Na última segunda-feira (29), foi oficializada a venda da SAF do Cruzeiro de Ronaldo "Fenômeno" para o empresário Pedro Lourenço, dono da rede Supermercados BH.
Essa não é a primeira vez, porém, que um gigante do futebol mundial troca de proprietário.

Vendas de propriedades são bastante comuns no esporte europeu, e alguns dos maiores times do continente já foram comprados e revendidos diversas vezes.
Abaixo, a ESPN relembra alguns casos e mostra o que aconteceu com cada equipe que mudou de dono.
10 clubes gigantes que mudaram de dono
Quem eram os donos: John Magnier e J. P. McManus
Quem comprou: Malcolm Glazer
Valor da venda: 800 milhões de libras
Empresário norte-americano do ramo dos esportes, Malcolm Glazer foi comprando fatias cada vez maiores das ações do Manchester United após o clube se lançar na Bolsa de Valores de Nova York. Em maio de 2005, ele se tornou acionista majoritário, passando a ser o controle do então clube mais rico do mundo.
Malcom "empregou" quase todos os seus filhos na diretoria da equipe, que viveu anos de glória e dominou o futebol inglês até o final da década de 2010, quando Chelsea e Manchester City passaram a rivalizar esportivamente e economicamente com os Red Devils.
Após a morte de Malcom, em 2014, o United entrou em uma decadência esportiva notável, vendo sua dívida aumentar exponencialmente e levando a torcida a pedir a saída da família Glazer do comando em muitas oportunidades.
Recentemente, os norte-americanos venderam 27,7% das ações ao magnata inglês Sir Jim Ratcliffe, que vai controlar as operações do futebol efetivamente a partir da próxima temporada da Premier League. No entanto, os Glazer seguem donos de 51,75% do gigante de Manchester.
Quem era o dono: Thaksin Shinawatra
Quem comprou: Abu Dhabi United Group Investment and Development Limited
Valor da venda: 200 milhões de libras
Com os Emirados Árabes Unidos se tornando cada vez mais protagonistas na economia mundial, o país do Oriente Médio resolveu entrar com força no futebol inglês. Em 2008, o Abu Dhabi United Group fechou a compra do Manchester City, que pertencia ao empresário Thaksin Shinawatra, ex-primeiro-ministro da Tailândia.
Posteriormente, o fundo dos Emirados acabou criando uma rede de times que se espalhou pelo mundo, chamada City Football Group, que tem os Citizens como "clube principal", mas que recentemente chegou também ao Brasil, comprando a SAF do Bahia.
O "dinheiro infinito" vindo do Oriente Médio transformou totalmente a vida do City, que era uma equipe conhecida mais pelos fracassos e rebaixamentos do que pelos títulos. Com a grana pesada de Abu Dhabi, o clube contratou estrelas mundiais, formou esquadrões históricos e trouxe até mesmo o técnico Josep Guardiola, considerado o melhor do planeta.
Desde a venda, a equipe celeste de Manchester ganhou um caminhão de títulos, chegando ao ápice na temporada passada com a conquista da Tríplice Coroa: Premier League, Champions League e FA Cup - a "cereja do bolo" foi ainda o Mundial de Clubes da Fifa, em cima do Fluminense.
Quem eram os donos: George Gillett e Tom Hicks
Quem comprou: Fenway Sports Group
Valor da venda: 300 milhões de libras
Em 2010, o grupo norte-americano Fenway Sports Group, capitaneado pelo magnata dos esportes John W. Henry, venceu uma longa disputa na Justiça e concluiu a compra do gigante Liverpool, que estava afundado em crise financeira e esportiva nas mãos dos também estadunidenses George Gillett e Tom Hicks.
Sob a nova direção, os Reds foram aos poucos se reencontrando, equacionando dívidas e arrumando a casa. As coisas mudaram de vez no campo de jogo a partir de 2015, quando o Fenway conseguiu contratar o treinador que todos estavam cobiçando no mercado: o alemão Jürgen Klopp, então do Borussia Dortmund.
Com seu estilo enérgico, Klopp levou o Liverpool de volta à era de glórias. Além de chegar a três finais de Champions, sendo campeão uma vez, e conquistar o 1º Mundial do clube, ele também encerrou o longo jejum dos vermelhos na Premier League. Faturou ainda outros títulos menores, como FA Cup, Copa da Liga e Supercopa da Uefa.
Agora, o treinador alemão já avisou que deixará o cargo ao final da temporada 2023/24. O Fenway, por sua vez, agiu rápido e acertou a chegada do substituto: o holandês Arne Slot, que vem de anos de sucesso com o Feyenoord. Slot certamente encontrará os Reds em posição bem melhor do que em 2010, quando John Henry chegou...
