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CBF: Diretoria decide afastar Caboclo da presidência por mais 60 dias

A diretoria da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) decidiu afastar Rogério Caboclo por 60 dias da presidência da entidade. O novo período se soma aos 30 dias determinados pela Comissão de Ética, que apura denúncias de assédios moral e sexual contra o cartola. A decisão será publicada em uma portaria a ser enviada às Federações estaduais nesta sexta-feira (2).

A informação foi inicialmente publicada pelo site "Globo Esporte" e confirmada pelo ESPN.com.br.

Em manobra política pilotada pela alta cúpula em alinhamento com o ex-presidente banido Marco Polo Del Nero, a portaria que informa o afastamento foi lida pelo departamento jurídico da entidade em reunião com a diretoria da confederação na noite desta quinta-feira (1).

O grupo se baseou no artigo 143 do estatuto para referendar a decisão. "Nos casos de urgência comprovada, a Diretoria da CBF poderá afastar, em caráter preventivo, qualquer pessoa física ou jurídica direta ou indiretamente vinculada à CBF que infrinja ou tolere que sejam infringidas as normas constantes deste Estatuto ou do Estatuto da Fifa ou da Conmebol, bem como as normas contidas na legislação desportiva e nos regulamentos da CBF", diz o trecho estatutário.

Após passarem o texto aos diretores no encontro desta noite, os membros do departamento jurídico se reuniram para finalizar detalhes da portaria a ser assinada pelo presidente em exercício, Coronel Nunes, antes de entrar em vigor e ser repassada aos presidentes de federações.

Caboclo foi afastado no último dia 6 de junho por conta de acusações de assédio contra uma funcionária da CBF. A suspensão inicial era de 30 dias – o que faria com que ele pudesse voltar ao cargo de presidente da entidade já no começo de julho.

Após tomar conhecimento da decisão, Rogério Caboclo se reuniu com seus advogados. A ideia é soltar um comunicado em breve rebatendo a decisão. A defesa do presidente afastado entende que não há respaldo claro e legal do estatuto para tal manobra, uma vez que não estaria claro quem seria "a diretoria da CBF" no trecho do artigo 143. Na visão do grupo, diretores não podem afastar um presidente.

Manobra de Del Nero

Ainda que assinada pelo Coronel Nunes, a decisão de prorrogar o afastamento de Caboclo é uma manobra capitaneada por Marco Polo Del Nero junto a seus aliados na diretoria da CBF. O grupo entende que uma decisão definitiva da Comissão de Ética não sairia antes que expirasse o prazo de 30 dias do afastamento inicial de Rogério do cargo.

Sem o caso resolvido, a ideia era evitar qualquer chance de retorno do cartola ao poder.

Além disso, Del Nero mantém seu aliado de primeira hora na cadeira da presidência. Desde que reassumiu o comando da CBF em 7 de junho, Coronel Nunes não toma nenhuma decisão sem consultar o cartola banido – mas que segue dando as cartas na entidade.

Del Nero teme ainda que uma decisão apressada da Comissão de Ética, gerando uma assembleia em até 30 dias para a escolha de um novo presidente, atrapalhe seus planos de controlar definitivamente a CBF.

Únicos postulantes ao cargo de presidente para encerrar o mandato que seria de Caboclo em caso de afastamento definitivo do presidente, os vice-presidentes da entidade não escondem a vontade de diminuir consideravelmente a influência de Del Nero na confederação.

Com mais 60 dias de Coronel Nunes na presidência, Marco Polo ganha tempo para articulações que mantenham seu poder na CBF.