Erling Haaland será provavelmente o grande nome da próxima janela de transferências da Europa. E um dos clubes que brigará pela sua contratação é justamente o Manchester City, adversário do Borussia Dortmund nesta terça-feira (6), pela abertura das quartas de final da Uefa Champions League.
Se ainda é prematuro demais para dizer qual a chance de Haaland suceder Sergio Agüero no ataque dos Citizens a partir da próxima temporada, o goleador tem uma ligação umbilical com o rival desta tarde que pode até facilitar um acordo entre as partes.
Alf-Inge Haaland, pai do camisa 9 do Dortmund, foi jogador do Manchester City por três temporadas, entre 2000 e 2003. A passagem não foi lá das mais bem-sucedidas, mas criou um laço a ponto de Haaland, o filho, até posar com a camisa azul nas redes sociais, antes de ser alvo de cobiça do mundo inteiro.
Haaland, o pai, atuava como volante e também lateral-direito. Atuou 34 vezes pela seleção da Noruega, por quem disputou a Copa do Mundo de 1994, e fez carreira principalmente na Inglaterra, onde chegou em 1994 para atuar pelo Nottingham Forest.
De lá, mudou-se para o Leeds United até chegar ao City, no verão de 2000, ao custo de 3,75 milhões de libras esterlinas. Em três temporadas, foi capitão de uma equipe modesta, bem antes da riqueza que mudou o clube de patamar, não conseguiu evitar o rebaixamento na Premier League em 2001 e ainda foi vítima de uma entrada para lá de criminosa de Roy Keane, em um dérbi de Manchester.
O lance aconteceu em 21 de abril de 2001. A quatro minutos do fim do clássico, que estava empatado em 1 a 1, Haaland dividiu uma bola com Keane e viu as travas da chuteira do adversário pegarem em cheio seu joelho direito. O capitão do Manchester United foi expulso e, anos depois, admitiu que aquela entrada foi uma vingança pessoal.
Tudo isso porque, em 27 de setembro de 1997, Keane machucou os ligamentos do joelho em uma partida contra o Leeds, no Elland Road. Na ocasião, Haaland jogava pelo Leeds e foi para cima do volante irlandês, acusando-o de forjar uma lesão para ganhar tempo. A contusão, porém, era verdadeira.
"Ele [Haaland] ficou me enrolando desde o começo do jogo. A cinco minutos do fim, fui para cima dele. Estava tentando derrubá-lo, não chutá-lo. Sabia que isso provavelmente acabaria em um cartão, mas f***. Esperei muito tempo. Bati nele com força. A bola estava lá, eu acho", admitiu Keane, em sua autobiografia publicada em 2002.
Pela entrada violenta, Keane foi punido duas vezes. Primeiro em 2001, com multa de 5 mil libras e três jogos de suspensão, depois com mais 150 mil libras e outras cinco partidas de gancho, após admitir publicamente que a agressão foi proposital.
Haaland, o pai, até terminou o clássico em campo. Atuou pela seleção norueguesa quatro dias depois e ainda voltou a fazer alguns jogos pelo City, mas nunca mais atuou uma partida completa. Aposentou-se em 2003, com problema no joelho esquerdo, não o direito que foi alvo de Keane, e admitiu que o lance mexeu com sua carreira.
"Engraçado, ele [Keane] nunca me olhou nos olhos desde 1997. Sempre tinham faltas mais duras em jogos assim, mas aquela foi acima do tom. Fico agradecido que minha perna estava fora do chão, senão ele teria feito um estrago e tanto", disse Haaland na época.
"O joelho ainda dói, isso nunca vai passar. Só tenho que aceitar. Se aquela entrada terminou minha carreira? Bem, eu nunca mais joguei uma partida inteira, não é? Parece uma grande coincidência, não acha? Talvez ele [Keane] tenha algo a ver com isso", ironizou o ex-volante.
Quase 20 anos depois daquele dérbi, a família Haaland volta a pisar em Manchester, com uma missão espinhosa. É no artilheiro que o Dortmund aposta para superar o favoritismo do City e ainda brigar pelo único título possível da temporada. Os gols do norueguês serão fundamentais para cumprir a meta, mesmo contra o clube que a família aprendeu a gostar tanto.
