Ex-técnico de Eduardo Bauermann em Santos e América-MG, Lisca se surpreendeu com o envolvimento do zagueiro no escândalo de apostas que vem tomando o noticiário no futebol brasileiro e alvo da "Operação Penalidade Máxima 2".
Durante entrevista ao podcast 'Reis da Resenha', no YouTube, o treinador mostrou espanto com o defensor sendo uma das partes integrantes no esquema de apostas, listou as qualidades do atleta e cravou: se comprovado envolvimento, Bauermann não conseguirá seguir carreira profissional no futebol.
“É uma m**** mesmo, cara. Praticamente não estou acreditando no que eu estou vendo. Pelo que eu conheço do Eduardo, é difícil de acreditar. Conheço a esposa dele, os filhos dele. Ele tem dois filhos pequenos. É um cara bem-sucedido no futebol. Um jogador do Santos, hoje foi valorizado. Chegou com um salário mais baixo no América-MG, mas depois ele foi valorizado. Não consigo entender. Por valor nenhum. Ele não precisa disso, o Eduardo é um cara ético para caramba, é um profissional na concepção da palavra", começou por afirmar.
“E não é só ele que está envolvido. Ele está aparecendo mais porque é o Santos. 20 jogos, tem outros jogadores que estão envolvidos e que trabalharam comigo. Então, para mim, é quase inacreditável isso. Prefiro esperar um pouco mais, mas se isso for comprovado, o Eduardo não vai mais conseguir jogar futebol.”
Lisca treinou Eduardo Bauermann em 2020 e 2021 no América-MG. O zagueiro chegou a ser capitão do Coelho sob o comando do treinador. Em 2022, em curta passagem pelo Santos, o técnico voltou a comandar o defensor.
Na última terça-feira (9), o Santos anunciou o afastamento de Eduardo Bauermann enquanto o MP-GO finaliza suas investigações.
O clube da Vila Belmiro emitiu um comunicado oficial e afirmou que o defensor está fora dos treinos da equipe profissional de maneira preventiva e ficará realizando atividades físicas no CT Rei Pelé, enquanto o Peixe aguarda os desdobramentos da Justiça.
Veja abaixo quais são os jogos que estão sob investigação na Série A
Juventude x Fortaleza
Goiás x Juventude
Red Bull Bragantino x América-MG
Santos x Avaí
Botafogo x Santos
Palmeiras x Cuiabá
Quais jogadores estão sendo investigados?
Eduardo Bauermann (Santos)
Gabriel Tota (Ypiranga-RS)
Victor Ramos (Chapecoense)
Igor Cariús (Sport)
Paulo Miranda (Náutico)
Fernando Neto (São Bernardo)
Matheus Gomes (Sergipe)
Apostadores e membros da organização
Bruno Lopez de Moura
Ícaro Fernando Calixto dos Santos
Luís Felipe Rodrigues de Castro
Victor Yamasaki Fernandes
Zildo Peixoto Neto
Thiago Chambó Andrade
Romário Hugo dos Santos
William de Oliveira Souza
Pedro Gama dos Santos Júnior
O que a Operação "Penalidade Máxima" investiga
A investigação da Operação "Penalidade Máxima" aponta que grupos criminosos convenciam jogadores, com propostas que iam até R$ 100 mil, a cometerem lances específicos em partidas e causassem o lucro de apostadores em sites do ramo.
Um jogador cooptado, por exemplo, teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe.
As primeiras denúncias ouvidas pela operação surgiram no fim de 2022, quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B do Brasileiro.
Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.
A história chegou até Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, que buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto.
Na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.
Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).
Algum jogador de futebol foi preso?
Nenhum jogador preso, só pessoas envolvidas nos pedidos de manipulação. Foram três mandados de prisão em São Paulo, mas só para não atletas.
Foram apreendidas granadas de efeito moral em um mandado de prisão em São Paulo a armas de fogo em outro endereço, também em terras paulistas. Nesse local, houve também um flagrante de armas de fogo sem o devido registro.
Os atletas ou aliciadores podem ser indiciados via Estatuto do Torcedor e também podem responder por crime por lavagem de dinheiro, se for o caso. Segundo o Estatuto do Torcedor, a pena varia de 2 a 6 anos de prisão.
O que os jogadores faziam para manipular as partidas?
Os atletas e envolvidos suspeitos estão sendo investigados por manipulação da seguinte forma: receber cartões amarelo ou vermelho, cometer um pênalti, garantir uma derrota parcial no 1º tempo, número de escanteios, etc.
