A grave crise financeira atravessada pelo Barcelona ganhou contornos de drama nesta quarta-feira (06). Em entrevista coletiva, Ferran Reverter, CEO do clube, apresentou os relatórios da auditoria financeira completa realizada pela empresa Deloitte, que mostra o gigante catalão vivendo uma 'situação de falência técnica'.
Com uma dívida de 1,35 bilhão de euros (R$ 8,5 bilhões), a nova administração apresentou os números de operação recente do Barça, que registrou déficit de 51 milhões de euros (cerca de R$ 324,1 milhões) apenas na última temporada.
O valor, em comparação, se aproxima do pior momento atravessado pelo Cruzeiro.
Tentando reverter um devastador cenário de crise financeira, a equipe de Belo Horizonte teve um resultado negativo na casa dos R$ 394.1 milhões no balanço referente ao exercício 2019, segundo análise da empresa Moore Stephens Consulting News Auditores Independentes, que apontou a situação como 'incerteza significativa' quanto à 'capacidade de continuidade operacional'.
A diretoria do Barcelona, que é novamente presidida por Joan Laporta, pretendia anunciar os números aos torcedores no mês de março, mas precisou atrasar o planejamento até o início de outubro, segundo Ferran Reverter, pela dificuldade em encontrar toda a documentação de movimentações realizadas pelo clube nos últimos anos.
“Em março, nos encontramos com patrimônio líquido negativo. Se fosse uma empresa de sociedade anônima, seria uma falência contábil que iria supor dissolução”.
Segundo dados apresentados pelo CEO do Barcelona, a dívida do clube aumentou 514 milhões de euros (R$ 3,2 bilhões) entre junho de 2018 e março de 2021.
O cenário dramático ainda passa por um aumento de 61% nos custos com a folha salarial do elenco (principal fator que impediu a renovação de contrato de Lionel Messi), que chegou na atual temporada a 835 milhões de euros (R$ 5,3 bilhões), 108% acima da receita recorrente, além da elevação 56% nas despesas administrativas entre os exercícios 2016/17 e 2019/20 e os custos com instituições financeiras, que cresceram 600%.
“O clube contraiu vários empréstimos com bancos. O problema é que faltava planejamento para tudo, até para pagar as contratações. Fizemos sem saber se conseguiríamos pagar. A transferência do Coutinho custou 16 milhões de euros a mais devido aos custos financeiros”, disse Reverter, apontando que o Barcelona “não tem conseguido gerar fluxo operacional positivo durante o acumulado destes três anos e, portanto, tudo só conseguiu ser pago com o aumento da dívida com terceiros”.
