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Delegado diz que episódios de manipulação de apostas são 'antigos' e cobra banimento de jogadores envolvidos: 'Não tem moleza'

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Ministro da Justiça garante punição severa a envolvidos em escândalo de apostas: '10 a 12 anos de prisão' (2:57)

Flávio Dino concedeu entrevista exclusiva ao repórter Mendel Bydlowski (2:57)

O esquema de manipulação de apostas no futebol brasileiro chamado de Operação Penalidade Máxima tomou conta dos noticiários nas últimas semanas, mas, segundo o Dr. Antônio Assunção de Olim, mais conhecido como Delegado Olim, este já em um caso antigo. Ele esteve presente em um evento da Federação Paulista de Futebol nesta quarta-feira (17), na sede da entidade, em São Paulo.

O Delegado revelou, junto ao presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, que a entidade é pioneira no combate às manipulações, começando a atuar em prol deste tema em 2015. Ele afirmou que os casos estão surgindo a partir de agora, mas já são de longa data.

"A Federação Paulista de Futebol já em 2015 tinha contratado empresas de fora, gastava dinheiro, preocupada com a manipulação de apostas. Podem contar conosco, o TJD (Tribunal de Justiça Desportiva), junto ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) e a FPF, que desde lá atrás investe dinheiro e sai na frente", disse Olim.

Antônio ainda prometeu punições aos envolvidos no episódio, recordando que alguns dos atletas denunciados já estão sob suspensão de contrato com seus respectivos clubes.

"Nós do TJD, tanto como o STJD, estamos fazendo nossa parte, aqui não tem moleza. Estamos punindo os atletas, punindo todos aqueles que são investigados e fazem parte dessa tramoia que acaba com o futebol. Todos eles estão sendo punidos severamente. Isso começou a aparecer na imprensa agora, mas é antigo. O TJD sempre atuou com rigor, e aquilo que vem para nós imediatamente é passado para a Delegacia de Polícia de futebol. Temos que acabar com essa farsa que estão ganhando muito e acabando com o que o povo mais gosta, que é assistir o futebol honesto", declarou.

"Como diz um amigo meu: 'O dinheiro faz cego enxergar'. E é verdade. Onde entra o dinheiro, às vezes atrapalha. E aí não podemos deixar que o futebol seja corrompido por causa de alguns atletas ou dirigentes que acabam entrando (no esquema de manipulação). Esses têm que ser banidos do futebol para que aprendam e que os demais pensem muito antes de querer ter vantagem com dinheiro que vem de apostas", concluiu.

Quais são os jogos que estão sob investigação na Série A?

Quais jogadores estão sendo investigados?

Quais jogadores também foram citados no processo?

  • Vitor Mendes (Fluminense)

  • Richard (Cruzeiro)

  • Nino Paraíba (América-MG)

  • Dadá Belmonte (América-MG)

  • Kevin Lomonaco (Red Bull Bragantino)

  • Moraes Jr. (Juventude)

  • Nikolas Farias (Novo Hamburgo)

  • Jarro Pedroso (Inter de Santa Maria)

  • Nathan (Grêmio)

  • Pedrinho (Athletico-PR)

  • Bryan García (Athletico-PR)

Quais jogadores foram afastados por seus clubes?

​Quais jogadores tiveram contrato rescindido?

Apenas dois atletas perderam seus respectivos contratos por causa de envolvimento, ambos do Athletico-PR: o lateral-esquerdo Pedrinho e o meia Bryan Garcia. Alguns dias depois, Nino Paraíba também teve seu contrato encerrado com o América-MG. Zagueiro do Santos, Eduardo Bauermann foi suspenso preventivamente pelo clube.

Além disso, o STJD ainda anunciou suspensão de 30 dias de Moraes, Gabriel Tota, Paulo Miranda, Igor Cariús, Fernando Neto, Matheus Gomes, e Kevin Lomónaco.

Quem são os apostadores e membros da organização criminosa?

  • Bruno Lopez de Moura

  • Ícaro Fernando Calixto dos Santos

  • Luís Felipe Rodrigues de Castro

  • Victor Yamasaki Fernandes

  • Zildo Peixoto Neto

  • Thiago Chambó Andrade

  • Romário Hugo dos Santos

  • William de Oliveira Souza

  • Pedro Gama dos Santos Júnior

O que os jogadores faziam para manipular as partidas?

Os atletas e envolvidos suspeitos estão sendo investigados por manipulação da seguinte forma: receber cartões amarelo ou vermelho, cometer um pênalti, garantir uma derrota parcial no 1º tempo, número de escanteios, etc.

O processo de investigação tocado pelo Ministério Público de Goiás começou no fim do ano passado, com a apuração de diversas provas apresentadas pela promotoria sobre atos criminosos envolvendo jogadores e grupos de apostadores, com propostas que chegavam até R$ 100 mil em lances que poderiam gerar lucro em sites do ramo.

Um apostador fazia a função de cooptar um jogador, que teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe.

As primeiras denúncias ouvidas pela operação surgiram no fim de 2022, quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B.

Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.

A história chegou até Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, que buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto.

Na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.

Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).

Algum jogador de futebol foi preso?

Nenhum jogador preso, só pessoas envolvidas nos pedidos de manipulação. Foram três mandados de prisão em São Paulo, mas só para não atletas.

Foram apreendidas granadas de efeito moral em um mandado de prisão em São Paulo a armas de fogo em outro endereço, também em terras paulistas. Nesse local, houve também um flagrante de armas de fogo sem o devido registro.

Quais as punições previstas para os considerados culpados?

Os atletas ou aliciadores podem ser indiciados via Estatuto do Torcedor e também podem responder por crime por lavagem de dinheiro, se for o caso.

Ronaldo Piacente, procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), informou que, caso sejam comprovados os fatos que estão sendo investigados, os jogadores serão denunciados nos artigos 243 e/ou 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) por ''atuarem, deliberadamente, de modo prejudicial à equipe que defende'' e/ou ''atuarem de forma contrária à ética desportiva com o fim de influenciar o resultado de partida, prova ou equivalente''.

As punições do artigo 243 são: multa de R$ 100 a 100 mil e suspensão de 180 a 330 dias.

Já o artigo 243-A prevê: ''multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.00,00 (cem mil reais) e suspensão de seis a doze partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, ou pelo prazo de cento e oitenta a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código; no caso de reincidência, a pena será de eliminação''.

O que diz a CBF?

A Confederação Brasileira de Futebol se colocou à disposição para dar "todo apoio necessário" à investigação e também solicitou, via ofício, a participação da Presidência da República e do Ministério da Justiça, solicitando que a Polícia Federal entre no caso, com o objetivo de centralizar todas as informações a respeito da investigação.

A CBF ressaltou, também, que não há qualquer possibilidade de suspender o Campeonato Brasileiro deste ano e que se sente igualmente vítima desses criminosos, uma vez que não foi, até o momento, oficialmente informada pelas autoridades sobre os fatos.

Leia a nota oficial completa da entidade máxima do futebol nacional!

O que diz o Ministério da Justiça?

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, determinou que a Polícia Federal investigue as denúncias de manipulação de jogos do Campeonato Brasileiro das Séries A e B de 2022.

''Diante de indícios de manipulação de resultados em competições esportivas, com repercussão interestadual e até internacional, estou determinando hoje que seja instaurado Inquérito na Polícia Federal para as investigações legalmente cabíveis'', escreveu Dino em seu perfil do Twitter.