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Palmeiras: Marcos Assunção revela 'quase ultimato' em Felipão e o que ouviu ao deixar o clube: 'Virão outros que batem mais falta que você'

Parece absurdo, mas uma das justificativas ouvidas por Marcos Assunção para que seu contrato com o Palmeiras não fosse renovado, entre o fim de 2012 e o início de 2013, foi a qualidade de suas cobranças de falta.

“Eu escutei que ‘virão jogadores melhores, que batem mais falta que você’”, contou ele, em entrevista ao ESPN.com.br.

Indagado quanto a quem lhe disse tal frase, ele não titubeou: “O Tirone. O próprio (presidente Arnaldo) Tirone falou, na minha cara. E os jogadores eram o Ayrton e Souza”, contou.

Assunção fez 31 gols em sua passagem pelo Palmeiras, dentre os quais, 24 de falta. Ayrton fez um gol de falta pelo Alviverde. Souza também fez um.

Ainda haveria um último episódio nessa história, mais uma vez protagonizado por Tirone, já após o fim de seu mandato:

“Eu acho que ele se arrependeu. Ele me ligou, pediu para que eu fosse ao escritório dele, e me disse que ia pedir para o (Mauricio) Galiotte, diretor de futebol (da gestão Paulo Nobre), me contratar”, conta. Não deu certo.

“Eu disse para ele que não tinha nenhum cabimento. Se ele que era o presidente não me contratou, como que o presidente seguinte contrataria? Eu também não contrataria, se fosse eles”, afirma.

Terminou assim, a passagem do capitão na conquista da Copa do Brasil de 2012 pelo Palmeiras. A cereja no bolo de um ano em que os jogadores foram do céu ao inferno em questão de meses

“Foi muito dolorosa a minha saída. Eu poderia ter saído de uma maneira diferente. Acho normal isso das pessoas, diretoria, chegarem ao fim de um ciclo. Mas é preciso sentar e conversar como homem, porque eu fui um cara que me dediquei muito no Palmeiras”, conta.

Mas, se Felipão não tivesse chamado Assunção para uma conversa em 2010, a relação talvez tivesse acabado com poucos meses

Ultimato

“Quando eu cheguei no Palmeiras, tinha o Pierre, o Edinho e Márcio Araújo, todos da minha posição. Eu cheguei quietinho, de boa. Mas eu não jogava, e aquilo me incomodava”, contou Assunção.

“Eu tinha um ano de contrato. Se eu não jogasse, como iria renovar? Um dia, falei, ‘não aguento mais’. Saí de casa decidido a falar com o Felipão: Ou jogo, ou quero ir para outro time, porque quero jogar”, contou.

“Fui o caminho inteiro, da minha casa à Academia, pensando nisso. Mas, quando cheguei, foi ele que me chamou: ‘Preciso conversar com você’. E me disse que, a partir daquele dia, eu ia ser titular do time e um dos capitães. E não saí mais”, conta.

“Na hora, já falei, 'beleza, vamos treinar'. Nem toquei no assunto”, conta, entre risos.

Mas aquele primeiro ano de Assunção como titular acabou amargo, com a eliminação na Copa Sul-Americana, diante do Goiás, na semifinal. Fora de casa, deu Palmeiras, 1 a 0, com gol de Assunção. Mas, na volta, o Goiás venceu de virada: 2 a 1.

“Foi uma coisa estranha, que acontece no futebol. Depois, no vestiário não tem bem como falar nada, você está ali, desolado, com classificação na mão. E não jogamos mal. Fomos piores em várias partidas”, diz ele.

“Era para ter sido uma conquista importante nossa, e acabou sendo a primeira grande derrota.”

Mas o ano de 2012 estava logo ali, para dar a Assunção a sua primeira grande conquista pelo clube - e também a sua maior derrota na carreira.