Novo estádio do Atlético-MG tem previsão de inauguração oficial para o dia 19 de maio, em amistoso contra equipe estrangeira ainda a ser anunciada
Os torcedores do Atlético-MG contam os dias para verem a Arena MRV pronta e inaugurada. Para a data prevista para a abertura oficial, em 19 de maio de 2023, vão faltar exatos nove meses nesta semana – praticamente o período de uma gestação para o novo estádio “nascer”. Já a expectativa dos responsáveis pelo projeto é por algo que será um divisor de águas na história financeira e esportiva do clube.
Considerado um dos “mecenas” do Atlético-MG nos bastidores, Rubens Menin, presidente do conselho da MRV, é um dos entusiastas da Arena. A família dele foi quem doou o terreno para a construção do estádio. “Um terreno único, um terreno em Belo Horizonte com 160 metros quadrados foi uma sorte de ter conseguido. Ele é perfeito para o estádio”, disse ele, à reportagem.
A área pertencia a MRV, mas foi comprada pela família de Menin para ser doada ao Atlético. Fica no bairro Califórnia, na região Noroeste de Belo Horizonte. Além da Arena para 46 mil pessoas, o local terá um estacionamento, metrô próximo e rede de ônibus.
“O impacto quando ele estiver pronto será grande. Hoje, quando o Atlético joga no Mineirão ele recebe, em um jogo com renda de R$ 1 milhão, R$ 350 mil. Os R$ 650 mil são para pagar despesas [pelo uso do estádio]. Na arena, a bilheteria vai ser 100% do Atlético. Por quê? Porque o clube vai conseguir pagar a manutenção do campo com as receitas.”
“Além disso, o clube poderá potencializar o season ticket e o programa de sócio-torcedor. Ainda terá um adicional pelo fato de ser uma arena multiuso para eventos de diferentes portes e públicos. Estamos calculando que, a hora que estiver em pleno funcionamento, a Arena trará uma receita adicional de R$ 120 milhões/ano”, disse.
O valor pode até ser maior se usar como base o retorno que o Palmeiras tem com o Allianz Parque, em São Paulo. Em 2019, antes de a pandemia do novo coronavírus afastar os eventos e proibir a entrada de público em jogos, o clube paulistano arrecadou R$ 161 milhões com o estádio.
Por ser a única arena do futebol brasileiro com um modelo próximo ao que seria uma cogestão, entre Palmeiras e WTorre, o Allianz Parque foi um dos modelos que o Atlético estudou.
A reportagem apurou que WTorre deu consultoria aos diretores atleticanos, mas, ao longo do processo, a decisão foi espelhar do Allianz apenas o modelo para abrigar eventos.
“O papel da MRV é simplesmente com o naming rights da Arena. Ela não é a construtora e também não tem nenhuma gestão na Arena como a WTorre tem com o Allianz. A receita do estádio, tanto em dias de jogos como eventos, será 100% do Atlético. Nesse sentido, o modelo é mais parecido com a Arena da Baixada, do Athletico-PR. A Arena MRV se assemelha ao Allianz no que se refere ao uso. Ela foi montada para ser multiuso”, disse Thiago Maia, diretor financeiro da MRV.
“O Atlético tem dentro dele uma SPE [Sociedade de Propósito Específico] que faz a gestão. Tem um presidente, uma diretoria, um conselho. É quase como uma empresa privada. A Arena é 100% do Atlético, e o estádio terá várias fontes de receita. A mais evidente será com bilheteria. Outras serão shows e eventos. Nossa arena está sendo construída para ser muito eficiente. Você poderá montar a estrutura de um show com muita facilidade e de forma muito simples. Isso barateia os custos. Vamos ter ainda área de lazer e parcerias. Será bem funcional”, disse Menin.
Na projeção deles, não é só o Atlético quem deve sair ganhando. A expectativa é que Belo Horizonte tenha retorno com turismo e comércio, apesar da concorrência com o Mineirão (62.000 lugares) e o Independência (23.000).
