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Bundesliga: gêmeos do Leverkusen compartilharam drama com lesões, até prêmio individual e agora vão se aposentar juntos

Os 12 minutos de diferença no nascimento que fazem de Lars Bender mais velho do que seu irmão gêmeo idêntico, Sven, representam uma boa metáfora para suas carreiras como jogadores de futebol. Afinal, as semelhanças de ambos vão de títulos e prêmios juntos até o momento da aposentadoria. Mesmo quando tomaram rumos diferentes, realizaram ao mesmo tempo.

Nascidos em Rosenheim em 27 de abril de 1989, cidade localizada na Bávaria, começariam sua trajetória no futebol quatro anos mais tarde no mesmo clube: o TSV Brannenburg, equipe de um distrito de Rosenheim. Meio-campistas de origem, eles mostraram versartilidade ao longo da carreira, sendo que Lars se dividiu com a lateral direita, enquanto Sven nos últimos anos acabou virando zagueiro.

A saída seria em 1999 para o SpVgg Unterhaching, clube no qual ficariam - juntos, é claro - até 2002. Já com 13 anos e vendo que teriam um futuro brilhante pela frente, a dupla foi para o 1860 Munique.

Logo, a parceria se daria também na seleção alemã. Em 2006, os dois estiveram na seleção alemã que ficou no quarto lugar no Europeu sub-17. Aquele ano ainda traria uma grande alegria para ambos, que tinham sido promovidos ao elenco principal do seu clube. Em 27 de novembro, Lars Bender estreou profissionalmente pelo Munique 1860. A vez de Sven viria em 18 de dezembro.

Conquistando espaço aos poucos e unidos, os Bender só aumentavam o sucesso e conseguiram até o que parecia impossível: o mesmo prêmio individual no mesmo ano. Peças importantes na Alemanha que ficou com o título do Europeu sub-19 de 2008, os volantes receberam o prêmio de melhor jogador da competição, algo inédito e único na história da competição.

"Não somos julgados de forma individual - ninguém fala sobre Lars Bender ou Sven Bender, as pessoas apenas falam sobre 'os Benders', tal atenção também tem um elemento positivo. No sentido de que isto nos faz mais fortes, porque aprendemos que nós podemos ajudar o outro a melhorar e crescer no jogo", disse Sven, em entrevista ao site da Uefa publicada no primeiro dia de 2009.

"Nós sempre estivemos no mesmo time. Nunca houve uma situação de jogar por diferentes times, embora você não possa prever o que irá acontecer no futuro", afirmou Lars - na mesma entrevista -, um semestre antes de o futuro indicar que eles seriam separados.

Porém, até nesta situação caberia uma semelhança. Se chegaram juntos ao Munique 1860, eles também sairiam juntos, aos 20 anos. Para a temporada 2009-10, Lars Bender se transferiu ao Bayer Leverkusen por 2,5 milhões de euros, um milhão a mais do que a quantia pela qual seu irmão acertou com o Borussia Dortmund.

Desde então, ambos se estabeleceram como titulares de suas equipes e, em comum, compartilharam períodos de ausência por conta de lesões. Os dois viram, juntos, o fim de qualquer chance de disputar a Copa do Mundo de 2014, por exemplo.

Sven sofreu uma inflamação no osso do púbis, que o deixou longe dos gramados de 22 de fevereiro ao fim da temporada. Até voltou antes do Mundial, mas, por causa da falta de ritmo e por não estar nas melhores condições, foi deixado de fora da lista do técnico Joachim Low. Lars, por sua vez, sofreu um problema muscular na coxa direita em maio.

Mas é justamente na seleção alemã que, em meio a tantas semelhanças, há uma diferença. Isso porque, o irmão 12 minutos mais velho é mais experiente, tendo participado do elenco semifinalista na Eurocopa de 2012, enquanto o mais novo não jogou o torneio. Sven atuou pela Mannschaft até 2013 (sete jogos), enquanto seu irmão ainda defenderia o país até o ano seguinte (19 partidas).

Por outro lado, Sven alcançou maiores feitos por clubes. Pelo Borussia Dortmund, o volante foi bicampeão alemão e da Supercopa da Alemanha, além de ter vencido uma Copa da Alemanha e ter ficado com o vice de uma Uefa Champions League.

Em 2017, ele se juntou ao seu irmão ao se transferir ao Bayer Leverkusen, onde jogarão até a aposentadoria no final da atual temporada, como revelaram nesta segunda-feira.

As lesões foram um grande obstáculo nos últimos anos, mas não impediram que eles fizessem uma trajetória significativa na Bundesliga, com Lars somando 252 partidas na competição, três a menos do que Sven, uma semelhança que reflete bem o que foram suas carreiras.

"Depois de muito pensar e inúmeros cenários em relação ao nosso futuro, nós finalmente tomamos a decisão de não continuar nossa jornada com o Bayer Leverkusen. Sentimos a responsabilidade em informar ao clube desta decisão em tempo útil", declararam os dois atletas de 31 anos em comunicado conjunto. Eles completam 32 em abril.

"No final das contas, não foi uma decisão contra o clube, mas sobre saúde e família. Nós reconhecemos que será difícil jogar futebol neste alto nível depois do verão (da Europa). Qualquer um que nos conheça, também sabe que damos 100% todos os dias. Para nós sempre foi o requerimento básico no treino e nos jogos. Infelizmente, está se tornando cada vez mais difícil para nós atuarmos consistentemente neste nível por conta de toda dor e problemas físicos que estão nos afetando mais e mais."