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Noite perfeita e sensação de 300 mil pessoas no estádio: Alex relembra eliminação do River em 1999, seu maior jogo pelo Palmeiras

Se fosse atender a todos os pedidos de entrevista que recebeu, Alex não teria feito outra coisa desde 17 de dezembro, quando a Conmebol confirmou que uma das semifinais da Libertadores de 2020 seria entre Palmeiras x River Plate.

“Agora diminuiu um pouco a procura por conta do resultado do Palmeiras na Argentina (3 a 0). No pré-jogo da partida de ida, todos esperavam uma partida mais difícil, e até mesmo que houvesse uma derrota por parte do Palmeiras”, contou ele em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br”.

Há 21 anos, o Verdão perdeu na ida, em Nuñez, por 1 a 0. Resultado que a imprensa argentina julgou insuficiente. A manchete do Clarín dizia: “Ganó, pero no mucho”.

O jornal estava certo. Na volta, o Palmeiras atropelou, com um show de Alex e da torcida: 3 a 0.

“Não sei quantas pessoas tinha, se 28, 30 mil. Mas parecia que tinha umas 300 mil, nunca vi no Parque Antárctica uma atmosfera como aquela”, relembra-se. “Desde 1997, o Felipão queria criar uma sinergia entre o time e a torcida”, diz. Conseguiu.

Para a preleção daquele jogo contra o River, Felipão motivou o grupo com uma estratégia pouco ortodoxa. Decidiu levar ao vestiário um jovem torcedor chamado Enzo, 13.

O garoto fora flagrado chorando na arquibancada depois de o Palmeiras eliminar o Flamengo com um 4 a 2 de virada no Palestra Itália, pelas quartas da Copa do Brasil, dias antes. Enzo foi o elemento motivador do time.

“Aquela semifinal de 1999 é emblemática demais”, completa Alex, que concorda com a tese de que a partida em São Paulo da semi contra o River naquele ano foi sua maior pelo clube alviverde em mais de 200 jogos pelo Alviverde.

“Não há dúvida”, diz.

Após o jogo na Argentina, o elenco também achava que o resultado conseguido pelo River era plenamente reversível.

“Acreditávamos muito no nosso grupo. Comemoramos a derrota por um gol”, revela Alex.

“Mas sempre que eu conto a história desse jogo, a gente precisa voltar um período. Conversando com pessoas próximas, todos falam, o Alex é campeão por onde passou. Mas, naquele período, eu era muito contestado”, relembra-se. “Meses antes, o Felipão não queria que eu ficasse no grupo, queria me liberar”, diz.

“Eu tinha 21 para 22 anos, era uma promessa que a Parmalat tinha ido buscar. Se lembrarmos, meu único jogo inteiro na competição foi esse do River Plate. Ou eu estava no banco ou era substituído. Aquele dia deu tudo certo. Eu acertei uma cabeçada na trave, fiz dois gols, deixei meus companheiros na cara do gol. Poderia ter sido um placar bem mais elástico se fossemos mais efetivos na finalização”, afirma.

“O próprio terceiro gol, a bola dá uma escapada, mas consegui finalizar. É aquele jogo que tudo funcionou 100%”.

Mesmo assim, houve um momento em que o jogo ficou tenso. Apesar de ter aberto 2 a 0 com 23 minutos, o time perdia muitos gols, e começou-se a temer que o River pudesse buscar pelo menos os pênaltis.

“Nós abrimos 2 a 0, tivemos umas três ou quatro oportunidades claras, e nada. Em dado momento do segundo tempo, houve uma arrogância dentro de campo. Do outro lado tinha Ángel, Aimar, Berti, Sorín, que poderiam decidir a partida de forma individual”, lembra-se.

“O Marcos fez umas duas ou três defesas boas em lances do Gallardo. Tanto que o meu gol traz um alívio para nós. Até aquilo acontecer, se nós não virmos os melhores momentos, mas um VT do jogo mesmo, tinha tensão na arquibancada, no banco de reservas, tinha discussão”, diz.

“Se tomássemos um gol, a história seria completamente diferente”, diz ele que, sem necessariamente ter a intenção, dá um aviso para o time de Abel Ferreira.