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Jiangsu foi de 'peitar' Liverpool por Alex Teixeira a rombo de R$ 430 milhões e não agoniza sozinho na China

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Sondagem, proposta, carinho do São Paulo: Miranda fala sobre desejo de voltar a jogar no Brasil no Bola da Vez (1:57)

Zagueiro falou sobre seu futuro no Bola da Vez, da ESPN Brasil (1:57)

Em 2016, o Jiangsu Suning chocou o mundo do futebol ao anunciar o brasileiro Alex Teixeira por 50 milhões de euros (então R$ 218 milhões), superando uma oferta do Liverpool. Neste domingo, cinco anos depois, nova surpresa: o clube anunciou o fim de suas atividades.

Uma notícia que surge pouco mais de 100 dias depois de o clube conquistar o título do Campeonato Chinês. Meses após também ter sido colocado à venda pelo grupo Suning, o mesmo que comanda a Internazionale de Milão – não surgiram, porém, compradores.

Segundo a imprensa chinesa, nenhum negócio avançou diante de um pedido de 2 bilhões de yuans, algo em torno de R$ 1,7 bilhão. Agora, o time pode ser adquirido até sem custos, mas os novos donos teriam de assumir uma dívida que supera 500 milhões de yuans (R$ 430 mi).

A situação do clube que é o atual campeão do país, claro, é a que mais chama atenção. Nomes como Alex Teixeira, o zagueiro Miranda ou Eder, ítalo-brasileiro ex-Inter de Milão e com passagem pela seleção da Itália, passam a ficar livres... Mas a situação não é isolada na China.

Nos últimos anos, o futebol local se notabilizou pelos altos gastos, fossem em contratações, como a própria de Alex Teixeira, ou salários, que fizeram atletas como Darío Conca ou Hulk figurarem entre os jogadores mais bem pagos do mundo, mesmo longe da Europa.

O problema passou a ser que algumas contas não fechavam. Em 2018, por exemplo, a receita média dos clubes da Superliga Chinesa foi de 686 milhões de yuans (R$ 590 milhões), enquanto as despesas bateram 1,1 bilhão de yuans (R$ 946 milhões).

Um déficit médio entre os clubes de 440 milhões de yuans (R$ 378 milhões), que chega perto do recorde negativo da história do futebol brasileiro, o Cruzeiro de 2019, com R$ 394 milhões.

A situação ligou o alerta na Federação Chinesa de Futebol, que tentou conter a situação com medidas impostas para limitar os gastos dos clubes com salários e também na relação entre despesas e receitas. Com a pandemia de COVID-19, tudo ficou ainda mais complicado.

Em comum, no crescimento do Campeonato Chinês, estiveram empresas por trás dos maiores investimentos. Em um cenário de perdas econômicas em diversos segmentos, seguir colocando dinheiro no futebol deixou de ser viável para muitas delas.

O caso do Jiangsu, e o grupo Suning, aliás, nem parecia o mais grave. A poderosa estatal Teda Holdings, dona do Tianjin, apresentou em seu relatório financeiro do terceiro trimestre de 2020 um passivo equivalente a mais de R$ 184 bilhões, sendo que mais de R$ 65 bilhões eram referentes a dívidas de curto prazo, ou seja, com vencimento em até um ano.

A empresa teve ajuda para superar a crise, mas o time de futebol não recebeu o mesmo resgate. Neste domingo, no mesmo dia que o Jiangsu anunciou a suspensão de suas atividades, os clubes chineses precisavam apresentar um comprovante que estavam em dia com seus vencimentos para serem inscritos na Superliga. O Tianjin não conseguiu...

Recentemente, Tiquinho Soares, brasileiro que fez sucesso com a camisa do Porto, reclamou de atrasos de salário no Tianjin (que passou a se chamar Jinmen Tiger com a proibição das empresas nos nomes dos clubes) e deve buscar sua rescisão junto à Fifa.

Nos últimos anos, apesar da aparente força econômica, diversos clubes da China desapareceram. Agora, porém, a crise é no mais alto nível do futebol chinês, e o Jiangsu e o Tianjin são exemplos. Se serão os últimos ou únicos, só o tempo dirá...