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Corinthians: Duílio é primeiro Monteiro Alves a presidir o clube e abre novo capítulo familiar

Representando diretoria encabeçada por Andrés Sanchez, Duílio Monteiro Alves, 45, é o novo presidente do Corinthians. Foi eleito no último sábado (28) para o mandato de 1º janeiro de 2021 até 31 de dezembro de 2023, abrindo um novo capítulo familiar no clube.

O avô e o pai foram conselheiros e dirigentes, mas jamais sentaram na cadeira da presidência. O avô chegou perto, como vice direto de Waldemar Pires. E o pai tentou pela chapa Democracia Corinthiana, mas foi derrotado no pleito de 1985.

A história da família Monteiro Alves no clube começou com Orlando, o primeiro a ingressar no quadro de conselheiros. Ele tornou-se dirigente nos anos 1970, quando foi nomeado pelo presidente Miguel Martínez como diretor da escolinha de futebol.

Quando Vicente Matheus foi reeleito em 1973, Orlando acabou nomeado diretor interino de futebol por Isidoro Matheus, vice e irmão do mandatário, porque o departamento estava “sobrecarregado”, segundo reportagem de “O Estado de S. Paulo” daquele período.

Orlando Monteiro Alves trabalhou com nomes como o técnico Yustrich, o preparador físico José Teixeira (famoso pela parceria com Oswaldo Brandão) e o médico Osmar Santos. A presença dele foi elogiada e ele teve sequência.

Fez parte do departamento de futebol, já como diretor efetivo e depois como vice-presidente até 1983, quando foi alçado à vice da diretoria de Waldemar Pires, releito à presidência. No período, viu o time sair do jejum de 23 anos no Campeonato Paulista, ao sagrar-se campeão da edição de 1977 contra a Ponte Preta, e também levar o título do Estadual em 1979, 1982 e 1983.

O curioso desta história é que Orlando foi de aliado a rival de Vicente Matheus em praticamente dez anos de clube, com críticas do ex-presidente ao cartola reproduzidas nos jornais de São Paulo no período final de sua passagem.

Também é curioso que tenha sido Orlando o homem a indicar o filho e sociólogo Adilson Monteiro Alves ao cargo de diretor de futebol em 1981. A decisão ajudou a colocar de pé o movimento da Democracia Corinthiana liderada por Wladimir, Sócrates e Casagrande.

“Foi a participação do esporte na redemocratização do nosso país. Não era normal você ver o diretor deixar os jogadores participarem das decisões do dia a dia”, disse Duílio em entrevista para a série especial da ESPN Brasil sobre a atual eleição no Corinthians.

Durante o período em que Adilson foi diretor, muitas decisões da diretoria e da comissão técnica eram partilhadas com os jogadores, que, pelo sistema de voto, decidiam o que seria feito. Eles podiam opinar em coisas simples, como o uniforme que deveria ser usado, o horário para treinar e até ter ou não concentração antes dos jogos, como assuntos mais importantes, como contratações e premiação por conquistas.

O Corinthians foi bicampeão do Campeonato Paulista (1982/83) e quase levou o tricampeonato em 1984. Entre altos e baixos, a imagem deixada foi mais do que positiva. E Adilson tentou concorrer a eleição em abril de 1985 contra Roberto Pasqua. Acabou derrotado e se afastou do clube.

No sábado, ele acompanhou Duílio durante o pleito corintiano, pisando novamente no Parque São Jorge e participando do pleito (ainda é conselheiro). Ali vivia a expectativa de ver finalmente um Monteiro Alves assumir a cadeira da presidência.

A vinda de Duílio ao Corinthians aconteceu quase muitos anos depois. Foi em 2009 quando Andrés Sanchez, então presidente, o nomeou para o departamento cultural, dando a Duílio a missão de organizar as festividades pelo centenário do clube, em 2010.

A experiência foi bem sucedida e no ano seguinte ele ingressou no departamento de futebol como diretor adjunto. Estava na equipe responsável pelos títulos da Copa Libertadores, do Mundial de Clubes e da Recopa Sul-Americana, todos na gestão de Mario Gobbi (adversário derrotado na eleição de sábado). Em 2015, se afastou por um tempo e só retornou ao comando do futebol em 2018, convidado por Sanchez.

Corinthians até nos carros

Uma reportagem da revista “Placar” nos anos 1980 mostrava o quanto a família Monteiro Alves era fanática pelo Corinthians. Orlando, que tinha uma frota de carros, dava um jeito de inserir o ano de fundação do clube paulistano (1910) em todas as placas.

“Quando um corintiano vê a chapa do carro, quer saber quem é o dono para cumprimentá-lo. Não consigo me esconder de ninguém”, disse Orlando para a reportagem da revista.

Ele tinha 14 veículos, sendo três de Adilson, então diretor de futebol e também deputado estadual por São Paulo pelo PMDB. A maioria dos veículos foi adquirida na concessionária de Gylmar dos Santos Neves, ex-goleiro do clube e bicampeão da Copa do Mundo em 1958 e 1952.