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Palmeiras: Marcos Assunção relembra soco em Valdivia e conta o que pensa do chileno

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Marcos Assunção relembra desentendimento com Valdivia e diz o que pensa dele como jogador (3:51)

Chileno fez declarações que não agradaram Assunção (3:51)

Não foi por acaso que os torcedores do Palmeiras deixaram o último dia 18 passar batido. A data marcou o incômodo oitavo aniversário da segunda queda do clube para a segunda divisão.

Dois dos jogadores mais importantes daquele time, o que em muito explica o rebaixamento, não estiveram no fatídico empate com o Flamengo (1 a 1), ambos contundidos: o capitão Marcos Assunção e o camisa 10, Valdivia.

E foi por conta de uma lesão de Assunção que os dois jogadores mais talentosos daquele elenco entraram, literalmente, em rota de colisão em setembro daquele ano, conforme relembrou o volante em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

“Não me engrandece em nada o que eu fiz”, afirmou o ex-jogador, que deu um soco no chileno após o mesmo dizer que ele estaria querendo fazer média com a torcida e a imprensa quando revelou que jogava sob efeito de infiltrações nos joelhos.

“Eu tinha operado o joelho direito (em 21 de agosto) e meu prazo para retornar era 45 dias”, revelou Assunção. “Daí, um dia, vieram o (presidente Arnaldo) Tirone e o doutor (Otávio Vilhena), o Felipão tinha caído, e disseram: ‘Olha, Marcos, a gente vai precisar que você jogue’. Tinha uns 20 dias desde a cirurgia”, contou ele.

“Era uma sexta-feira, e no domingo (16 de setembro), a gente tinha que jogar contra o Corinthians.”

Na ocasião, quem comandaria o Palrmeiras seria o ex-volante Narciso, então técnico do sub-20 do clube.

Cinco dias antes do prazo em que era para Assunção começar a trabalhar com bola, ele iria a campo para um clássico contra o maior rival.

“Aí, eu falei com o doutor, e ele me disse, ‘olha, Marcos, a operação foi boa, você só não tem musculatura’”, lembrou o paulista de Caieiras e atualmente com 44 anos.

“Eu falei com o (fisioterapeuta José) Rosan, ele falou 'Marcos, sem uma musculatura ideal, seu joelho vai estourar'. Como estourou mesmo. Eu tenho o joelho estourado. Eu falo que o Palmeiras me deixou uma herança”, disse, entre risos.

“Vira e mexe meu joelho dói, eu tenho que levantar , muda o tempo, o meu joelho dói, eu bato uma bolinha com os caras, meu joelho incha…”, revelou.

Na sexta-feira antes do confronto, Assunção deu entrevista confirmando que iria para o sacrifício por “amor ao Palmeiras”. E foi em cima dessa declaração que Valdivia fez críticas ao camisa 20.

“E aí, eu comecei com as infiltrações e surgiram rumores de que o Valdivia falou que eu estava jogando para aparecer para a torcida e para a imprensa. E eu não achei legal da parte dele”, disse.

O soco veio em uma reunião dos jogadores, depois que o chileno foi peitar Assunção.

Desculpas

No passado, Assunção deu declarações chamando Valdivia de “sem-vergonha”, dando conta de que alguns jogadores vieram lhe cumprimentar pelo soco. Hoje, porém, a visão do ex-capitão é outra.

“Existem outras maneiras de se conversar, mas com o sangue à flor de pele, você fala o que não deve e daí acontecem algumas brigas e discussões”, explicou.

“A gente voltou a se falar logo depois, no dia seguinte. O César Sampaio (então gerente de futebol) chamou a gente para conversar. Eu pedi desculpas a ele, ele pediu desculpas para mim por algumas coisas que ele falou e ficou tudo certo”, afirmou.

Para piorar, o Palmeiras perdeu aquele clássico para o Corinthians por 2 a 0. Foi a primeira das nove últimas partidas de Assunção com a camisa alviverde.

Sua despedida aconteceu em Fluminense 3 x 2 Palmeiras, que deu o título aos tricolores, em 11 de novembro, em Presidente Prudente, interior de São Paulo - uma semana antes da queda.

Assunção saiu de campo aos 14 do segundo tempo. Com dores no joelho.

Admiração

Hoje, embora não tenha qualquer amizade com Valdivia, Assunção não tem qualquer problema em reconhecer a qualidade do chileno com a bola no pé.

“Eu falo para todo mundo que ele foi um dos camisas 10 com quem eu mais gostava de jogar.”

“Em um jogo complicado, a gente dava a bola nele e ele escondia a bola, sofria uma falta, dava uma enfiada e deixava nosso atacante na cara do gol”, completou.

“E olha que eu joguei com Totti, Rivaldo, Ronaldinho, Giovanni… e o Valdivia está entre esses craques”, finalizou.