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O que esperar de Bruno Lage no Botafogo? Dupla de Portugal diz por que técnico tem 'linha de Luís Castro' e não de Jesus ou Abel

Com 10 pontos de vantagem para o vice-colocado do Campeonato Brasileiro, o Botafogo elegeu Bruno Lage para seguir o projeto em 2023 após a saída de Luís Castro para o Al Nassr.

Pensando na jornada que técnico terá no clube, o ESPN.com.br conversou com dois jornalistas portugueses, Luís Martins, comentarista e analista no Canal 11, e Luís Cristóvão, comentarista da Eleven Sports Portugal, Rádio Antena 1 e da emissora SIC, que destrincharam as características do treinador e revelaram o que o torcedor do clube da Estrela Solitária pode esperar do técnico.

Com passagens por Benfica, onde venceu o Campeonato Português na temporada 2018-19, e Wolverhampton, da Premier League, o português chega com a missão de manter o momento vitorioso do elenco alvinegro que pode terminar com o título brasileiro após 28 anos.

"O Lage tem um título nacional, conseguindo explorar a qualidade do plantel do Benfica e lançando João Félix, mas faltou continuidade. Na segunda temporada acabou por sair cedo demais, e no Wolves, depois de uma primeira temporada interessante, voltou a cair. Esse é o seu desafio, encontrar um nexo entre o seu discurso e a sua prática, o que não tem sido fácil. É um treinador que trabalha o jogador jovem, que aproveita bem o que encontra, mas que tem sentido dificuldade para desenvolver a sua ideia", disse Luís Cristóvão.

Discurso cativante, posse de bola e jogo ofensivo

Para Luís Martins, no lado extracampo, Bruno Lage é um treinador que cativa o elenco e é bom nas entrevistas coletivas. Já dentro das quatro linhas, preza pela posse de bola e pelo jogo ofensivo.

"Começo pelo extra-campo: é muito na linha de Luís Castro. Um homem muito frontal, que não esconde o 'jogo', que não foge a perguntas difíceis e que tem um discurso simples e cativante. Fácil de interpretar e normalmente ganha pontos pela sua prestação diante dos jornalistas. Teve grande impacto quando assumiu o Benfica, quer pelo jogo, mas muito pelo discurso, altamente disruptivo na época, muito mas muito diferente dos sucessores no Benfica, quer Rui Vitória quer Jorge Jesus. É um homem 'low profile' fora do campo", começou por dizer.

"Olhando para o jogo: espero um Botafogo de continuidade com aquilo que o Luís Castro vinha fazendo no clube. É um treinador que valoriza muito a posse, que tenta fazer com que as equipes sejam protagonistas na partida, mas que valoriza os equilíbrios."

"Como treinador sempre mostrou ser alguém com prioridade pela posse, pelo jogo intenso, de pressão alta e de tentar dominar mais minutos que o adversário. Diria que será uma ótica de continuidade em relação a Luís Castro, não sendo treinadores similares. Por exemplo, o jogo de Luís Castro não era tão vertical e este Botafogo tem muita qualidade a partir das alas e no momento da transição defesa-ataque. Acho que Bruno Lage irá dar sequência a este 4x2x3x1, com Carlos Eduardo bem próximo de Tiquinho. Reencontrará Gabriel que foi uma das suas bases no ano em que foi campeão pelo Benfica."

Com Luís Castro, o Botafogo se acostumou a jogar com Eduardo no meio, apoiando e chegando na área quando Tiquinho Soares saía para construir, e dois pontas, seja Victor Sá ou Luis Henrique, e Júnior Santos.

Para Luís Martins, a grande questão é se Bruno Lage irá manter o padrão com dois pontos ou irá optar por utilizar um jogador aberto que varia para o meio.

"Estou curioso para perceber se manterá os dois extremos puros como Luís Castro tem utilizado (Luiz Henrique, Victor Sá e Júnior Santos) ou se abdica de um para jogar com um falso extremo (ou Sauer ou Segovia mais vezes)."

Nem Abel Ferreira, nem Jorge Jesus

Sobre o estilo de Bruno Lage, os dois jornalistas consideraram o treinador parecido com a linha de Luís Castro, se diferenciando do que foi Jorge Jesus e também não se assemelhando a Abel Ferreira.

"Fica difícil de o comparar a algum português. Abel e Jesus diria que não, Paulo Sousa também não. Apesar de algumas distâncias, diria mesmo que Luís Castro era o perfil mais parecido", disse Martins.

"Não o vejo próximo nem de JJ, nem de Abel. Creio que terá alguma coisa de Luís Castro, ainda que sem o mesmo conteúdo, e eventualmente um técnico mais próximo de Pepa, realista, procurando organização", completou Cristóvão.

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