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Palmeiras: Miguel Ángel Ramírez disse 'sim', mas voltou atrás; veja por que é muito difícil tirá-lo do Del Valle

O Palmeiras segue em busca de um novo treinador para a vaga deixada por Vanderlei Luxemburgo. Na última terça-feira, conforme antecipado pelo ESPN.com.br, o clube paulista desistiu da contratação de Miguel Ángel Ramírez, do Independiente Del Valle.

Em apuração com fontes ligadas à negociação, a reportagem confirmou que o treinador havia aceitado dirigir o Palmeiras a partir da próxima semana, quando viria ao Brasil na sexta-feira e assistiria ao duelo diante do Atlético-GO, no domingo.

Porém, a pressa para um acerto e o imediatismo por parte dos dirigentes do Palmeiras incomodaram o espanhol, que acredita que a cúpula palmeirense teria uma atitude semelhante em caso de maus resultados em um curto a médio prazo de trabalho e o demitisse. Por conta disso, Ramírez recusou a investida palmeirense, o que faz com que o clube paulista comece um novo processo do 'marco zero'.

A reportagem apurou ainda no final da última semana que Guillermo Barros Schelotto, em má fase à frente do Los Angeles Galaxy, da MLS, foi oferecido ao Palmeiras e que chegou a ter um contato de Anderson Barros, diretor de futebol do clube paulista, com o agente do atleta, mas as conversas não evoluíram. Mesmo assim, o vice-campeão com o Boca Juniors da Libertadores de 2018 ainda não é descartado pelo Palmeiras.

Em setembro, o ESPN.com.br, em apuração com fontes ligadas a Miguel Ángel Ramírez, trouxe a reportagem do porquê seria tão difícil tirar o espanhol do Independiente Del Valle.

Um dos quesitos mais requeridos pelo treinador é a paciência e a convicção em seu trabalho, algo que, segundo a apuração da reportagem, não foi sentido pelo comandante em reunião com o Palmeiras. Dinheiro também não é um fator que seduz o treinador.

O clube equatoriano é uma equipe de saúde financeira extremamente estável. O comando da instituição está sob responsabilidade do megaempresário Michel Deller, que é dono da franquia KFC no Equador, além de ser um magnata do ramo imobiliário e possuir alguns dos maiores shopping centers do país latino-americano.

Foi Deller que, em 2006, assumiu as contas do então Independiente José Terán, na 3ª divisão equatoriana, e, num espaço de 14 anos, transformou o clube em referência não só em seu país como na América do Sul. Atualmente, a agremiação se chama Club Especializado de Alto Rendimiento Independiente Del Valle.

De acordo com as fontes ouvidas, Miguel Ángel Ramírez não coloca dinheiro à frente de estabilidade na hora de aceitar seus trabalhos - e, no Del Valle, ele tem os dois. Além disso, se chegar uma proposta de outra equipe, Michel Deller pode tentar cobrir, auxiliado pelo fato do dólar ser a moeda corrente no Equador.

Além disso, segundo disseram as fontes à reportagem, o técnico espanhol tem verdadeiro horror ao imediatismo marcante do futebol brasileiro no trabalho dos treinadores. Ramírez crê que, no caso de aceitar um trabalho no Brasil, poderia ser fritado e demitido após uma série de três ou quatro tropeços, o que vai totalmente contra sua filosofia.

O estrangeiro gosta de contratos longos e de sentir estabilidade no cargo, e a "loucura" do futebol brasileiro pouco lhe agrada. Vale lembrar, inclusive, que ele foi um dos nomes cotados para assumir o Flamengo após a saída do português Jorge Jesus. No entanto, houve resistência desde o início, e praticamente não houve conversas entre as partes.

Em entrevista recente ao "Bola da Vez", da ESPN Brasil, Miguel Ángel falou sobre a possibilidade de trabalhar em terra verde-e-amarela. Veja abaixo.