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Ana Paula Oliveira admite erro em gol anulado do Botafogo e lembra discurso machista de dirigente: 'Foi doloroso'

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Ana Paula de Oliveira lamenta 'discursos machistas' em 2007, mas admite erro em lance do Botafogo na Copa do Brasil (5:16)

Ana Paula de Oliveira foi convidada do MunDu Meneses, da ESPN (5:16)

Dezessete anos depois, a ex-árbitra Ana Paula Oliveira admitiu que errou na vitória por 3 a 1 do Botafogo sobre o Figueirense, que culminou na eliminação do time carioca na semifinal da Copa do Brasil de 2007.

Convidada do programa MunDu Meneses desta semana, a profissional reconheceu que anulou de forma incorreta um dos dois gols legítimos do Alvinegro, anotado por Zé Roberto na época.

''Eu demorei para aceitar o erro porque foi tão milimétrico. Dentro do campo de jogo, eu tinha 100% de certeza que eu tinha acertado. Depois a gente tem que reconhecer que não, e se tivesse VAR eu provavelmente estaria atuando até hoje porque eu tenho idade para estar no campo de jogo até hoje. Acabei me equivocando nesse primeiro lance, não é uma jogada simples. Na minha percepção, estava com o joelho à frente. Foi lance de 10 centímetros'', reconheceu.

O outro lance eu entendo que eu acertei, o Dodô estava nesse jogo e me sacaneia até hoje. Ali eu marco o segundo impedimento, o segundo gol anulado no Maracanã, aquele coro maravilhoso de mais de 70 mil pessoas, me ofendendo um pouquinho por um canto de 15 minutos (risos)'', contou.

Tais equívocos fizeram com que Ana Paula fosse suspensa pela CBF e ainda perdesse o escudo da Fifa. Mas nada para ela foi pior do que as declarações machistas de Carlos Augusto Montenegro, então dirigente do Botafogo.

''Ele se limita a falar só da minha pessoa, do fato de ser mulher, não estar capacitada para aquilo, chegou a dizer que eu estava no meu ciclo menstrual e que isso teria afetado a minha capacidade. Foram palavras e um discurso extremamente machista, sexista, e que naquela época caberia um grande processo, e talvez teria um retorno financeiro. A gente tinha medo de entrar com ação contra um dirigente e ser retaliada. Eu acho que deveria ter feito, deixei de trabalhar logo depois'', afirmou.

''O dirigente e o clube tinham tanta influência na CBF que, meses depois, eu perco o meu escudo internacional, sou tirada do quadro nacional, em função desse ocorrido. Agradeço a esses momentos de adversidade porque fazem crescermos como pessoa, como ser humano. Doeu muito, porque naquela época foi trabalhado muito durante 6, 7 meses, eu tive o meu nome lançado 6,7 meses no ar. A minha família sofreu muito, o meu irmão sofreu muito, chegou a brigar com colegas no trabalho. Acho que a gente aprende com experiências dolorosas como aquela que vivi em 2007'', completou.

No ano passado, Ana Paula Oliveira foi demitida da presidência da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF). Recentemente, acabou retirada do cargo de instrutora da arbitragem da Fifa.

Assista ao MunDu Menses com Ana Paula Oliveira e Ju Diniz completo: