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Bola do 100º gol de Rogério Ceni em São Paulo x Corinthians já teve oferta de R$ 50 mil, mas ficou com árbitro: 'Não vendo'

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10 anos do gol 100: Ceni foi chamado de 'predestinado' por Carpegiani e elogiado por Tite após o centésimo (2:14)

Relembre o que o ex-goleiro Rogério Ceni, ídolo do São Paulo, falou depois de marcar um golaço de falta - o 100º da carreira - na vitória sobre o Corinthians em 27 de março de 2011, data que completa 10 anos neste sábado. (2:14)

Há 10 anos, Rogério Ceni entrou para a história do futebol como o primeiro goleiro a chegar a incrível marca de 100 gols. Na Arena Barueri, o São Paulo venceu o Corinthians por 2 a 1, pela 16ª rodada do Campeonato Paulista, e quebrou um tabu de quatro anos sem derrotar o rival.

O famoso lance aconteceu aos oito minutos do segundo tempo, após o atacante Fernandinho passar pelo zagueiro Chicão e ser derrubado pelo volante Ralf pelo lado esquerdo da entrada da área. Apesar de a marcação ter sido muito contestada pelos jogadores corintianos, que acusaram o são-paulino de simulação, o árbitro Guilherme Ceretta de Lima anotou a infração.

“Quando marquei a falta, a possibilidade do gol nem passou pela minha cabeça. Eu marcaria de novo o lance, mesmo se fosse em outra parte do campo”, disse o ex-juiz, ao ESPN.com.br.

A falta perto da grande área causou grande euforia na torcida tricolor.

O goleiro Júlio César colocou apenas quatro homens na barreira, mas vários adversários ficaram na área para atrapalharem a visão do arqueiro.

Ceni pegou a bola com as mãos e a beijou antes de colocar no gramado. O chute bem colocado foi por cima barreira e acertou quase o ângulo direito de Júlio César, que chegou a tocar a bola com a mão direita, mas não evitou o gol.

Após estufar a rede, o goleiro tirou a camisa 01 e a rodou acima da cabeça, correu até a linha de fundo e foi abraçado por todos os companheiros de equipe. Uma bateria de fogos foi disparada por vários minutos, enquanto o placar eletrônico prestou mais homenagens ao ídolo.

Ao voltar para sua meta, Ceni recebeu um cartão amarelo de um constrangido árbitro, que expulsou três jogadores durante o tenso clássico.

“Eu tinha que cumprir a regra, independentemente da situação. Obviamente, se eu pudesse escolher e a regra me permitisse, eu não daria o cartão. Era um momento histórico. Fiz a coisa certa. Se não tivesse aplicado o cartão, nós estaríamos conversando sobre o erro”.

“Só depois eu fui perceber a importância do jogo para o São Paulo e para a minha carreira. Foi a melhor nota que recebi da Federação Paulista em toda a minha carreira pelo meu desempenho”.

Assim que saiu o gol, Ceretta pediu para o quarto árbitro guardar a bola chutada por Ceni.

"Falei para ele: 'Guarda porque essa daqui é minha'. Curioso que isso não foi mostrado por nenhuma câmera de televisão. Se fosse hoje em dia, o lance teria sido flagrado", contou.

Após a partida, dirigentes do São Paulo foram até o vestiário da arbitragem buscar, sem sucesso, o souvenir. O juiz levou a bola para a casa dos pais, em Votorantim, e guardou junto com uma camisa do São Paulo – utilizada alguns jogos depois - autografada por Ceni.

"Todo ano eu posto a foto dessa bola nas redes sociais no aniversário desse jogo. Vários colecionadores já me fizeram ofertas para comprar a bola. A maior delas foi R$ 50 mil, mas eu não vendo. Meu pai tem muita estima pelas minhas coisas e foi o cara que mais sofreu por eu ter parado de apitar. Não posso dar esse desgosto para ele e sair vendendo as coisas", explicou.

Ainda em campo, o goleiro passou a jogar com uma camisa especial, com o número 100 nas costas. Ele recebeu do São Paulo e da fornecedora de material esportivo do clube um kit de camisas especiais para comemorar a marca histórica.

Um dos itens mais cobiçados por torcedores são-paulinos e colecionadores de futebol, a camisa usada por Ceni na partida permanece até hoje com o goleiro. O jornalista André Plihal, da ESPN, apurou que o item está na casa do atual treinador do Flamengo.

Após parar de apitar no Brasil, Ceretta mudou-se em 2016 para os Estados Unidos. Atualmente, ele treina uma equipe de base na Florida Youth Soccer Association (FYSA) e joga pelo International Soccer Association na UPSL (United Premier Soccer League), uma liga semiprofissional dos Estados Unidos. Além disso, apita partidas nas duas organizações.

Ficha técnica

São Paulo 2 x 1 Corinthians

Data: 27 de março de 2011, domingo
Horário: 16 horas (de Brasília)

Árbitro: Guilherme Ceretta de Lima
Assistentes: Celso Barbosa de Oliveira e Carlos Alberto Funari
Assistentes adicionais: Luiz Flávio de Oliveira e Antônio Rogério Batista do Prado

Cartões amarelos: Dagoberto, Rogério Ceni, Junior Cesar, Ilsinho e Rhodolfo (São Paulo); Jorge Henrique (Corinthians)
Cartões vermelhos: Alessandro e Dentinho (Corinthians); Dagoberto (São Paulo)

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2:14

10 anos do gol 100: Ceni foi chamado de 'predestinado' por Carpegiani e elogiado por Tite após o centésimo

Relembre o que o ex-goleiro Rogério Ceni, ídolo do São Paulo, falou depois de marcar um golaço de falta - o 100º da carreira - na vitória sobre o Corinthians em 27 de março de 2011, data que completa 10 anos neste sábado.

GOLS: São Paulo: Dagoberto e Rogério Ceni; Corinthians: Dentinho

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Rhodolfo, Alex Silva, Miranda e Junior Cesar; Rodrigo Souto (Casemiro), Jean, Carlinhos Paraíba, e Ilsinho (Marlos); Fernandinho (Rivaldo) e Dagoberto
Técnico: Paulo César Carpegiani

CORINTHIANS: Julio Cesar; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos (Danilo); Ralf, Paulinho, Morais (Cachito Ramírez) e Jorge Henrique (Willian); Dentinho e Liedson
Técnico: Tite