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'Sai daqui, cara!': Assunção relembra o dia em que 'expulsou' Ronaldinho para a ponta, exalta Zidane e revela pedido de Casillas

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'Pô, Ronaldo, sai pra lá!': Assunção relembra o dia em que 'expulsou' Ronaldinho Gaúcho para a ponta esquerda em um Betis x Barcelona (3:15)

Barcelona dessa época era uma máquina de jogar futebol (3:15)

Marcos Assunção nem pisca quando perguntado sobre qual é o seu lugar favorito no mundo:

“Caieiras”, cravou ele, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

É na cidade da Grande São Paulo em que nasceu e começou a jogar futebol que o ex-jogador de 44 anos mora e se sente em casa. E era ao bar do amigo Zé Baiano, até o início da quarentena, que ele ia todos os finais de semana para jogar truco.

“É um botecão mesmo, cadeira de ferro, mesa de sinuca”, contou ele.

Mas houve um tempo em que ele chamou de casa a Europa. Mais precisamente, Sevilha, na Espanha, e antes, primeiramente, Roma, na Itália.

“O cara que saiu de Caieiras, nasceu num barraco de madeira, de repente estava andando de Ferrari e apertando a mão do Papa no Vaticano”, disse ele, se divertindo.

A visita ao chefe máximo da Igreja Católica, João Paulo II à época, deu-se em 2002, ano em que conquistou, com a Roma, o Campeonato Italiano e a Supercopa da Itália.

Foi por essa época também que ele enfrentou o jogador que mais o impressionou em campo, com a camisa da Juventus - e que depois encararia também na Espanha, no Real Madrid.

“Houve vários caras fora de série. Djalminha, Boban, Sonny Anderson, Élber, Del Piero...mas o Zidane era realmente um cara diferente. Ele parecia lento, mas você nunca sabia para que lado ele ia”, relembrou-se Assunção.

Foram seis jogos contra Zidane, três pela Roma, três pelo Betis. E Assunção nunca o venceu: três derrotas e três empates.

Igual e eles

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Del Piero, Zidane ou Ronaldinho Gaúcho: Assunção elege o fora de série que mais o impressionou em campo

Lista de craques enfrentado por ele impressiona

O ex-volante chegou à Roma depois de jogar por oito meses no Flamengo. Por lá, encontrou e contou com a ajuda de uma legião brasileira: Cafu, Antônio Carlos, Aldair, Lima Emerson e Fábio Júnior.

“Eles me ajudaram demais”, relembra-se. “De repente, eu tava no meio daqueles caras. E eu sabia que eles já tinham atingido coisas que eu ainda não tinha. Mas meu pensamento era: se estou aqui, é porque posso ser igual a eles”, conta.

Brasileiros à parte, ele ainda tinha como companheiros Nakata, (Cristiano) Zanetti, Montella, Candela, Batistuta e um jovem que tinha os mesmos 22 anos dele, mas que já era capitão do time: Francesco Totti.

“Ele era super tranquilo e, mesmo muito jovem, sabia ser capitão. O capitão tem que ser o exemplo e ele fazia isso”, diz. “Mas é bom destacar que ele tinha muita ajuda do Cafu, do Aldair, que também eram capitães às vezes. Ele os ouvia, consultava”, conta.

Casillas respeita, Ronaldinho inferniza

Após três temporadas, Assunção chegou ao primeiro Alviverde de sua vida, o Betis. Lá, ele foi recepcionado por Denilson e sua família.

“Os pais dele foram os meus pais, nessa época. Ele é meu irmão. A gente se encontra direto”, conta sobre amigo que, além de companheiro de clube, era também parceiro de balada.

“Ele me ajudava de manhã, de tarde e de noite”, brinca Assunção.

Foi na Espanha que Assunção jogou por mais tempo na Europa e onde o mundo conheceu sua precisão em cobranças de faltas.

A ponto daquele que talvez seja o goleiro mais célebre do futebol espanhol ter reconhecido seu talento.

Sim, a famosa frase de Casillas sobre a qualidade de Assunção é verdadeira, e foi apenas parte da reverência do campeão do mundo pela Espanha pelo brasileiro.

Em 6 de fevereiro de 2003, o goleiro do Real Madrid disse em entrevista coletiva que teria que tomar muito cuidado com Assunção no confronto com o Betis.

“Quando ele chegou à Espanha, não sabia nem quem era. Mas aí, comecei a ver como cobrava faltas e disse a mim mesmo: com esse, eu tenho que ter cuidado”, disse o goleiro em entrevista coletiva registrada pelo jornal As de 6 de fevereiro de 2003.

“Vi vídeos de todas as cobranças dele, mas o melhor jeito de não sofrer gols dele é contando com a sorte”, completou o arqueiro. “Ele tem uma batida forte e seca”.

Mas Assunção, lembra-se ainda de uma outra passagem com Casillas.

“Houve um jogo em que ele foi poupado pelo técnico, se não me engano, estava no banco. E quando o jogo acabou, ele se levantou e pediu para trocarmos camisas. Achei um gesto de muita humildade dele, por tudo que ele representa para a Espanha e para o Real Madrid. Até hoje tenho a camisa”, diz.

“E olha que nunca fiz gol contra ele”, diz. Em quatro partidas, sendo uma pela Roma, Assunção perdeu três e empatou duas contra Iker.

Houve mais um fora de série que cruzou o caminho de Assunção, mas esse era um velho conhecido:

“Teve um jogo contra o Barcelona em que o Ronaldinho começou a querer cair ali pelo meio-campo”, relembra-se.

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'Casillas pediu minha camisa": Assunção relembra respeito que o goleiro do Real Madrid sempre teve por ele

Espanhol elogiava a precisão de Assunção nas cobranças de falta

“E ele vinha daquele jeito dele, trazendo a bola, pedalando”, conta.

“Aí eu falei pra ele ‘pô, Ronaldo, sai daqui cara”, conta Assunção. “Seu técnico te escalou na ponta-esquerda, é lá que você joga. Ó, o lateral falou que você não vai passar nenhuma. Vai pra lá!”, conta Assunção, entre risos.

“Imagina, o ataque do Barcelona era Ronaldinho, Eto´o e Messi começando, mas já explodindo. E quando não era o Ronaldo, era o Messi que pegava a bola e vinha pro meio...”