O iminente anúncio de Ilkay Gundogan como novo jogador do Barcelona, notícia confirmada pela ESPN na quarta-feira (21), empolgou a parte espanhola da negociação na mesma medida que causou lamentações do lado inglês.
Capitão do Manchester City na conquista da Tríplice Coroa na temporada passada, o alemão assinou contrato até junho de 2025 com o Barça e vai atuar em LaLiga pela primeira vez na carreira – antes, fez sucesso pelo Borussia Dortmund, da Alemanha.
Como praticamente toda transferência no mercado do futebol, a de Gundogan para a Espanha tem três lados: o jogador, o clube que o contratou e aquele que o perdeu. E esta de agora causa sensações diferentes, das mais positivas até as que podem virar negativas no futuro.
Ótimo para o Barcelona
O grande vitorioso da negociação, sem dúvidas, é o Barcelona – e até mais que Gundogan, como explicaremos mais abaixo.
Se a principal meta de Xavi Hernández era repatriar Lionel Messi, algo que acabou em frustração após o acerto do argentino com o Inter Miami, o Barça soube buscar no mercado alguém que, embora não desequilibre na mesma proporção do atacante, vive uma fase esplendorosa.
Nas últimas três temporadas, Gundogan somou 38 gols e 16 assistências pelo City, sendo decisivo na conquista de três títulos seguidos da Premier League (um deles com atuação impressionante, ao sair do banco e decidir contra o Aston Villa na rodada final) e também da última edição da Uefa Champions League.
Com o alemão, o Barça ganha um jogador da mais alta prateleira do futebol europeu, que, apesar dos 32 anos, ainda tem bastante lenha para queimar e pode formar uma dupla de respeito com Robert Lewandowski (parceria que já ocorreu no Dortmund). Sem contar o fato de adicionar ao elenco um líder nato.
Comum para o Manchester City
Pep Guardiola pediu encarecidamente para que a diretoria do time inglês fizesse o esforço necessário para segurar Gundogan. O técnico sabe da importância do jogador dentro e fora dos campos e o quanto sua saída poderia impactar o vestiário para a próxima temporada.
Mas, apesar de toda essa campanha para que Gundo assinasse um novo contrato, a verdade é que a saída do capitão só reforça algo que o Manchester City está habituado. Afinal, desde que Guardiola assumiu, em junho de 2016, pelo menos um jogador importante deixa o elenco.
A história começou com Joe Hart, goleiro que não tinha as características para atuar sob comando do espanhol. No ano seguinte, Pablo Zabaleta e Aleksandar Kolarov deram adeus. Em 2018, foi a vez de Yaya Touré partir para outro desafio.
E a história continuou de 2019 até 2022, com nomes como Vincent Kompany, David Silva, Sergio Agüero e Fernandinho. Todos liberados para seguir a carreira fora de Manchester como parte do processo de renovação. Gundogan é o novo integrante da lista.
Desafio para Gundogan
Basta olhar para os atletas citados nos parágrafos anteriores para levantar a questão: quais deram certo ao sair do Etihad Stadium? Só lembrar que Touré, Kompany e Zabaleta jogaram alguns meses até se aposentarem, assim como Agüero, prejudicado por problema no coração.
Outros exemplos aparecem à mente. Raheem Sterling não foi, no Chelsea, nem sombra do que acostumou-se a jogar no City com Guardiola. João Cancelo também forçou a saída e terminou em baixa no Bayern de Munique, a ponto de provavelmente ter que buscar outro clube – e talvez acabar ao lado de Gundogan no Barcelona.
Esse é o desafio de Gundogan terá que enfrentar agora que não joga mais pelo City, de onde sai com números impressionantes (304 jogos, 60 gols, 40 assistências e 14 títulos) e agora terá que provar seu valor em uma liga, um país e um clube totalmente diferentes.
E, se fizer, Gundogan não estará sozinho. Jogadores como David Silva, Leroy Sané e Gabriel Jesus mostram que há vida fora de Manchester e sem Guardiola no comando, algo que o alemão, pela capacidade incrível que tem, pode muito bem fazer no Camp Nou.
