Atacante viveu grande história de superação até conquistar, no domingo, o maior título de seu país, na Copa Africana de Nações
Histórias que mostram a origem de jogadores de futebol não costumam ser simples. Muitos superam barreiras quase intransponíveis para chegar ao esporte profissional e realizar seus sonhos, numa espécie de roteiro dramático que muito bem caberia nas telas do cinema.
Sadio Mané é mais um desses exemplos vivos. Do menino pobre que encarou tudo e todos para chegar ao topo do futebol mundial. Se já tinha ganho tudo pelo Liverpool, o atacante colocou mais uma cereja no topo do bolo de sua história ao liderar Senegal na conquista da primeira Copa Africana de Nações de sua história.
Quem vê o habilidoso camisa 10 desfilando em campo hoje talvez não imagine que, quando garoto, ele precisou superar não só dificuldades financeiras, mas também os risos de adversários que competiam com ele por espaço nas peneiras de Dakar, em Senegal. Um pouco dessa trajetória foi contada em entrevista à revista France Football, anos atrás.
Mané relembra que precisou de dinheiro emprestado para conseguir chegar à cidade e participar de testes. Ele tinha 15 anos na época e só foi descoberto aos 17, por olheiros do Génération Foot, clube duas vezes campeão nacional e onde começou a carreira, em 2009.
Não tinha roupas nem chuteiras apropriadas para impressionar os avaliadores, o que o fez ser até certo ponto ridicularizado enquanto aguardava pela chance de entrar em campo. Mas, com a bola no pé, Sadio Mané mostrou a todos que estavam errados em julgá-lo.
"Eu saí sem contar para ninguém, separado do meu melhor amigo. Andei por muito tempo para encontrar um amigo, que me emprestou dinheiro para que eu pudesse pegar um ônibus até Dakar. Fui recebido por uma família que eu não conhecia e imediatamente comecei a participar de treinos em times reconhecidos", contou o hoje astro.
"Tinham 200 ou 300 garotos que estavam esperando na fila por uma chance. Começou ruim para mim porque, quando me apresentei, todos riram. Eu não parecia um jogador de futebol. Estava vestindo calças que não pareciam em nada com calções de futebol. E minhas chuteiras estavam completamente rasgadas dos lados. Tentei consertá-las com fios da melhor forma que consegui", relembrou.
"Aqueles que acompanhavam os testes olhavam para mim com uma expressão bizarra: 'Você realmente quer ser jogador de futebol?'. Eu entendia, mas não tinha chance. Como eu não era ruim, eles me aceitaram. E esse foi o começo da minha aventura", finalizou Mané.
Foram dois anos no futebol senegalês até uma chance no Metz, em 2011. O clube francês tinha uma parceria com o Génération Foot e apostou no atacante, que fez sua estreia há dez anos, em janeiro de 2012.
Apesar de só fazer um gol e ver seu time ser rebaixado, Mané se mudou para o Red Bull Salzburg, que pagou 4 milhões de euros pelo jogador. A passagem pela Áustria durou uma temporada só. Era hora de jogar a Premier League.
Em setembro de 2014, o Southampton desembolsou quase 12 milhões de libras pelo atacante, que assinou contrato por quatro anos. Foram duas temporadas pelo clube, 25 gols e um lucro gigante nos cofres, já que o Liverpool topou pagar 34 milhões de libras para ter o senegalês no elenco.
A partir daí, todos conhecem a história. Mané chegou em Anfield em 2016 e, desde então, tem sido um dos pilares do sucesso do time de Jürgen Klopp, campeão inglês, da Champions League e do Mundial de Clubes entre 2019 e 2020.
Na seleção, Mané também se tornou peça imprescindível desde sua estreia, em maio de 2012. Após 26 gols em 80 jogos, o atacante atingiu o ápice neste domingo, ao converter a cobrança de pênalti decisiva que deu ao país o primeiro troféu oficial de sua história.
Mais um momento de cinema na trajetória de uma das estrelas do futebol mundial na atualidade.