“Tanto o Mineirão quanto o Independência não têm aptidão para o que a Arena MRV terá. Nós vamos poder fazer shows de todos os tamanhos com muita funcionalidade. Hoje, para você montar um show no Mineirão você demora três dias. Ele quase que inviabiliza todos os shows. No Independência a acústica é complicada. O novo estádio foi todo feito com acústica, com tecnologia de ponta. A gente acha que a Arena será muito relevante para a indústria do lazer, movimentando hotel, transporte, comércio, deixando muito dinheiro na cidade e dando muito emprego. Vamos aumentar e fomentar essa atividade que em Belo Horizonte é carente”, disse Menin.
Como está a obra
Atualmente, a obra já chegou a 75% do previsto para a conclusão. Os custos iniciais aumentaram e devem encarecer um pouco mais por causa das contrapartidas para a construção.
O primeiro orçamento para o estádio, em 2017, era de R$ 410 milhões. O projeto, porém, mudou, como detalhou Thiago Maia. “No início, seria uma arena de 41 mil lugares. Agora são 46 mil. Nasceu com 60 camarotes. Hoje são mais de cem. Fizemos muitas melhorias no projeto.”
São as contrapartidas que mudaram um pouco o cronograma de entrega do estádio e que fez a Arena ter alguns embates com a prefeitura de Belo Horizonte, uma vez que o local fica numa área de Mata Atlântica, nascente de Rio, entre outras questões ambientais e de infraestrutura.
“As contrapartidas estão orçadas em R$ 230 milhões e R$ 250 milhões. Aí vai depender do que a gente vai conseguir negociar com a prefeitura. Tem coisas que não fazem parte da Arena. Por exemplo, asfaltar um bairro inteiro, fazer um viaduto. Não tem relação. Achei que foi um pouco de mão pesada da prefeitura”, explicou Menin.
Inicialmente, para chegar aos R$ 410 milhões, o plano de negócio foi estruturado da seguinte forma. O Atlético-MG vendeu 50% do Shopping Diamond Mall por R$ 250 milhões. O naming rights da MRV correspondeu a mais R$ 60 milhões. Mais a venda de cadeiras por R$ 100 milhões.
No total, com as contrapartidas, segundo Menin, o custo do estádio pode chegar até a R$ 950 milhões. “Hoje, são R$ 700 milhões mais as contrapartidas. O valor é aproximadamente esse. Mas o Atlético não botou nenhum tostão, nem vai botar um tostão na Arena. Evidentemente vendeu metade de um shopping, mas recebeu a doação do terreno, teve a venda de naming rights, camarotes etc. Hoje, a Arena é a maior obra de Belo Horizonte, com mais de dez mil funcionários”, disse o mecenas.
Como será para o torcedor
A solenidade pela inauguração da Arena é mantida em segredo. Ninguém sabe quem será o adversário de estreia, por exemplo. Mas sabe-se que haverá uma grande homenagem aos ídolos.
Por enquanto, o que é divulgado pelos responsáveis é que o estádio trará uma experiência diferente em Belo Horizonte (leia mais no ESPN.com.br nesta sexta-feira). A torcida ficará muito mais próxima do campo, a acústica deve ser muito similar ao do Allianz Parque e a arena deve ter tecnologia de ponta.
“Nós queremos ser a Arena mais tecnológica da América Latina. A Accenture está nos dando assessoria para sermos muito fortes em conectividade. Com essa parte de tecnologia, iluminação e tudo mais você pode acrescentar de R$ 50 a R$ 100 milhões”, disse Maia.
“Vai ser prazeroso, com conforto e lazer. Aquele modelo que tem na Europa e nos Estados Unidos. Vamos ter uma esplanada cheia de eventos, cheia de estrutura, com bar, restaurante, quiosques de lazer. A chegada à arena também vai ser muito boa, com estacionamento pronto, estacionamento para van, lugar para carro de aplicativo. Além disso, o metrô vai ter uma passarela exclusiva. Você chega de metrô e vai para arena. Vai ter uma acessibilidade excepcional. Você estará lá dentro e estará ligado em 5G. A Arena será toda eletrônica, com seu cartão vai ter acesso a bares e restaurantes. Vai ser um centro onde a família pode ir passar um dia completo”, disse Menin.
“Acho que o Atlético depois que a Arena for inaugurada, será uma potência ainda maior”, acrescentou Menin.
