Adriano Imperador viu sua vida mudar no dia 4 de agosto de 2004, pouco depois de decidir a final da Copa América entre Brasil e Argentina. Foi nessa data que ele soube da morte do pai, Almir. E, em suas palavras, também quando perdeu a alegria pelo futebol.
“Eu estava de volta à Europa com a Inter. Recebi uma ligação de casa. Eles me disseram que meu pai havia morrido. Ataque cardíaco”, relembrou ele, em carta escrita ao site “The Players’ Tribune”.
“Eu realmente não queria falar sobre isso, mas vou te dizer que, depois daquele dia, meu amor pelo futebol nunca mais foi o mesmo. Ele amava futebol, então eu amava futebol. Simples assim. Era meu destino. Quando joguei futebol, joguei pela minha família. Quando marquei, marquei para a minha família. Então, quando meu pai morreu, o futebol nunca mais foi o mesmo”, seguiu.
“Eu estava do outro lado do oceano na Itália, longe da minha família, e não conseguia lidar com tudo aquilo. Fiquei tão deprimido, cara. Comecei a beber muito. Eu realmente não queria treinar. Não teve nada a ver com a Inter. Eu só queria ir pra casa.”
Após a morte do pai, Adriano ainda seguiu na Internazionale de Milão, até retornar ao São Paulo, em 2008. Depois disso, defendeu Flamengo, Roma, Corinthians, outra vez o Flamengo e Athletico Paranaense, até deixar definitivamente a carreira profissional.
“Para ser honesto com você, embora eu tenha marcado muitos gols na Série A ao longo desses anos, e embora os torcedores realmente me amem, minha alegria se foi. Foi meu pai, sabe? Eu não poderia simplesmente apertar um botão e me sentir eu mesmo novamente.”
Sobre o problema com bebidas, Adriano é sincero: realmente gosta de beber. Sobre outros tipos de drogas, porém, ele é ainda mais contundente para negar o uso.
“Na época, eu estava desolado com a morte do meu pai. Queria me sentir eu mesmo novamente. Eu não estava drogado. Isso nunca. Eu estava bebendo? Sim, claro. Merda, sim, eu estava. Saúde! Mas, se quiser testar – te juro por Deus –, você não vai encontrar droga nenhuma no meu sangue”, afirmou.
“O dia em que eu usar droga é o dia em que minha mãe e minha avó vão morrer. Bebida alcoólica? Ah, isso vai dar mesmo, bastante, até porque eu gosto de tomar um danone.”
