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Diogo Jota, do Liverpool, tem mesmo empresário de Cristiano Ronaldo, é viciado em Fifa e encantou Klopp

Grande sensação do Liverpool, Diogo Jota irá reencontrar no domingo, às 16h15 (de Brasília), o Wolverhampton, clube que o vendeu para os Reds nesta temporada por 41 milhões de libras (R$ 287 milhões).

O jogo terá transmissão da ESPN Brasil e do ESPN App e acompanhamento em tempo real, com vídeos de lances e gols, do ESPN.com.br.

Bastante elogiado pela imprensa e pelo técnico Jurgen Klopp, o português de 23 anos marcou nove gols em 15 jogos e chegou a deixar Roberto Firmino – titular absoluto da equipe – no banco de reservas em algumas ocasiões.

Jota começou nas escolinhas do pequeno Gondomar-POR antes de chegar às categorias de base do Paços de Ferreira-POR, aos 16 anos.

“Antes de vir ao Paços ele chegou a treinar no Benfica, mas não ficou. Ele teve outros convites, mas fomos mais convincentes. O que mais me chamou a atenção no Jota foi o foco para ser jogador profissional. Ele já tinha um comportamento fora de campo muito profissional. Ele morava no alojamento da base, ainda estudava e cumpria todas as nossas regras, que eram bem rigorosas”, disse Paulo Gonçalves, diretor do Paços de Ferreira, ao ESPN.com.br.

O dirigente, que tinha como uma das responsabilidades fazer a transição de garotos da base para o time profissional, rapidamente se encantou com o jovem recém-chegado.

“Ele já se diferenciava muito dos demais. Notamos que tínhamos uma joia para ser lapidada e que tínhamos a sensação de que chegaria a um grande nível. Mas nenhum de nós imaginava que ele chegaria tão rápido a um nível tão alto”.

Paulo acredita que muito do sucesso de Diogo Jota vem desse impulso quase incontrolável pela vitória.

“Os colegas até se queixavam que ele era um bocado egoísta no sentido de que era obstinado por aquilo que fazia. Em resolver jogos, conseguir impor e ser diferente. Ele tinha qualidade técnica, domínio, velocidade, condução de bola e facilidade de conclusão que eram muito diferentes dos outros garotos. Ele é muito ‘obcecado’ por atingir metas e ser o melhor naquilo que faz”, contou.

Isso vale até mesmo para os jogos de videogame, do quais Jota é fã assumido. O português é um jogador voraz de "Fifa" e "Football Manager".

“Uma vez na Inglaterra ele venceu um torneio de Fifa. Lembro que mesmo quando jogava com os colegas de clube queria ser o melhor e ganhar”, recordou Paulo.

Arquibancada com nome

Com tanto sucesso na primeira temporada na base, o Paços precisou fazer um trabalho árduo para não perder a promessa antes mesmo da estreia no time de cima.

“O normal para um clube da nossa dimensão perder um jogador que chama atenção para Porto, Benfica e Sporting. Eu tive um papel importante para que ele não saltasse logo para outro clube até estrear nos profissionais. É comum perdermos garotos a partir dos nove anos de graça porque não temos contrato, é a lei do mercado”.

“A vontade do Jota prevaleceu porque ele se sentia muito à vontade por aqui e recebia muito carinho. Além disso, sabia que teria oportunidades”.

O atacante estreou marcando um gol nos profissionais com apenas 17 anos na goleada de 4 a 0 sobre o At. Reguengos, em jogo válido pela Taça de Portugal na temporada 2014/2015.

“Ele entrou como titular e já quis deixar sua marca. Isso foi decisivo porque criou uma aura de carinho para os torcedores e o treinador. Esse jogo lhe criou um status no clube porque poderia ter voltado aos juniores se não tivesse ido bem”, explicou.

Na primeira temporada foram quatro gols em 12 jogos. Na segunda, ele balançou as redes 14 vezes em 35 partidas. Em pouco tempo, o atacante se destacou e passou a chamar atenção de vários clubes do país.

“Depois de fazer tantos gols, ele ficou em outro patamar e sabíamos que iriamos perdê-lo. Não temos capacidade financeira para segurá-lo. Vários clubes, inclusive de Portugal, ficaram interessados, e o Benfica esteve próximo de contratá-lo, mas depois seguiu uma proposta do Atlético de Madrid, que para o nosso clube foi financeiramente muito importante”, contou.

Agenciado por Jorge Mendes, empresário de Cristiano Ronaldo, Jota foi vendido para o clube colchonero por sete milhões de euros em 2016.

“Entre nós, brincamos que uma das arquibancadas deveria se chamar Diogo Jota porque usamos uma parte do dinheiro da venda para começar a remodelar o estádio. A venda também nos ajudou a equilibrar as contas do clube. Foi a melhor proposta que recebemos. Essa ligação com o Jorge Mendes abre as portas dos grandes clubes imediatamente. Ele não jogou no Atlético, mas elevou seu patamar no futebol europeu por ser um jogador do Atlético”, disse Paulo.

Sem chances no time espanhol, Diogo Jota foi emprestado ao Porto e ao Wolverhampton, que o comprou depois. Destaque na Championship, o português foi um dos pilares das boas campanhas dos Wolves nas duas últimas temporadas antes de ser comprado pelo Liverpool.