É muito difícil defender a qualidade da arbitragem brasileira.
Mas é fato 100% concreto que a categoria não recebe a valorização merecida.
Nos últimos 20 anos, o futebol brasileiro viu o dinheiro subir forte em praticamente tudo: receitas de clubes e CBF, salários de jogadores, patrocínios, preço de ingresso.
Os árbitros não entraram nessa festa.
Em 2005, um juiz Fifa faturava R$ 2.500 por jogo apitado na Série A. Para um árbitro com escudo da CBF, o valor era de R$ 1.500.
Hoje, esse valores são, respectivamente, de R$ 6.930 e R$ 5.000.
As taxas para os árbitros de elite não acompanharam nem a inflação nos últimos 19 anos.
Se o IGP-M, um dos índice oficiais de inflação do país fosse aplicado nas taxas recebidas em 2005, um árbitro Fifa teria que receber hoje R$ 8.316 por jogo.
Caso o mesmo reajuste do salário mínimo desde 2005 fosse usado, um juiz Fifa teria que receber R$ 11.775 por partida. Para um árbitro padrão CBF, seriam R$ 7.065.
Muito pior é a comparação com outros valores do futebol.
Em 2005, a CBF faturava R$ 102 milhões. Em 2022, último ano com valor disponível, suas receitas bateram no R$ 1,014 bilhão, quase dez vezes mais.
O preço médio dos ingressos na Série A do Brasil subiu 20% acima da inflação nos últimos 20 anos.
Premiações por títulos e folha de pagamento dos clubes também chegaram a subir dez vezes desde 2005.
Não dá para discutir qualidade de arbitragem sem também debater a remuneração deles.