Quem eram os donos: Alisher Usmanov
Quem comprou: Stan Kroenke
Valor da venda: 1,3 bilhão de libras
Outro grande magnata dos esportes dos Estados Unidos, Stan Kroenke decidiu entrar com força na Premier League a partir de 2007, realizando a compra de fatias cada vez maiores do Arsenal. Sua primeira aquisição foi a fatia de 9,9% das ações que pertenciam ao grupo ITV.
Após ganhar força nos bastidores, Kroenke arrematou 20,5% que pertenciam ao empresário Danny Fiszman, em setembro de 2008. No ano seguinte, foram compradas mais 4.839 ações da família Carr, com o norte-americano chegando a 28,3%. Depois, ele aumentou para 29,9%, o limite máximo para um acionista minoritário.
Com o passar dos anos, a torcida dos Gunners foi ficando cada vez mais insatisfeita com a gestão do bilionário russo Alisher Usmanov, que era o dono do grosso das ações. Com isso, Stan Kroenke entrou ainda mais forte e adquiriu o controle do clube ao pagar, em 2018, 550 milhões de libras para se tornar enfim o proprietário da equipe.
Ao todo, os investimentos do norte-americano para ir comprando o Arsenal aos poucos totalizaram 1,3 bilhão de libras. Sob sua gestão, o time ainda não encontrou o sucesso esportivo prometido, apesar de estar em crescimento e liderar a Premier League, disputando o título ponto-a-ponto com o Manchester City.
Quem era o dono: Roman Abramovich
Quem comprou: Todd Boehly
Valor da venda: 2,5 bilhões de libras
Sob o comando do russo Roman Abramovich, que comprou o clube em 2003, o Chelsea viveu sua era de ouro, sendo multicampeão da Premier League e ganhando duas vezes a Champions. Adorado pela torcida, ele viu os fãs apelidarem o clube de "Roman Empire", ou "Império do Roman", em uma brincadeira com o Império Romano.
Em fevereiro de 2022, porém, o início da guerra entre Rússia e Ucrânia fez a Inglaterra romper relações comerciais com os russos, congelando também diversos ativos fiscais de cidadãos do país que possuíam bens na Grã-Bretanha. Com isso, Abramovich acabou sendo forçado a abrir mão do controle e, posteriormente, vender os Blues.
O processo de compra foi longo, com várias propostas e a intermediação de vários bancos de investimentos. No fim das contas, quem arrematou a agremiação por incríveis 2,5 bilhões de libras foi o norte-americano Todd Boehly, em parceria com o grupo de investimentos Clearlake Capital Group.
Desde que assumiu, Boehly "destruiu" o "Roman Empire", negociando diversos atletas que foram "estandartes" do tempo de gestão do russo. O magnata apostou na contratação de diversos atletas jovens a preços exorbitantes, montando um "time para o futuro". Resta agora saber se as apostas irão funcionar...
Quem era o dono: Elliott Management Corporation
Quem comprou: RedBird Capital Partners
Valor da venda: US$ 1,3 bilhão
Um dos maiores times da Europa e do mundo, o Milan entrou em uma espiral de coisas ruins a partir de 2017, quando o empresário chinês Li Yonghong comprou o controle da agremiação do grupo Regency, que havia tomado a propriedade do gigante após a saída definitiva do ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi.
Para fechar a aquisição dos Rossoneri, Yonghong pegou uma enorme quantia de dinheiro emprestado com o fundo Elliott Management Corporation, prometendo pagar de volta em parcelas. No entanto, o asiático passou a dar sucessivos calotes, o que fez o Elliot "despachar" o empresário e tomar o controle do Milan.
Sob nova direção, a equipe de Milão viu sua situação se estabilizar e até voltou a ser campeã italiana, conquistando a Serie A 2021/22. Isso chamou a atenção de outro importante fundo, o RedBird Capital Partners, que comprou 95% do clube em junho de 2022, deixando o Elliott com 5% das ações.
Desde que o RedBird assumiu, porém, a equipe rubro-negra viu a rival Inter de Milão se tornar a grande força local, enquanto o surpreendente Napoli arrasou adversários e ganhou o Campeonato Italiano na temporada passada. Todavia, a certeza é que, hoje, o Milan está bem melhor do que nos tempos de Li Yonghong.
Quem era o dono: Erick Thohir
Quem comprou: Suning Holdings Group
Valor da venda: 270 milhões de euros
Em outubro de 2013, o magnata indonésio Erick Thohir comprou a Inter de Milão do italiano Massimo Moratti, "eterno" dono dos Nerazzurri. No entanto, o asiático instalou uma espiral de crise no clube, com contratações bizarras, desempenhos abaixo da crítica no Campeonato Italiano e crescimento das dívidas.
Com a fúria da torcida, Thohir passou a buscar um interessado na compra do clube, encontrando em 2016 o grupo chinês Suning, que vinha "voando" com a explosão econômica na China e que já havia começado a investir no futebol local, comprando o Jiangsu FC, que passou a se chamar Jiangsu Suning.
