<
>

Quem é o destaque do Ceará que só estreou na Série A aos 28 anos e tem 'missão' de manter Vozão na elite

A trajetória de Willian Machado até virar um dos pilares do Ceará em 2025 não foi linear e, com certeza, não foi fácil.

Hoje consolidado na Série A com o Vozão, o zagueiro precisou atravessar todas as divisões do futebol brasileiro, enfrentar períodos desempregado, lidar com a perda da mãe e reconstruir a carreira mais de uma vez até, finalmente, chegar à elite do esporte no Brasil.

“2025 é a realização de um sonho”, resume o defensor, que estreou na primeira divisão somente aos 28 anos.

Nascido em Meleiro e criado em Forquilhinha, no sul de Santa Catarina, Willian cresceu acompanhando o pai nos campos de futebol amador da região, com o sonho de ser goleiro, posição que jogou durante toda infância e parte da adolescência.

A situação mudou até receber um convite do Criciúma para atuar como zagueiro no futebol de campo.

Aos 16 anos, foi então fazer base no time carvoeiro. No mesmo período, o clube que revelou uma geração que tinha nomes como Roger Guedes, Dodi e Marlon. Porém, William não conseguiu espaço no profissional e acabou dispensado aos 19 anos.

A frustração o fez abandonar momentaneamente o sonho de vingar no profissional: voltou para o futebol amador, trabalhou como entregador de restaurante e garçom em um pesque-pague e quase desistiu.

O recomeço surgiu em 2017, quando seu pai pediu ajuda a um agente, que conseguiu um teste no Fluminense, de Joinville, da segunda divisão catarinense, para Willian. Ele não só passou, como foi destaque na equipe: em 13 jogos, marcou cinco gols, número raro para um zagueiro.

Dali, conseguiu seu primeiro clube de expressão nacional: o Brasil de Pelotas, para disputar a Série B.

A partir deste momento, sua carreira passou novamente por altos e baixos: Maringá, Foz do Iguaçu, período desempregado, competições curtas, poucas chances e muita incerteza.

O salto definitivo veio em 2020, quando o Ferroviário o contratou. Ali, foi a primeira mudança real de vida: morar longe da família, enfrentar o clima quente do Nordeste e reconstruir a autoestima profissional. O calor quase o fez voltar para casa, mas ele insistiu.

Virou titular e ganhou sequência… até a pandemia interromper tudo. E foi nesse período que Willian viveu o “pior golpe” da carreira: a morte repentina da mãe, em setembro daquele ano. A dor da perda, porém, virou combustível.

Em 2021, o técnico Marcelo Vilar, que o treinou no Ferroviário, o levou para o Botafogo-PB e ali tudo mudou. Willian disputou 40 partidas na temporada, marcou cinco gols e virou peça fundamental do Belo, se tornando praticamente um ídolo para a torcida, mesmo vestindo a camisa em apenas um ano.

“O Botafogo-PB foi onde eu senti que finalmente as coisas estavam dando certo”, disse o defensor.

O destaque abriu portas para o Operário, onde ele viveu altos e baixos: chegou e assumiu a titularidade no time. No entanto, teve uma lesão séria no joelho, que o tirou dos gramados.

Seu time sofreu o rebaixamento para a Série C em 2022, passou por uma reconstrução em 2023, conquistou o acesso e, por fim, Willian conseguiu uma Série B sólida em 2024, ano em que foi eleito para a seleção do campeonato como um dos melhores zagueiros da competição.

A boa campanha chamou a atenção do Ceará, que buscava reforços para o retorno à elite em 2025. E, para Willian, o clube foi mais do que uma oportunidade. “Quando você roda por Série D, Série C, Série B, muita gente te rotula. O Ceará viu mais que isso em mim”.

A tão sonhada estreia na elite aconteceu no dia 31 de março de 2025, contra o Red Bull Bragantino. Foram 33 jogos como titular no Brasileirão, atuando por 90 minutos em 32 jogos.

Já adaptado ao Nordeste e identificado com a torcida alvinegra, o zagueiro vive o melhor momento da carreira. Peça fundamental na campanha de retomada do clube, Willian participou diretamente da consistência defensiva que permitiu ao time sonhar com algo além da permanência na elite.

A primeira missão ainda é matemática: conquistar 45 pontos para ficar na Série A. Depois disso, Willian acredita que o Ceará pode mirar mais alto e até mesmo buscar vaga continental na Sul-Americana.

“Saí da segunda divisão catarinense, joguei futebol amador… e agora posso ter a chance de disputar uma competição internacional. Isso tem um valor enorme para mim”.

Ao resumir a própria carreira em uma palavra, ele não hesitou: “Superação.”