base do clube, Luiz Caldas Milano Junior, destaca a política para transição dos jovens jogadores no Colorado: "Temos um compromisso constante de preparar nossos atletas para a transição ao elenco profissional. Cada jovem recebe acompanhamento individualizado, técnico e psicológico para que possa evoluir gradativamente. Sabemos que o futebol é imprevisível e a oportunidade pode aparecer quando menos se espera. Por isso, nosso objetivo é prepará-los de forma integral para que, quando eles receberem essa chance, possam ter tranquilidade para entrar em campo e performar em alto nível”.

Ainda no Sul, o Juventude acelera sua estratégia para ampliar o desenvolvimento e a projeção internacional de seus jovens atletas. Um passo decisivo nessa linha foi a parceria firmada com o Osasuna, da Espanha, que levou quatro jogadores do sub-20 para um intercâmbio de um mês. Entre eles estava Marlon Santos, já integrado ao elenco profissional antes da viagem. O atacante retornou mais preparado e confiante, reforçando a aposta do clube em um modelo que combina formação, internacionalização e oportunidade.

No Sport, o jovem Zé Lucas, de apenas 17 anos, se destacou na temporada e somou 34 partidas na equipe principal do Leão, sendo destaque também nas seleções de base e despertado o interesse de grandes clubes europeus. “O caso de atletas como o Zé Lucas é o reflexo direto de um trabalho estruturado e contínuo. O investimento feito pelo clube nos últimos anos, tanto em estrutura quanto em metodologia, tem sido fundamental para que esses talentos se desenvolvam dentro de um ambiente de alto nível”, afirmou Lucas Nóbrega, coordenador de captação das categorias de base do Sport.

A promoção de jovens atletas ao profissional, entretanto, também fomenta o debate em torno do tempo necessário para a maturação desses jogadores. No Fluminense, por exemplo, equipe com seis crias da base utilizados no Brasileirão 2025, o treinador Luis Zubeldia recentemente defendeu a importância de ter paciência na transição dos atletas da base para o profissional, após questionamentos de torcedores para dar mais espaço no time às jovens promessas.

“O processo hoje em dia no futebol está muito rápido. Não te deixam formar com tranquilidade os jogadores juvenis. Todo o entorno lhe faz crer que é a figura, o melhor. E vem o empresário, o pai, a mãe, o irmão, os meios de comunicação, as redes sociais e fazem o mesmo”, detalhou à época.

Nesse sentido, Mariah Theodoro, psicóloga da Volt Sports Science, plataforma de saúde e serviços para atletas de futebol, endossa a análise e ressalta que, além da necessidade do tempo de maturação para os jovens atletas, também é importante a realização de um trabalho psicológico para blindá-los do entorno a fim de que possam manter um desenvolvimento saudável.

“É fundamental cuidar do atleta por inteiro – nas esferas técnica, emocional e social –, e o psicológico é a base para que ele não se deixe levar por ruídos externos. Quando o ambiente inteiro entende que o desenvolvimento não é uma linha reta, o atleta se sente seguro para crescer sem pânico ou urgência. Isso reduz a ansiedade, diminui o ruído externo, e aumenta o desempenho real. Por isso dizemos que é fundamental intervir de forma inteligente em todo esse processo, para favorecer o amadurecimento e a autonomia, além de possibilitar que o atleta aprimore a tomada de decisão e mantenha os pés no chão”, explica Theodoro.

Pelo lado dos clubes, em meio à busca por revelar novos talentos, a tecnologia também pode auxiliar na transição de atletas da categoria juvenil para o profissional, tornando-se inclusive uma importante aliada da indústria esportiva. Quem explica é Sven Muller, CMO do CUJU, aplicativo alemão que utiliza IA para identificar jovens promessas do futebol brasileiro.

“A transição da base para o profissional exige cada vez mais precisão na tomada de decisão. A avaliação tradicional, por si só, já não acompanha a complexidade do futebol moderno. A tecnologia permite entender o atleta de forma muito mais profunda, analisando os padrões de desempenho, evolução física e cognitiva, além de identificar potencial antes mesmo de ele aparecer nos grandes palcos. Quando os clubes têm acesso a informações mais consistentes, a chance de errar diminui e o caminho do jovem se torna mais claro e estruturado. Esse é o tipo de virada que pode transformar a formação no Brasil nos próximos anos”, pontua Sven.

Outro dos fatores que pode estimular a rápida ascensão de novos atletas é a consolidação do modelo de SAFs no Brasil, pensando na busca por lucros a partir da venda de jovens talentos para o exterior. Guilherme Bellintani, CEO da Squadra Sports, primeira MCO do Brasil, e dirigente que foi responsável pela chegada do Grupo City ao Bahia, explica:

“Sabemos da importância da formação de um atleta, ainda mais quando estamos falando de uma plataforma MCO, em que as negociações possuem uma margem de lucro maior entre as operações. Hoje, temos categorias sub-11 e sub-12 já fortalecidas e estamos focando na captação de jogadores entre 18 e 23 anos, faixa etária em que o jovem podem subir de forma mais rápida para o profissional, o que pode acarretar em uma negociação para outro mercado e alavancar as receitas”.

Veja abaixo o ranking de clubes que mais utilizaram jogadores com passagens pelas categorias de base no Brasileirão 2025:

  1. Flamengo - 17 / São Paulo - 17

  2. Corinthians - 13

  3. Santos - 12

  4. Palmeiras - 11

  5. Cruzeiro - 10 / Internacional - 10 / Vasco - 10

  6. Grêmio - 8

  7. Atlético-MG - 7

  8. Fluminense - 6 / Sport - 6

  9. Juventude - 5

  10. Bahia - 4 / RB Bragantino - 4 / Botafogo - 4

  11. Fortaleza - 3 / Vitória - 3 / Ceará - 3

  12. Mirassol - 0