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Textor vai deixar Libra e negociar direitos do Botafogo sozinho: 'Eu sei como ganhar mais dinheiro do que eles'

John Textor, dono da SAF do Botafogo, chegando ao Estádio Nilton Santos Vitor Silva/Botafogo

Líder do Campeonato Brasileiro, o Botafogo deixará de integrar o grupo Libra, que se organiza em busca de uma liga independente para o futebol nacional. Em entrevista ao portal ge, John Textor, proprietário da SAF do Glorioso, afirmou que decidiu não fazer mais parte para poder negociar direitos do clube sozinho.

E de acordo com o empresário norte-americano, a decisão passou diretamente pela demora de outros times brasileiros em acertar os termos para a criação da liga independente.

“Prometi à organização social (do Botafogo) que investiríamos R$ 450 milhões em um período de três anos. Perdemos dinheiro todos os anos. Nossas despesas estão em cima e nossas receitas estão aqui embaixo. Perco quase US$ 50 milhões por ano construindo não apenas a equipe, mas a organização”, afirmou o norte-americano, que se queixou da maneira como as negociações estão sendo conduzidas por outros clubes.

“Estou pronto para fazer negócio. Mas uma liga unificada não pode ter os desentendimentos que estão acontecendo entre clubes. E a maioria deles se relaciona com uma história de que eu não fazia parte. Velhas discussões com as quais eu não tinha nada a ver, nem estava no Brasil”.

A ESPN reportou em meados de maio que a Libra decidiu mudar um ponto importante em seu modelo para a criação de uma liga no futebol brasileiro.

Os clubes da organização resolveram ampliar a cláusula de proteção que antes resguardava apenas Flamengo e Corinthians para todas as equipes que estiverem na Série A em 2025.

A iniciativa é vista como um passo importante para a união também com os clubes do Forte Futebol. A mudança garante que os clubes que estiverem na Série A em 2025 estarão seguros caso a receita da Liga em 2025 seja igual ou inferior com relação a 2023, tratado como ano-base.

Antes, apenas Flamengo e Corinthians, que hoje têm garantida as maiores receitas, tinham esse benefício. A ESPN noticiou no final do mês de abril que a medida que protegia os dois times de maior torcida no país era um dos empecilhos para o andamento das negociações.

Há ainda um ponto controverso na formação da Libra, que causa desconforto dentro do próprio bloco e também impacta nas negociações com o Forte: a cláusula de unanimidade estabelecida para possíveis mudanças na forma de distribuição de receitas nos blocos.

Foi esse ponto, por exemplo, que fez com que Leila Pereira, presidente do Palmeiras, criticasse publicamente o Flamengo, defensor da medida. Neste momento, segundo soube a reportagem, ainda não há nenhuma mudança significativa em relação ao tema, que deverá ser tratado com mais atenção pela Libra no futuro.

“Prometi trazer este clube de volta à estabilidade ao longo de um período de três anos. Já estou na metade desse tempo e não estou nem perto da sustentabilidade econômica. Quando vejo prazos pelo pessoal de Libra, não posso ignorar isso. E por qual razão? Por esses argumentos e velhas discussões de cinco anos atrás. Não tenho paciência para isso. Eu respeito a história do Brasil, mas cansei de esperar”.

“Há uma coisa que estou esperando e que não devo esperar, que são minhas receitas de mídia, televisão. Não vou perder dinheiro para sempre esperando. Então eu vou para o meio. Posso dizer que a Libra não tem uma governança adequada para a liga. A Libra foi criada com uma diretoria e uma liderança que nem incluía todos os clubes. Acredito no modelo da Premier League, no qual todos os clubes estão representados no Conselho de Administração”.

A ideia do empresário norte-americano é negociar direitos de mídia do clube separadamente, apostando em plataformas de streaming voltadas para esportes.

“Da mesma forma que a Premier League trabalha e vende os jogos para fora do mundo, eu também vou fazer. Eu sei como ganhar mais dinheiro do que o pessoal da Libra”, afirmou.

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