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Bahia: em vídeo, Índio Ramírez diz que não foi racista com Gerson e revela: 'Minha família recebeu mensagens de violência'

No último domingo, Flamengo e Bahia protagonizaram um grande jogo no Maracanã. Duas viradas, uma para cada lado, e a vitória do Rubro-Negro por 4 a 3 com um a menos. No entanto, o resultado ficou em segundo plano por conta de mais um caso de racismo.

O volante Gerson, do Flamengo, acusou o meia Índio Ramírez, do Bahia, de injúria racial. O volante do clube carioca revelou que o colombiano falou 'cala boca, negro' após o segundo gol do clube baiano.

O Bahia anunciou o afastamento do jogador após a situação e afirmou que continuará investigando o caso. Nesta terça, o clube, por meio de suas redes sociais, postou a versão do jogador, que tentou esclarecer o que aconteceu.

Veja abaixo:

"Em nenhum momento fui racista com nenhum dos jogadores. Com Gerson e com ninguém. O que passa foi que, quando fizemos o segundo gol, jogamos a bola rapidamente ao meio-campo. O Bruno Henrique enrola, e peço a ele para jogar rápido e sério. Ele joga a bola para trás, não sei o que Gerson me falou, porque não entendo português e disse: 'joga rápido, irmão'. Não sei o que ele entendeu, começou a me perseguir sem entender nada. Saí por trás porque não queria entrar em confusão. Depois, ele sai a falar que eu falei: 'cala a boca, negro'. E eu não falo português. Sobre ser racista, não estou de acordo. Não é bem visto em nenhuma parte do mundo. Somos iguais", disse o meia em uma parte do vídeo.

"Bom, de coração, espero que as coisas clareiem. Minha família está vivendo algo complicado, tanto minha família como eu. Em nenhum momento fui racista. É um tema complicado, minha família recebeu muitas mensagens de violência. Quero estar bem, vim ao Brasil para jogar, para fazer as coisas bem. Peço desculpas a Gerson, a toda a gente que escutou mal o que eu falei. Em nenhum momento falei algo racista", completou.

Nesta terça-feira, o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, participou do Futebol Na Veia, da ESPN Brasil, e contou detalhes do papo que teve com Gerson e com Índio Ramírez.

“Nosso atleta afirma que não falou o que Gerson ouviu. Isso é importante, não pode significar uma redução da voz da vítima, foi o que falei com o Gerson, mas tem que ter direito de defesa ao Índio Ramírez. Minha fala foi de respeito e que a voz dele é relevante, ponto de partida para tudo. O Bahia estuda, não desceu de paraquedas no tema. A voz da vítima é importante e deve ser levada ao extremo", disse Bellintani, que trouxe detalhes do papo com os dois jogadores.

"A conversa foi direta, objetiva, ligação de solidariedade, entender o processo para que compunha a nossa análise, investigação, tentando entender a forma mais firme o que aconteceu e partir para punições ou processos educativos. Não vamos abrir mão disso. Já ouvi o Ramírez três vezes, estamos levando a sério. Se tivesse que acontecer em algum clube, por mais que a gente sinta muito, aconteceu no Bahia, um clube que está preparado para o enfrentamento. Temos muito que aprender, mas estamos razoavelmente preparados".

“Qual seria a frase que ele (Ramírez) teria falado? Ele disse que falou ‘vamos jogar sério’ quando passou pelo Gerson", finalizou.

Gerson assinou uma intimação e tem depoimento marcado para terça-feira (22), às 10h. O camisa 8 tem a companhia do departamento jurídico do Flamengo. Segundo Rodrigo Dunshee, vice-presidente da pasta, o clube vai acionar o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) contra Índio Ramírez e Mano Menezes.

A delegada Marcia Noeli, da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, informou que Ramírez, jogador do Bahia, o técnico Mano Menezes e o árbitro Flavio Rodrigues de Souza vão precisar prestar depoimento por conta da acusação feita por Gerson. A informação foi divulgada pelo site globoesporte.com. Ainda não há uma data definida.

Veja abaixo o relato de Gerson na saída de campo.

"Jogo muito difícil desde os dez minutos do primeiro tempo. Perdemos um jogador muito importante do nosso time (Gabigol foi expulso), mas mesmo assim o time foi muito forte. Agradeço o grupo, está de parabéns, pela força, pela vontade... Tomamos a virada, mas não desistimos e corremos atrás da vitória", começou.

"Quero falar uma coisa: tenho vários jogos pelo profissional e eu nunca vim falar aqui nada para a imprensa, até porque nunca sofri esse preconceito e nunca fui vítima nenhuma vez. Depois o Mano (Menezes) até falou 'É, agora você é vítima, porque o Daniel Alves te atropelou', mas teve respeito".

"O Ramirez, quando a gente tomou o segundo gol, o Bruno Henrique fingiu que ia chutar uma bola, ele reclamou com o Bruno, e eu fui falar com ele, e ele falou bem assim para mim: "Cala a boca, negro". Eu nunca sofri. Mas isso eu não aceito. Eu nunca falei de treinador, mas o Mano tem que saber respeitar. Estou vindo falando em nome de todos os negros do Brasil", disse ao Premiere.