Atualmente técnico do Corinthians, Vanderlei Luxemburgo irá reencontrar o Botafogo nesta sexta-feira (22), às 20h (de Brasília), na Neo Química Arena, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com a camisa do Glorioso, Luxa fez parte de um time histórico e foi onde encerrou a carreira.
Em entrevista ao ESPN.com.br, Dé Aranha, ex-companheiro do treinador no clube carioca, relembrou a parceria feita na equipe que conquistou a maior sequência invicta do futebol brasileiro, entre 21/09/1977 a 16/07/1978, com 52 partidas de invencibilidade e que ficou conhecido como 'time do camburão'.
"O Vanderlei foi para aquele time do camburão lá do Botafogo. Até o Jayme de Almeida também, que depois foi técnico do Flamengo, também estava lá. Aquele grupo de 'malfeitores', no grupo que o Botafogo fez os 52 jogos invictos. E o Vanderlei também fazia parte desse grupo, mas não jogava. Jogou muito pouco, até porque ele teve uma contusão no joelho", disse o ex-atacante, que afirmou não ter a noção, na época, da figura que Vanderlei se tornaria como treinador.
"Mas não, eu não tinha noção e ideia de que o Vanderlei se tornaria a referência que ele foi. Aqui no Brasil como técnico. A minha maior referência com o Vanderlei, apesar desse pouco tempo que ele ficou no Botafogo, aí. É bom lembrar que eu fiquei no Botafogo de 77, meados de 77, a 80. São quase três anos. O Vanderlei só ficou nesse grupo aí seis meses, aproximadamente."
'Foi um dos melhores técnico que encontrei na minha vida'
Se o tempo como companheiros de time foi curto, a vida reservaria uma nova fase para Dé Aranha e Vanderlei Luxemburgo. Já no fim da carreira, o ex-atacante foi comandado por Luxa, que se tornou treinador.
"Nosso maior contato foi quando eu fui para o Espírito Santo. Levado na época que eu ia encerrar a minha carreira, já estava até parando, tinha voltado da Arábia Saudita. Aí, na fase 83, 84 e 85, foi encerrar a minha carreira no Espírito Santo, e o Vanderlei foi ser meu técnico. Foi o ano que me levou. Aí eu fiquei mais uns seis meses trabalhando com o Vanderlei como técnico, que ele já tinha encerrado a carreira dele e já estava iniciando de técnico. Trabalhava mais em base. Se não me engano, dali depois do Rio Branco, ele foi para o Fluminense trabalhar na base. Depois ele foi para o Bragantino. Aí foi que ele arrebentou."
Já quase pendurando as chuteiras, Dé viu de perto o início da carreira de Luxemburgo como treinador. No Espírito Santo, o 'Aranha' passou a ter certeza que o ex-lateral-esquerdo, que encerrou a carreira no Botafogo precocemente após uma grave lesão no joelho, teria uma dinastia de quase 30 anos e se tornaria um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro na beira do campo.
"Mas no Rio Branco, no encerramento da minha carreira, em 85, ele demonstrou para mim a qualidade que ele tinha como técnico. Eu fiquei realmente impressionado. Tipo assim, o Fernando Diniz hoje impressiona pela criatividade, pelos treinos diferenciados. Então, o Vanderlei na época, para mim, curioso isso, porque eu depois, durante a minha estadia no Rio Branco, encerrando a minha carreira já com 36 anos, eu virei pro Vanderlei e falei pra ele: "P***, Vanderlei! Te falar uma coisa, cara. Eu trabalhei a minha vida toda com grandes técnicos. Por exemplo Ondino Vieira, Martim Francisco, Otto Glória, Zagalo, Tim e tantos outros. Mas olha, vou dizer uma coisa pra você, Vanderlei, você foi um dos melhores técnicos que eu encontrei na minha vida e tenho certeza absoluta que você vai arrebentar". Não deu outra, cara."
"A saída depois do Bragantino ele arrebentou. E aí passou a ser um inovador que foi ao longo de muitos e muitos anos. A dinastia do Vanderlei durou mais de 30 anos. Então ele foi um técnico maravilhoso. Hoje nem tanto. O futebol mudou muito. Mas, de qualquer maneira, não foi nenhuma surpresa para mim, porque eu previ essa ascensão do Vanderlei, porque eu presenciei. Vamos lembrar que uma coisa é ser jogador de futebol. Outra coisa é ser técnico. E o Vanderlei, para mim, foi um dos melhores técnicos do futebol brasileiro de todos os tempos", finalizou.
Vanderlei já afirmou o desejo de ter trabalhado no Botafogo
Se Luxemburgo começou e terminou a carreira de jogador pelo Botafogo, houve também o desejo de ser treinador do Glorioso. Em entrevista ao podcast MunDu Meneses, da ESPN, o técnico revelou, ao lado de São Paulo e Internacional, a vontade de um dia ter comandado o Alvinegro
“Tem três três clubes que não trabalhei e gostaria de ter trabalhado. Um eu não joguei, que é o São Paulo. Gostaria de ter trabalhado no São Paulo, pela história do clube, clube pesado, de grandes trabalhos e de grandes treinadores. Não sei se ainda vai ter tempo, mas seria uma coisa muito legal para minha carreira, teria marcado muito”, disse, antes de completar.
"O Internacional, porque joguei no Inter. Marcou bastante minha ida em 1978. E o Botafogo. Comecei minha vida profissional no Botafogo, na escolinha do Neca. Então, o Botafogo era um clube que seria legal ter trabalhado."
Próximos jogos do Botafogo
Corinthians (F) - 22/9, 20h (de Brasília) - Brasileirão
Goiás (C) - 02/10, 20h (de Brasília) - Brasileirão
Fluminense (F) - 08/10, 16h (de Brasília) - Brasileirão
