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Massacrados e mal pagos: ganhos de árbitro brasileiro perdem para inflação e salário mínimo

Anderson Daronco durante jogo entre Ceará e Palmeiras, pelo Brasileirão 2022 Cesar Greco/Ag Palmeiras

É muito difícil defender a qualidade da arbitragem brasileira.

Mas é fato 100% concreto que a categoria não recebe a valorização merecida.

Nos últimos 20 anos, o futebol brasileiro viu o dinheiro subir forte em praticamente tudo: receitas de clubes e CBF, salários de jogadores, patrocínios, preço de ingresso.

Os árbitros não entraram nessa festa.

Em 2005, um juiz Fifa faturava R$ 2.500 por jogo apitado na Série A. Para um árbitro com escudo da CBF, o valor era de R$ 1.500.

Hoje, esse valores são, respectivamente, de R$ 6.930 e R$ 5.000.

As taxas para os árbitros de elite não acompanharam nem a inflação nos últimos 19 anos.

Se o IGP-M, um dos índice oficiais de inflação do país fosse aplicado nas taxas recebidas em 2005, um árbitro Fifa teria que receber hoje R$ 8.316 por jogo.

Caso o mesmo reajuste do salário mínimo desde 2005 fosse usado, um juiz Fifa teria que receber R$ 11.775 por partida. Para um árbitro padrão CBF, seriam R$ 7.065.

Muito pior é a comparação com outros valores do futebol.

Em 2005, a CBF faturava R$ 102 milhões. Em 2022, último ano com valor disponível, suas receitas bateram no R$ 1,014 bilhão, quase dez vezes mais.

O preço médio dos ingressos na Série A do Brasil subiu 20% acima da inflação nos últimos 20 anos.

Premiações por títulos e folha de pagamento dos clubes também chegaram a subir dez vezes desde 2005.

Não dá para discutir qualidade de arbitragem sem também debater a remuneração deles.