Inicialmente, a gestão Suning começou muito mal. A contratação do técnico Frank de Boer, por exemplo, foi um enorme fracasso, assim como o investimento feito no atacante Gabigol, então no Santos. Depois, veio Stefano Pioli, mas as coisas só começaram a se ajeitar com a contratação do "general" Luciano Spalletti, em 2017.
A partir de 2018, Steven Zhang assumiu como presidente, e a equipe conseguiu uma "injeção" de grana ao vender 31,05% das ações para o grupo LionRock Capital, de Hong Kong. Vieram depois os técnicos Antonio Conte e Simone Inzaghi, que transformaram a Inter novamente na força dominante no futebol italiano.
Quem era o dono: Colony Capital
Quem comprou: Qatar Sports Investments
Valor da venda: 70 milhões de euros
Após ver os Emirados Árabes entraram com sucesso no futebol europeu, o Qatar não quis ficar fora da festa. Através do fundo nacional Qatar Sports Investments, a nação do Oriente Médio adquiriu o controle da equipe da capital francesa, comprando 87,5% das ações que estavam nas mãos da empresa Colony Capital, em 2011.
E, assim como aconteceu no Manchester City com o dinheiro de Abu Dhabi, o PSG se transformou totalmente sob o controle da QSI, que passou a torrar quantidades exorbitantes de dinheiro. O ápice veio em 2017, com o grupo pagando 222 milhões de euros à vista para tirar o brasileiro Neymar do Barcelona.
A nível nacional, os títulos vieram (com sobras). Na gestão do Qatar, o Paris se transformou no maior campeão francês, deixando para trás o Saint-Étienne. No entanto, o grande objetivo dos donos, que era o troféu da Champions League, nunca veio. O máximo foi um vice, perdendo a final de 2021 para o Bayern de Munique.
No ano passado, a QSI ainda se abriu para a chegada de novos sócios e vendeu 12,5% das ações para o grupo Arctos Partners, de forma a equilibrar as finanças e evitar punições da Uefa por quebra das regras de fair play financeiro. No entanto, a entidade segue analisando com lupa as ações do clube fora das quatro linhas...
Quem era o dono: Margarita Louis-Dreyfus
Quem comprou: Frank McCourt
Valor da venda: 45 milhões de euros
Único clube francês a ganhar a Champions, o Olympique de Marselha pertenceu durante muitos anos ao magnata Robert Louis-Dreyfus, que foi CEO da Adidas e parte mais do que importante da gigantesca Louis Dreyfus Company, uma das maiores empresas de agricultura do mundo.
Em 2009, porém, Robert faleceu, e o controle do Olympique caiu "no colo" de sua esposa, Margarita, que herdou suas posses. A bilionária suíça, porém, nunca teve interesse em tocar o dia-a-dia do clube, e a torcida do time, conhecida por ser extremamente "quente", foi perdendo a paciência com as péssimas gestões de bastidores.
Em 2016, Margarita então se desfez do Marselha e negociou o clube com o empresário norte-americano Frank McCourt, que comprou 95% das ações, enquanto os 5% restantes ficaram na mão da família Louis-Dreyfus.
McCourt até conseguiu "arrumar a casa", ampliando o valor de marca do Olympique e recolocando a equipe na prateleira dos mais ricos da Europa. No entanto, a dificuldade para competir com a potência do PSG faz com que o retorno às glórias esportivas não seja tão fácil assim...
Quem era o dono: Vários sócios
Quem comprou: Atlético HoldCo.
Valor da venda: 181,9 milhões de euros
A história da venda do Atlético de Madrid é um pouco mais complicada. A propriedade era dividida entre vários sócios, mas com dois empresários (Enrique Cerezo Torres e Miguel Ángel Gil Marín) tendo enorme influência nos bastidores. Com muito poder, eles resolveram passar também a ter o controle total do clube.
Em junho de 2021, a dupla formou a Atlético HoldCo. para comprar o grosso das ações do time, ao lado do fundo de investimentos Ares Management Corporation. A transação acabou fechada em 181.876.542,20 euros, com 66,98% da equipe passando a pertencer aos grupos.
O resto das ações pertence ao empresário israelense Idan Ofer, fundador do gigantesco Quantum Pacific Group, que possui negócios em várias áreas. No entanto, Ofer não tem influência nos bastidores, e o futebol e o dia-a-dia do Atlético são tocados pelos representantes da Atlético HoldCo. e da Ares.
Essa injeções de dinheiro foram mais do que decisivas para o Atleti voltar a ser um protagonista no futebol espanhol e europeu. Nos últimos anos, o clube alcançou diversas vezes os estágios avançados da Champions, além de ter vencido a Liga Europa. O último título de LALIGA veio em 2020/21, deixando Real Madrid e Barcelona para trás
