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Hulk muito antes do Atlético-MG: as histórias do menino 'parrudinho', fã do herói e que ganhou o mundo, na Paraíba

A ESPN foi até Campina Grande para contar as origens de Hulk, craque do Atlético-MG


Aos cinco anos, Givanildo era tão fã do seriado Hulk que costumava imitar o personagem e bater na irmã e nos amigos, os que mais sofriam com o menino de Campina Grande, na Paraíba.

Ele mal poderia imaginar que três décadas depois seria conhecido mundialmente pelo nome do super-herói e viraria um jogador multicampeão e estrela do Atlético-MG.

A ESPN viajou para a terra natal do atacante e buscou histórias com amigos, vizinhos e ex-colegas que o conhecem desde sempre. Para eles, Hulk continua sendo o mesmo menino forte que sonhava vencer na vida.

'Criança bonita e gordinha'

O atacante nasceu em uma família bastante humilde, que morava no bairro chamado José Pinheiro.

"Vi Hulk nascer bonito, gordo e aquela bundinha toda vida foi 'parrudinha' e gordinha. Era um menino bom, esperto e que lutou toda vida. Ele dizia que o primeiro dinheiro que pegasse ia dar uma casa para a mãe", contou Cícera Pereira, vizinha de parede da casa de onde Givanildo cresceu.

Aos cinco anos, ele pegou uma carona em uma carroça de boi quando convidou Denílson, amigo um ano mais novo, para subir na caçamba. O dono não gostou da atitude e expulsou os dois meninos. Dali nasceu uma amizade para a vida toda, apesar das brigas de moleque.

"Uma vez, eu estava pintando a casa e o Hulk jogou cal nos olhos do meu filho. Eu pensei que tinha ficado cego. Fui contar para a mãe dele, que deu uns tapas. Pensei: 'Perdi o amigo do meu filho'. Mas no mesmo dia, ele veio na minha casa e falou: Denílson, vamos jogar bola no Parque da Criança?'", contou "Damião das maçãs", ao ESPN.com.br.

Denílson lembra que uma vez mesmo rompido (por pouco tempo) com o amigo, o atacante não titubeou ao ajudá-lo contra um valentão do bairro que lutava capoeira.

"Ele falou: 'Mas a gente continua sem se falar (risos)' Ele não gosta de injustiças", contou.

Dono de uma quadrilha na tradicional festa de São João de Campina Grande, Damião lembra que precisava ser enérgico para não perder o garoto. "Às vezes ele queria faltar ao ensaio e eu era obrigado a buscá-lo em casa e falar com a mãe dele, que trazia o Hulk pela orelha (risos). Ele era o noivo", contou.

Na festa de 2001, Damião arrumou um animal para a para a famosa corrida de jegue, mas não teve muito sucesso....

"Ele e o Denílson ficavam disputando para quem ia montar e na hora da corrida o jegue não saiu do lugar. Ele ficou só rebolando (risos). Ganhamos a medalha de jegue mais preguiçoso, que apelidei de Barrichello (risos)", disse.

'Carregando carne na feira'

Além de morarem quase na mesma rua, as famílias eram vizinhas na feira. Denílson tinha uma barraca de frutas, enquanto os pais de Hulk vendiam carnes.

"A gente começou aos cinco anos e acordava de madrugada. Ele era forte e gostava de desafios: carregava as peças de carne pesadíssimas nas costas e levava para cortar. Além disso, amolava facas", contou Denílson.

O garoto conciliava a pesada rotina de trabalho com a escola. Por isso, não tinha notas brilhantes, mas encantava a professora Severina Barbosa pela educação, gentileza e o sorriso tímido.

"Era um aluno maravilhoso, tranquilo e responsável desde aquela época. Ele tinha uma luz que brilhava muito forte, sempre muito apaixonado por futebol. Toda quarta-feira ele precisava sair mais cedo porque tinha treinos", disse.

Severina deu uma enorme ajuda ao atacante quando conseguiu adiantar um bimestre nas aulas para que ele pudesse fazer testes em clubes fora de Campina Grande.

'Não gostava de perder'

Destaque das peladas de bairro, Hulk jogava futsal e futebol de campo no Parque da Criança, que hoje tem um mural com um desenho em homenagem ao filho famoso.

"A gente nunca deixou de ser feliz. Jogávamos bola no meio da chuva. Ele não gostava de perder, ficava com raiva e estressado. Hulk sempre se destacava muito porque driblava muito e tinha velocidade. Eu sempre queria jogar no time dele porque não perdia uma", afirmou Denílson.

Em uma das partidas, ele conheceu o técnico Mano, ex-jogador do Treze-PB, que passou a treiná-lo em um time local. Foi sob o comando do amigo que o atacante se destacou aos 13 anos nos Jogos da Juventude. A final realizada no estádio Amigão mudou para sempre a vida do garoto.

"Nós vencemos o campeonato municipal e o Hulk foi artilheiro. Depois disso, os empresários todos ficaram de olho e ele passou a rodar o Brasil fazendo testes."

Mas antes de fazer sucesso, o atacante passou por vários times e sofreu com algumas desilusões, como no São Paulo. Em 2004, se profissionalizou pelo Vitória e depois ganhou o mundo. Fez sucesso no Japão, Europa e China até chegar ao Atlético-MG, em 2021. Pelo Galo, faturou vários títulos, incluindo Campeonato Mineiro, Brasileirão e Copa do Brasil.

Falta a Conmebol Libertadores. Nesta quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), Hulk e o Atlético jogam a ida das quartas de final, no Mineirão, contra o Palmeiras, justamente o time de infância de Givanildo e o algoz alvinegro na competição na última temporada...