Alexandre Mattos é o Bola da Vez deste sábado, às 21h55, com transmissão pela ESPN no Star+. Sem clube atualmente, o dirigente relembrou as passagens que teve no futebol brasileiro e revelou um bastidor pouco conhecido do título do Campeonato Brasileiro do Palmeiras em 2016.
Segundo ele, na reta final da disputa, uma conversa com dirigentes italianos ajudou a enfraquecer o rival Santos, com a venda de Gabigol, hoje no Flamengo. Tudo para evitar que a Inter de Milão tirasse um dos principais nomes alviverdes na ocasião, Gabriel Jesus, que foi ao Manchester City.
“O Palmeiras vendeu o Gabriel Jesus no meio do ano para o Manchester City. E nós criamos que o Gabriel só iria se ficasse até o fim do ano, inclusive para tentar ser campeão brasileiro. E a gente convenceu o Gabriel primeiro, depois convencemos o City, fizemos o seguro. Dificuldade enorme, as regras da Inglaterra e tal, mas deu certo”, lembrou.
“E ali umas das coisas que a gente teve que fazer é blindar o Palmeiras. Porque o assédio começou a ser muito grande, e o Palmeiras tinha um contrato que dizia que, se pagasse 8 milhões de euros, o Gabriel tinha que ir embora. E 8 milhões de euros por um jogador como o Gabriel, do jeito que ele foi meteórico, estava dado. Então para blindar isso, peguei o avião, fui pra Europa, fui nos principais clubes, falei: ‘Olha, tem que conversar com o Palmeiras, não dá, tenho que conversar com o Palmeiras’.”
“Em uma dessas reuniões, a Inter de Milão queria muito o Gabriel. E cheguei a negociar valores astronômicos com a Inter... Fez a proposta, mas o Gabriel não queria. O Gabriel tinha dado a palavra para o Guardiola. Mas eu fiquei muito próximo lá da diretoria, especificamente do diretor da Inter de Milão.”
Foi então que Gabigol, uma das estrelas do Santos, surgiu nas conversas. “O Santos tinha aquele timaço, né. Lucas Lima jogando muito, Gabigol jogando muito, Ricardo Oliveira fazendo gol de todo jeito... Estava encaixado. E surgiu a oportunidade de dar uma mexida na água ali também, né.”
“Então em um determinado momento, falei com o empresário italiano, que me levou pra discutir o Gabriel Jesus, e falei com o empresário do jogador e falei com o diretor: ‘Amigo, eu tenho a solução. O Gabriel Jesus não vai. Tem um jogador que até mais experiente que ele, que é o Gabigol’. E ele falou: ‘Mas é bom? Os caras estão me oferecendo’. E eu falei: ‘É bom não, é ótimo’. E eu acho mesmo. Haja visto o que o Gabigol está fazendo até hoje.”
“Eles começaram a negociar, e o negócio deu certo, até por um valor menor que a Inter estava pagando pelo Gabriel Jesus. O negócio deu certo...”, seguiu Mattos, antes de lembrar o momento em que a “estratégia” quase foi por água abaixo.
“Eu estava na Academia de Futebol, e eu tenho até uma testemunha, que é o Maurício Galiotte, estava do meu lado. Quando eu estava lá: ‘E aí? Vendeu? Vendeu?’ Exatamente para desfalcar o Santos, né, que era um concorrente. Isso faz parte, não tem nada ilegal nisso aqui, né. E perguntando: ‘E aí? Está vendido? Está vendido?’ E eles falaram: ‘Está vendido. Só que, como você conseguiu segurar o Gabriel Jesus, o Santos quer que segure o Gabigol’. Pô, caiu a estratégia toda. E ainda colocou dinheiro lá. Ficou pior, né, pagou, está lá.”
Mas Mattos não desistiu. “Empresário do Gabigol: ‘Pô, tem que ir agora’. ‘Pô, mas o Santos não deixa’. Oh, diretor da Inter: ‘Tem que ir agora. O Gabigol é diferente do Jesus'. ‘Pô, tem que ir, tem que adaptar. Tem que ir, não sei o que, não sei o que’. Não foi isso só, mas eu tenho certeza que deu uma empurradinha e o Santos recebeu mais dois milhões de euros. Vou pedir minha comissão lá, hein. (risos)”
“E o Gabigol foi imediatamente. E sem dúvida alguma, foi importante o Santos perder, para o Palmeiras, aquela peça ali. Como foi importante a gente segurar o Gabriel Jesus.”
