As críticas de Karim Benzema dias atrás e os apenas trinta minutos em campo neste sábado (31) já são motivos suficientes para Vinicius Jr. ligar o sinal de alerta na sua passagem pelo Real Madrid. Mas a situação é pior do que parece. O brasileiro foi duramente criticado por Kike Marín, colunista de “El Confidencial, um dos mais importantes jornais da Espanha.
O jornalista escreveu sua crítica antes de o Real golear o Huesca por 4 a 1, na manhã deste 31 de outubro, e, em um texto longo e repleto de ironias, chegou a comparar o jovem atacante a Robinho.
Para quem não se lembra, Robinho, que teve passagem rápida pelo Real, entre 2005 e 2008, sem nunca ter confirmado a profecia do presidente Florentino Pérez de que ser o sucessor de Pelé no futebol mundial e ganhar o prêmio de melhor jogador do mundo.
Marín diz que Robinho era espetacular para criar lindos lances em campo, mas não sabia jogar coletivamente. Sustenta a afirmação ao dizer que o atacante jamais chegou ao ápice na Europa. Nem pelo Real nem pelo Manchester City (de 2008 até 2010) nem pelo Milan (de 2010 até 2015), os únicos gigantes do continente que teve a chance de mostrar talenta.
Reforça o pensamento citando as três vezes em que jogador voltou ao Brasil para recuperar o bom futebol (duas para o Santos e uma para o Atlético-MG), a ida para a China e para a Turquia. E ironiza Florentino Pérez.
“‘Robinho é um jogador capaz de fazer as jogadas que crianças de todo o mundo tentam recriar nas ruas’. Assim, em mais uma demonstração de seu analfabetismo futebolístico ao não ver a diferença entre ‘fazer jogadas’ e jogar futebol, Florentino Pérez apresentou o brasileiro em 26 de agosto de 2005. Uma estrela dos ‘melhores momentos' pelos quais o Real Madrid pagou 24 milhões de euros ao Santos e, três anos depois, Ramón Calderón o negociou com o Manchester City por 43, numa grande operação econômica e também desportiva, já que Robinho foi sempre mais de enfeitar do que de decidir”, escreveu o colunista.
“Robinho acabou sendo conhecido como um triatleta ‘porque ele corre, pedala e depois... nada’, em referência à sua limitada capacidade de definir”, acrescentou Marín em outro parágrafo.
Mas onde se encaixa Vinicius Jr. nesse contexto? Para Marín, o brasileiro, que saiu do Flamengo por 45 milhões de euros, também encantou Florentino Pérez, que o colocou como sucessor de Pelé e candidato a vencer o prêmio de melhor do mundo.
“A nova reencarnação de Pelé que, se fosse por Florentino Pérez, já teria ganho a Bola de Ouro apesar de não ter mostrado absolutamente nada, além de uma velocidade e um estouro que lhe permite chegar mais cedo, mas não melhor. O que ainda pode ser melhorado? Pergunte a Julen Lopetegui, que preferiu mandá-lo ao Real B justamente para lhe dar uma margem”, escreveu.
Marín faz das palavras de Benzema as suas próprias ao criticar o estilo de jogo de Vinicius Jr., dizendo que o francês, apesar de carregar o peso de estar devendo gols, tem jogado para o bem do time.
“O fato é que o francês é justamente o contrário do Vinicius: ele faz jogadas, mas joga futebol. Por mais que o '9' esteja nas costas, ele sempre pensa na equipe e não apenas em fazer gols”, escreveu.
Por fim, Marín diz que Vinicius Jr. tem um salário muito alto (7 milhões de euros por temporada, ou R$ 46,9 milhões em números atuais) para dar um retorno imediato, ainda que seja jovem.
“No entanto, como fez na época com Robinho, Florentino Pérez não aprende e insiste em dizer que o brasileiro será a próxima Bola de Ouro do Real Madrid. E é aí que o presidente, que também atua como diretor esportivo, mais uma vez esquece que o futebol é um esporte coletivo e não individual. Como disse Zidane, ‘quem gosta de futebol tem que gostar de Benzema’, só quem gosta de ‘ver belas jogadas’ pode gostar de Vinícius, atualmente candidato a ‘triatleta’, escreveu.
