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Ademir revela por que não foi para o Palmeiras e garante foco no América-MG: 'Tenho muito mais para fazer'

Ademir é o grande destaque do América-MG e quase foi para o Palmeiras em 2021


Autor de cinco gols nas últimas sete partidas, Ademir é a principal esperança do América-MG, que enfrentará o Atlético-MG neste domingo, às 16h (de Brasília), na luta pela permanência na Série A do Brasileirão.

Antes de explodir no cenário nacional e despertar a cobiça de clubes como Palmeiras e do próprio Galo, o atacante, 26 anos, precisou superar uma série de obstáculos.

Nascido em São Paulo, ele foi criado em Patrocínio-MG, onde começou no futebol em escolinhas da prefeitura e na várzea. Ao mesmo tempo que tentava a sorte na carreira, trabalhava como office-boy em uma loja de calçados femininos fazendo cobranças, entregas e pagando contas nos bancos.

Depois, passou a trabalhar vendendo panelas para fazendas no interior do Mato Grosso do Sul na divisa com o Paraguai.

"Eu era o auxiliar do vendedor, que falava bem. A gente fazia viagens longas de carro por mais de 1.200 quilômetros para fazer as vendas. Depois de três meses, voltávamos para receber as notas promissórias. Foi uma experiência incrível e importante para valorizar tudo que conquistei", disse Ademir, ao ESPN.com.br.

"Uma vez estávamos voltando de uma venda e fomos confundidos pela polícia com uns caras que estavam transportando drogas na estrada. Nós fomos encaminhados para a delegacia, ficamos umas cinco horas detidos e ainda levamos chuva porque estávamos aonde os presos tomavam banho de sol (risos). A gente não tinha nada a ver com isso. Foi uma passagem difícil, mas que hoje conto com tranquilidade", contou.

A primeira chance de Ademir em um clube foi aos 16 anos, quando foi reprovado em um teste no Internacional. Aos 18, foi aprovado no Uberlândia, pelo qual disputou duas vezes o Mineiro sub-20. No entanto, como não recebia salários e os torneios duravam poucos meses, ele sempre voltava a ser vendedor e a jogar no futebol amador.

A vida do atacante só mudaria em 2015, quando foi dispensado da S.E. Patrocinense após dois dias de peneira e logo em seguida recontratado.

"Pouco tempo depois, fui jogar contra eles em um amistoso pela seleção amadora da cidade. O treinador, que ainda não tinha me visto jogar, pediu para eu voltar", afirmou.

Após finalmente se profissionalizar no ano seguinte, Ademir defendeu o Penapolense e Nacional-SP antes de se destacar pelo C.A. Patrocinense-MG na elite do Mineiro. No fim do Estadual, o atacante foi contratado pelo América-MG, em 2018.

"Meu objetivo era ir para um clube de Série A. Não pensei duas vezes para aceitar. Passei dois anos difíceis, com poucas oportunidades, talvez por não ter tido muita estrutura de base, fundamentos e por onde vim. Talvez faltava alguma coisa, mas segui acreditando que poderia dar a volta por cima", afirmou.

No ano passado, ele virou o grande destaque da equipe que subiu para a Série A do Brasileirão e foi semifinalista da Copa do Brasil. Foram 14 gols e três assistências na última temporada.

"Fiz uma temporada incrível, que não esperava. Esse ano ainda não consegui fazer tantos gols, mas estamos chegando. A Série B do ano passado e a Copa do Brasil foram marcantes porque foram resultados muito expressivos. Depois do nascimento do meu segundo filho, parece que os gols voltaram (risos). Estou vivendo um momento incrível".

Quase ida ao Palmeiras

O jogador admitiu que, em fevereiro de 2021, o Palmeiras chegou a fazer uma proposta oficial para contratatá-lo, mas que o negócio não andou.

"A negociação durou um mês mais ou menos e não chegou ao que o América-MG gostaria. Preferi não entrar em detalhes e me focar na volta".

"Respeito a decisão do clube, que decidiu não me liberar por questões técnicas. Eles queriam contar comigo porque é uma temporada importantíssima na história do América-MG. Eles abriram mão dos valores porque poderia dar o meu melhor, fazer uma temporada boa e ajudar nesse objetivo que é a permanência".

"Passei um momento um pouco difícil até assimilar tudo o que estava acontecendo. Depois do jogo contra o Palmeiras, que me lesionei, fiquei um mês parado e me preparei psicologicamente e fisicamente. Consegui voltar muito bem e focado, comecei a fazer gols. Não é fácil porque mexe com a cabeça de qualquer pessoa. Estou em uma crescente e tenho muito mais para fazer até o fim do Brasileirão".

Fã de Neymar, Messi e Mbappé, Ademir é um atacante canhoto que gosta de jogar pela ponta direita do campo. "Eles são referências para maioria dos atacantes que jogam pelo lado. Tenho características de muita velocidade e drible, um pouco de força e técnica e uma boa finalização".

Apesar das notícias de que já teria assinado um pré-contrato com o Atlético-MG, Ademir prefere focar no fim da temporada pelo América.

"A minha relação com a torcida sempre foi muito boa e me deram muito carinho, acreditaram em mim. Temos a expectativa de conseguir esse objetivo. Sonhamos muito com isso desde 2018. Não é fácil porque tem grandes clubes lutando. Estamos muito focados, humildes e trabalhando. Futebol tem muitas armadilhas e não podemos deixar cair o ritmo. É um passo de cada vez e não se desesperar", afirmou.