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Neymar 'envenenou' os sete anos de Bartomeu como presidente do Barcelona, diz jornal; veja os argumentos

A gestão de Josep Maria Bartomeu terá muitos capítulos para ser lembrada na história do Barcelona. Desde quando assumiu no lugar de Sandro Rosell até a renúncia ao cargo, anunciada na última terça-feira (27), foram muitos pontos polêmicos, mas, na edição desta sexta-feira (30), o jornal “Mundo Deportivo” apontou um protagonista para a queda do dirigente: Neymar.

Sete pontos foram listados pela publicação para justificar como o craque do Paris Saint-Germain “envenenou” a gestão de Bartomeu, que saiu agora como reflexo da queda de braço com o astro Lionel Messi e em pé de guerra com outros diretores.

O primeiro ponto é a polêmica contratação de Neymar pelo Barcelona, em um negócio que foi fechado por Sandro Rosell, então mandatário, em maio de 2013. Bartomeu era vice à época e acompanhou toda a novela que se desencadeou depois.

O valor da transferência permanece duvidoso para muitos naquela negociação. O Santos chegou a ingressar na Justiça. O mesmo fez a DIS, grupo de investimento que tinha um percentual dos direitos de Neymar e não recebeu 100% do que cobrava.

Rosell acabou renunciando em 23 de janeiro de 2014 frente ao tsunami de problemas no Barcelona, especialmente o caso Neymar. O dirigente ainda foi preso em 2017 acusado, entre outras coisas, de lavagem de dinheiro.

Voltando a Bartomeu, foi ele quem encarou a imprensa nos primeiros dias de Neymar no clube tendo de explicar o contrato, o valor investido e tudo que cercava aquela contratação, como um pagamento realizado dois anos antes do acordo ser fechado. Na coletiva, ele afirmou que o custo total da operação foi 86,2 milhões de euros, sendo que o Barça pagou a Neymar 57,1 milhões de euros.

O segundo ponto é igualmente polêmico. Foi a assinatura de um pacto entre o clube catalão, o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Estado para encerrar o processo de infração fiscal supostamente cometida pelo clube ao contratar a joia do Santos. Na época, houve o pagamento de uma multa de 5 milhões de euros por parte da equipe blaugrana.

O jornal relembra que a conciliação considerou que os 40 milhões de euros pagos pelo Barcelona à empresa N&N (do pai de Neymar) para garantir a contratação do jogador foram a título de vencimento e não um repasse, como sempre defendido pelo clube.

Mas para o pacto ir para frente ele dependia da assinatura dos representantes da diretoria e foi aí que Bartomeu sentiu o golpe. Quatro diretores “traíram” a causa e não assinaram. Abriu-se até uma moção de censura contra Bartomeu, mas que não avançou.

O terceiro ponto mostra quando situação começou a ruir de vez para ele. Foi em 3 de agosto de 2017, quando o PSG depositou os 222 milhões da euros da multa rescisória e contratou Neymar. Tudo isso depois de Bartomeu ter feito uma fato ao lado do craque assegurando ser aquele o dia do fico...

O reflexo daquele fato é o quarto ponto. Naquele momento, todos os clubes sabiam que o Barça estava com muito dinheiro e em busca de um substituto para Neymar. Os escolhidos foram Dembélé, do Borussia Dortmund, que chegou apenas no fechamento do mercado de agosto, e Philippe Coutinho, cuja vinda se deu em janeiro de 2018, após acerto com o Liverpool.

Ambos, somando valores fixos (105 milhões de euros + 120 milhões de euros) e variáveis (40 milhões de euros para cada um) acabou gerando despesas acima do que o clube recebeu pela saída de Neymar. Para piorar, Dembélé teve uma lesão e não conseguiu ter continuidade, enquanto Coutinho teve uma queda física, mental e esportiva após seis meses. Bartomeu virou vidraça de novo.

O quinto ponto também tem a ver com a saída de Neymar. O brasileiro alegou não ter recebido um bônus pela renovação contratual em 2016 (alegava ter pendente para receber 43,5 milhões de euros). O brasileiro assinou a Justiça. Após muito desgaste, a decisão saiu neste ano e foi favorável ao Barça.

O sexto ponto tem a ver com a contratação do brasileiro novamente, afinal o caso DIS continua em aberto. O fundo de investimento que detinha 40% dos direitos econômicos de Neymar quando ele era jogador do Santos, considera que o jogador, seus pais, Barça e Santos simularam um preço de venda menor para repassar a DIS uma "comissão ridícula".

O último ponto é mais atual. Foi o pedido de Messi para que Bartomeu trouxesse Neymar de volta ao clube. Muito se especulou sobre isso na última janela, mas nada aconteceu. O PSG também não desejava perder o brasileiro, e o Barça não tinha tanto dinheiro para investir.